Automotive Business
  
ABLive

Notícias

Ver todas as notícias
Montadoras reinventam estratégia de compras para o Inovar-Auto

Autopeças | 01/10/2014 | 19h10

Montadoras reinventam estratégia de compras para o Inovar-Auto

Nacionalização e redução do número de fornecedores estão entre as medidas

GIOVANNA RIATO, AB

As montadoras instaladas no Brasil e a cadeia de fornecedores trabalham em pleno vapor para atender as regras do Inovar-Auto. Com dois anos de atraso enfim foi regulamentada a rastreabilidade das autopeças, aspecto essencial para que seja possível verificar o conteúdo local dos carros e alcançar as metas do novo regime automotivo (leia aqui). Com as regras do jogo claras as empresas aceleram as negociações para atender ao programa.

No painel que reuniu executivos de compras das montadoras durante o Congresso SAE Brasil, na quarta-feira, 1º, as fabricantes de veículos apontaram que estão reinventando as estratégias. “Estamos reduzindo o número de fornecedores, concentrando as compras”, revelou Erodes Berbetz, diretor da área na Mercedes-Benz. A companhia, que conta com cerca de 350 parceiros no Brasil, pretende garantir assim maior escala de produção às fabricantes de componentes, o que permitirá fechar contratos com preços menores.

“Hoje temos algumas peças que são fabricadas por duas ou três empresas diferentes. A ideia é manter apenas uma.” O executivo assegura que o objetivo não é fechar as portas para novos parceiros, mas apenas firmar contratos com empresas de fora quando a montadora tiver alguma vantagem competitiva. “A Mercedes, por exemplo, está sempre em busca de parceiros que tragam inovação”, explica. Berbetz lembra que não há motivos para a montadora investir em adaptações ou novos desenvolvimentos com empresas diferentes no Brasil se, muitas vezes, um componente projetado na Alemanha pode ser fabricado pela mesma empresa lá e aqui.

A Ford também acha vantajoso manter número menor de fornecedores. Nos próximos três anos a companhia pretende localizar na América do Sul US$ 1 bilhão em compras. A montadora estima que o nível de compras locais exigido pelo novo regime automotivo leve a índice próximo de 70% de nacionalização nos carros. A organização dará preferência aos parceiros que compõe a base atual de fornecimento. “Só vamos ter empresa de fora se houver algum componente que nossos parceiros não consigam fabricar”, explica João Pimentel, diretor de compras da fabricante. O plano ainda não deve refletir nos negócios que serão fechados em 2015. Sem revelar números o executivo projeta expansão da aquisição de componentes na comparação com este ano, mas apenas baseado no aumento do volume de vendas que a marca pretende alcançar no período.

A Mercedes-Benz tem a mesma meta. Barbetz acredita que, com a evolução dos emplacamentos de caminhões da marca, a empresa vai superar em 2015 os R$ 4 bilhões investidos na aquisição de autopeças este ano. O executivo avalia que adequar as compras a um formato competitivo e com maior volume de componentes nacionais é mais desafiador para o segmento de caminhões, que tem menor volume e, portanto, escala reduzida com os fornecedores.

Ainda assim, a montadora está concluindo a nacionalização do extrapesado Actros, fabricado em Juiz de Fora (MG). “No início de 2015 ele já será totalmente finamizável”, aponta, referindo-se ao Finame, linha de crédito subsidiada do BNDES, que exige 60% de conteúdo local. “Esperávamos ter bons resultados com o caminhão por seu conteúdo tecnológico, mas realmente a resposta do mercado não foi tão boa enquanto ele não podia ser completamente negociado pelo Finame”, admite. Com o aumento do conteúdo brasileiro, o executivo espera que o modelo seja um dos impulsos para a expansão das vendas que a companhia pretende realizar no próximo ano.

Berbetz também auxilia a área de automóveis da empresa na missão de projetar as etapas da nacionalização dos automóveis da marca que serão produzidos em Iracemápolis (SP) a partir do fim de 2015. Segundo ele, a companhia tem trabalhado com o apoio de alguns sistemistas e está definido que inicialmente a operação será praticamente CKD, com a montagem local de kits importados. As linhas de produção locais ganharão ritmo para que os carros recebam componentes nacionais ainda no primeiro ano de atividade da planta.



Tags: compras, autopeças, fornecedores, cadeia produtiva.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

AB Inteligência