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Crédito | 27/11/2014 | 18h24

Consórcio: vendas de novas cotas recuam 9,9% em 10 meses

Conjuntura econômica exerce influência negativa nos resultados, avalia Abac

REDAÇÃO AB

As vendas de novas cotas de consórcio para aquisição de veículos somaram 1,72 milhão de contratos entre janeiro e outubro, resultando em queda de 9,9% na comparação com iguais meses do ano passado, de acordo com dados da Associação Brasileira de Administradores de Consórcio (Abac) divulgados na quinta-feira, 27. O setor de veículos, que inclui automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas, mantém representatividade maciça no sistema nacional de consórcio, com 91,4% de participação nas vendas durante o período. O número de participantes ativos aumentou 8%, saltando de 4,89 milhões em outubro de 2013 para 5,28 milhões de consorciados em outubro deste ano.

“O menor número de dias úteis trabalhados no primeiro semestre e o período relativo à Copa do Mundo foram os principais motivos da desaceleração do sistema de consórcios, além da insegurança demonstrada pelo brasileiro face às turbulências na economia”, diz Paulo Rossi, presidente da Abac.

O volume de crédito disponível pela modalidade também diminuiu, passando de R$ 50,9 bilhões para R$ 46,4 bilhões no comparativo acumulado anual, enquanto as contemplações – consorciados que receberam carta de crédito para a compra do bem – aumentaram 9,3%, para 1,05 milhão.

Com base nos números do Banco Central, a participação dos consórcios (considerando todos os setores, além do automotivo) aumentou 3 pontos porcentuais no volume de créditos concedidos no acumulado de dez meses: foram R$ 25,6 bilhões sobre o total de R$ 96 bilhões – fatia de 26,6%.

SEGMENTOS

Apesar da retração de 10,4% das vendas de novas cotas entre janeiro e outubro, para 709,5 mil unidades, o segmento de automóveis, incluindo comerciais leves, manteve crescimento no número de participantes: em dez meses, houve alta de 12,9%, para 2,88 milhões no comparativo anual. De acordo com os dados da Abac em parceria com a Cetip, o segmento tem média de participação de uma unidade a cada cinco veículos vendidos no mercado interno. O tíquete médio subiu 2,2% em outubro contra mesmo mês do ano passado, para R$ 42 mil.

No segmento de veículos pesados – caminhões, ônibus, semirreboques, tratores e implementos rodoviários – as vendas de novas cotas recuaram 8,1% em dez meses, para 38,5 mil unidades, embora o volume de participantes ativos tenham aumentado 11,7%, para 239 mil. O tíquete médio verificado em outubro ficou 5,7% acima do valor registrado em mesmo mês do ano passado, de R$ 147 mil para R$ 155,4 mil. Nos dez meses do ano, 28,2 mil consorciados foram contemplados com carta de crédito para a compra de bens, 3,3% a mais do que em igual período do ano passado.

No setor de duas rodas, o segundo maior em representação no sistema de consórcio, atrás de veículos leves, apresentou recuo de 9,9% das vendas de novas cotas, para 973,5 mil no acumulado do ano até outubro, com valor médio de R$ 10,9 mil, aumento de 2,8%. O total de participantes chegou a 3,22 milhões em outubro, 4,5% a mais do que em igual intervalo de 2013. O segmento segue com 53,6% de participação nas vendas internas de motocicletas.

BALANÇO E PERSPECTIVA

No fim do ano passado, as associadas à Abac previam repetir o desempenho de 2013 neste ano: “Quase um ano depois, a expectativa é de que o crescimento anual permanente ocorrido desde 2005 seja interrompido. Porém, o objetivo é que isso fique apenas restrito a alguns meses de 2014”, projeta Rossi.

Ele lembra que com a injeção do 13º salário muitos consorciados aproveitarão para oferecer lances, o que pode contribuir para conter os estoques nas concessionárias.

“Pesquisas feitas junto a consumidores têm revelado que a intenção de muitos brasileiros é economizar, poupar, investir, buscar qualidade e melhorar o padrão de vida. Ou seja, se parcela significativa menciona que não pretende fazer financiamentos e não se endividar de forma excessiva, é possível acreditar que a educação financeira vem se fazendo cada vez mais presente e que o consórcio, dentro desse novo comportamento, pode ser a alternativa a ser utilizada”, finaliza.



Tags: Consórcio, Abac, vendas, cotas, Paulo Rossi.

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