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Mercado | 06/11/2014 | 20h47

Brasil: 7 milhões de veículos/ano

Anfavea projeta este cenário para 20 anos adiante, em 2034

PEDRO KUTNEY, AB

Baseada na taxa de motorização ainda baixa no Brasil, hoje de 5,1 habitantes por veículo, e na provável evolução do PIB per capta, atualmente de US$ 11,2 mil/ano por pessoa, a associação dos fabricantes instalados no País, a Anfavea, criou uma fórmula econométrica para projetar o tamanho mercado brasileiro daqui a 20 anos. O resultado é que, se não houver grandes mudanças no cenário econômico, o Brasil deverá consumir 7,4 milhões de veículos/ano a partir de 2034, caso seja mantido o crescimento médio de 3,7% ao ano projetado pela entidade.

No pior cenário esperado, o avanço seria de 2,9% ao ano, chegando a 6,3 milhões de unidades vendidas em 2034; e numa expectativa mais otimista, de expansão dos licenciamentos na ordem de 4,3% ao ano, seria criado um mercado de 8,3 milhões. O estudo “2034 – Uma Visão do Futuro”, foi apresentado na quarta-feira, 6, pelo presidente da Anfavea, Luiz Moan, em evento paralelo ao Salão do Automóvel de São Paulo, que acontece até o próximo domingo, 9, no Anhembi.

- Veja aqui o estudo completo da Anfavea

De acordo com o estudo, o número de habitantes por veículo cai de maneira proporcional ao crescimento do PIB per capta. Para comprovar essa tese, a Anfavea tomou o exemplo de 15 países (incluindo o Brasil) e cruzou a evolução da renda com a taxa de motorização entre 2001 e 2012. Em todos os casos, houve aumento da frota circulante conforme o PIB cresceu. O exemplo brasileiro mostra que o PIB per capta era menor que US$ 5 mil/ano em 2001 e o País tinha quase 10 pessoas para cada veículo em circulação, enquanto em 2012 a renda média subiu para pouco acima de US$ 11 mil e a motorização chegou a 5,1 habitantes/veículo.

“Isso só comprova que o mercado brasileiro ainda tem muito espaço para crescer e justifica todos os investimentos que a indústria vem fazendo aqui”, avalia Moan. “Veja o exemplo dos Estados Unidos, que tem renda per capta acima de US$ 50 mil por ano e lá a taxa é de 1,2 veículo por habitante”, acrescenta. Ele também citou mercados parecidos com o Brasil onde a taxa de motorização já é mais alta, como México, com PIB per capta em torno de US$ 15 mil/ano e 3,7 habitantes/veículo, e Argentina com cerca de US$ 18 mil/ano e 3,6 habitantes/veículo.

A expectativa da Anfavea é que o PIB brasileiro evolua ao ritmo médio de 3% ao ano até 2034, chegando a US$ 4 trilhões, com aumento da população em 0,5% ao ano, de 201 milhões hoje para 226 milhões de habitantes em 2034, o que faria a renda per capta crescer à taxa de 2,4% ao ano, para US$ 17,9 mil/ano. Com isso, segundo calcula a entidade, a taxa de motorização iria dos atuais 5,1 para 2,4 habitantes por veículo, chegando assim ao mercado de 7,4 milhões de licenciamentos por ano e frota circulante de 95,2 milhões, ou 2,4 vezes o tamanho da frota atual de 40 milhões.

O cenário mais pessimista traçado pela Anfavea é de crescimento anual médio de 2,5%, com PIB per capta de US$ 16,2 mil em 2034, com 2,7 habitantes/veículo e frota de 84,6 milhões. Na perspectiva mais otimista, os números mudam para avanço de 3,5% ao ano, renda de US$ 19,6 mil, 2,1 habitantes/veículo e 105,5 milhões em circulação.

Segundo Moan, o crescimento esperado do mercado vai se dar no interior do País. Ele lembra que a região metropolitana de São Paulo já tem taxa de motorização equivalente aos principais países europeus, em torno de 2 habitantes por veículo, enquanto ainda existem áreas no Brasil com taxa superior a 10.



Tags: Anfavea, mercado, projeção, estudo, 2034, vendas, emplacamentos.

Comentários

  • Geraldo Segatto

    Sempre a promessa do futuro, porque não pensar no presente. Qualquer pessoa que faz conta sabe que se o Brasil tivesse os mesmos preços praticados em qualquer lugar do planeta, teríamos hoje (2014) mercado para os 6 ou 7 milhões de veículos/ano, mencionados para daqui a vinte anos. A grande pergunta é, porque adequar o preço do carro no Brasil ao preço internacional se nós continuamos pagando. Como as montadoras fazem contas elas não irão fazer redução nenhuma. Além do mais não existe crise de venda no Brasil, o que se percebe é que os pátios cheios se devem muito mais a redução de venda para a Argentina do que para o mercado doméstico. O brasileiro é louco por carro e ira se endividar até o ultimo centavo para adquirir um, não se importando muito com o preço desde que o valor da parcela caiba no seu orçamento.

  • Murilo Fonseca

    Uma perfeita a abordagem económica, outra variável que impulsionará o crescimento e se for aprovado o projeto de renovar-frota...

  • Geraldo Segatto

    O renovar frota seria muito bom, como a adoção de ipva igual para todos os automóveis, o que falta é vontade política, pois automóvel aqui é fonte imensa de arrecadação, baratear preço significa abrir mão de arrecadar mais em primeiro momento. Outra variável é o preço praticado aqui, caberia medidas dos nossos governantes que tanto zelam pelo povo brasileiro contra esse oligopólio que se caracteriza (como fez a China recentemente contra a mercedez, bmw e audi), mas..., pois qualquer medida, com os preços atuais de nossos carros são somente paliativos imediatos, carro aqui ainda é patrimônio e não bem de consumo.

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