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Novo PSI pode derrubar vendas em 2015

Crédito | 21/12/2014 | 13h32

Novo PSI pode derrubar vendas em 2015

Taxa sobe para 9% a 10% ao ano e linha só financia 70% ou 50% do bem

PEDRO KUTNEY, AB

Texto atualizado em 23/12/2014 às 20h00

No apagar das luzes de 2014 o governo finalmente apresentou as novas condições para 2015 do PSI, linha de crédito para investimentos do BNDES que no Brasil é responsável por financiar de 70% a 80% das compras de caminhões e ônibus. Apesar de ser uma resposta aos sucessivos apelos dos fabricantes, que aguardavam as novas regras para poder planejar o ano, as notícias não são boas: as taxas de juros subiram substancialmente, os prazos foram reduzidos e, mais importante, o banco de fomento não irá mais financiar 100% do bem, como vinha ocorrendo. Apesar de os juros ainda serem atraentes, a necessidade de entradas de 30% (pequenas e médias empresas) ou 50% (grandes empresas) deve inviabilizar parte importante dos negócios, com potencial para provocar nova queda no mercado de caminhões, que este ano já recua 12%.

As regras do PSI em 2014, que terminou na primeira semana de dezembro, liberavam financiamentos de 100% do valor do bem para compra de caminhões e ônibus, com taxa de 6% ao ano. Em reunião extraordinária na sexta-feira, 19, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aumentou o juro da linha para 10% ao ano no caso de grandes empresas, 9.5% aa para pequenas e médias empresas e 9% aa na modalidade Pró-Caminhoneiro, destinada a autônomos.

O porcentual máximo financiável não foi expresso na resolução do CMN, mas segundo informações do Ministério da Fazenda confirmadas pelo BNDES na terça-feira, 23, o crédito via PSI passou a ser de apenas 50% do valor do bem para corporações de grande porte, e de 70% para as pequeno e médio portes. O prazo máximo, que era de 120 meses, caiu para 72 meses (seis anos), com seis meses de carência para iniciar os pagamentos. No caso do Pró-Caminhoneiro, são 96 meses (oito anos), com carência de 24 meses (dois anos).

RETRAÇÃO

Embora o PSI ainda represente a linha mais barata possível para compra de caminhões e ônibus no País, as novas regras vão contra o que vinha sendo pleiteado pelos fabricantes, que avaliam ser fundamental o financiamento de 100% do bem, pois sem isso o negócio requer o desembolso de recursos que a maioria das empresas de transporte não têm. Muitos diziam também que qualquer taxa acima de 7,5% a 8% também poderia afugentar compradores. Para piorar, a redução do prazo do financiamento eleva expressivamente o valor das mensalidades.

Em nota à imprensa divulgada na terça-feira, 23, a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), cujos associados também dependem em grande medida das vendas financiadas pela linha do BNDES, avalia que as condições divulgadas do PSI para 2015 devem reduzir as vendas da linha pesada (reboques e semirreboques) do setor no primeiro trimestre do ano – a linha leve, de carrocerias montadas sobre chassis, não deverá sofrer o mesmo impacto, pois segundo a entidade não tem tanta dependência do PSI para vender.

A entidade destaca o impacto da redução da parte financiável pelo PSI. “Se isso acontecer, a indústria espera que os bancos comerciais entrem firmes no complemento do valor dos bens, com taxas competitivas, para motivar os clientes a fazer aquisições sem desembolso de capital de giro, pois 2014 não foi bom para a maioria dos negócios e por isso as empresas terão dificuldades em adquirir novos produtos ou mesmo renovar suas frotas”, diz na nota Alcides Braga, presidente da Anfir.

O dirigente acrescenta, contudo, que outras medidas de reaquecimento da economia ainda podem ser tomadas pelo governo para compensar o provável recuo das vendas no primeiro trimestre, permitindo a recuperação ao longo do ano.

ANO DE AJUSTE FISCAL

Os recursos do PSI destinados a financiar caminhões e ônibus em 2015 somam R$ 16,8 bilhões, mais R$ 1,4 bilhão para o Pró-Caminhoneiro.

Segundo explicou o Ministério da Fazenda, com a necessidade de fazer ajustes fiscais e cortar gastos, o Tesouro Nacional não irá mais subsidiar os empréstimos do BNDES em 2015, o que tornou necessário aumentar as taxas cobradas pela instituição. Nesse sentido, também foi elevada a Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP) de 5% para 5,5% ao ano, que é usada como base para diversas linhas de financiamento do BNDES, inclusive o Finame destinado à compra de caminhões e ônibus, que com as tarifas de retorno e remuneração dos agentes financeiros deverá ter custo total ao tomador de 12% a 13% ao ano em 2015.



Tags: BNDES, PSI, Finame, crédito, financiamento, taxa, juros, 2015.

Comentários

  • Feliciano JR

    Basta as montadoras de caminhões diminuírem um pouco seus lucros e subsidiar parte da taxa ! quem compra caminhão é por necessidade, não tem jeito ou compra ou transporta nas costas ! Em 2014 já tivemos quem tenha conseguido deixar de comprar devido a incerteza do ano de "3 carnavais " como citou Philip ( MBB ) mas e agora ? 2015 ? quem não comprou em 2014 aguenta segurar mais um ano ? Ou seja , este ano será excelente !!!! juntando quem não comprou em 2014 com a necessidade 2015 !

  • Alzir

    Montadoras e bancos têm atividades complementares, porém, diferentes. Esperar que as montadoras subsidiem os juros é o mesmo que sugerir que bancos fabriquem caminhões. Cada empresa faz o que sabe e entende.

  • Valter Donisete da Cruz

    Não tenham nenhuma esperança, quando as montadoras meterem a mão no bolso e virem a subsidiar crédito.. A ganância delas e igual ou maior que a dos famigerados banqueiros.... temos dois cânceres, que corroem o nosso país, que são as inescrupulosas Febraban e Fiesp..... já deveriam terem sido explodidas com seus diretores dentro... só assim o Brasil, começaria realmente a crescer.... Banqueiros e industriais, infelizmente andam de mão dadas.... Bancos de montadoras então, deveriam ser bancos de fomento, quando na realidade, são bancos de tormento....

  • Rômulo

    Com um país a beira da falência e totalmente dependente de pneu, é nítido que a situação não poderia ser sustentada por muito mais tempo. A desestruturação de escoamento de bens, declínio monetário e sendo foco de empresas estrangeiras não há como o governo viabilizar melhores taxas, sendo que o lucro somente se faz para os empresariado internacional e os barões de nossas estradas. Uma divisão mais harmoniosa com nossas ferrovias e hidrovias, aliado a uma sistêmica renovação de frota, poderíamos sim ter fomentado o ciclo de nosso indústria automobilística e as necessidades nacionais, mas alimentar interesses unilaterais em nada soma ou solidifica o setor. Não estou aplaudindo a posição do BNDES, mas é o momento para elevarmos ideias e descentralizar o transporte e o posicionamento físico de nossas industrias nesse país continental.

  • Carlos Ferrari

    Me divirto lendo comentarios sugerindo que as montadoras baixem seus lucros! Oras, porque entao, quem sugere essa bravata, nao sugere tbm, reduzir seu salario?

  • uezilE arieroM

    Leio Possibilidades , Pessoas sugerindo soluções para vários setores, apontando soluções e caminhos para resolver ou abrandar algumas dificuldades , deveriam se responsabilizarem mais , ao invés de opinar somente, se envolver mais, quem sabe alguma coisa venha a mudar, não é buscar facilidades, falando para um setor fazer o que o outro faz, falar que se reduzir de um setor vai ajudar ou corrigi o outro,temos que ter mais responsabilidades, saber a fundo o que se fala, para não ficar vagando nesta vida, achando que tem a solução para tudo, vai trabalhar, convença a maioria, e não um só setor, senão vão continuar no mesmo monopólio, só vão mudar as mãos, as cabeças terão os mesmos pensamentos. Acredite , só a legenda é quem muda, os motivos são os mesmos.

  • Milton Inacio dos Santos

    Dentro do meu modesto conhecimento, acho que o que destrói a atividade transporte rodoviário é exatamente o crédito exagerado, quem tem capacidade de compra com capital não paga o que o fabricante quer, aquele que compra usando o crédito de até 10 anos paga qualquer preço pois nada mais são que aventureiros, se der pagam se não.. não pagam e saem por aí oferecendo fretes abaixo do custo, sonegando impostos e outros, quem não tem capacidade não se estabeleça.

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