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Tecnologia | 26/09/2014 | 19h30

Airbag e ABS são insuficientes para segurança veicular

Denatran planeja centro de crash-tests para avaliar estrutura dos carros

REDAÇÃO AB

A adoção de sistemas de airbags e ABS em 100% dos veículos vendidos no Brasil não tem sido o suficiente para diminuir os números de acidentes. Durante o Seminário de Segurança Veicular promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) na quinta-feira, 25, Ricardo Plöger, gerente de engenharia e segurança veicular da Volkswagen, mostrou números do DPVAT que indicam alta da fatalidade nos últimos anos, com índice de 54,7 mil mortes em trânsito somente no ano passado. “Hoje temos a falsa informação de que quanto mais airbags no veículo mais seguro ele é, o que é um equívoco”, comentou.

“Dados levantados pela Organização das Nações Unidas apontam que em 2000 cerca de 1 milhão de pessoas morreram vítimas de acidente fatais, sendo que atualmente esses dados chegam a 1,9 milhão”, informou Johannes Kopp, da Bosch. Para Plöger, é imprescindível ter segurança integrada, que una a ativa, a passiva e outros elementos eletrônicos para diminuir o índice de mortes. Um exemplo é a comunicação de um carro com outro. “É necessário que os veículos passem por testes minuciosos de crash-frontal, além de ter os sistemas de prevenções, como cinto, airbag e absorção de impacto de joelho.”

O Denatran tem trabalhado neste sentido, segundo Daniel Tavares, seu analista de infraestrutura. O executivo contou durante o seminário que o Departamento Nacional de Trânsito mantém parceria com o NCAP para promover a avaliação de veículos novos, e que pretende inaugurar um centro independente de testes no País junto à Universidade de Brasília.

“O centro será voltado à realização de ensaios de homologação, além de atuar na investigação de acidentes, promover a disseminação do conhecimento técnico e formar mão de obra qualificada no Brasil para trabalhar na área de segurança veicular”, informou Tavares.

Nilton Monteiro, diretor executivo da AEA, chamou atenção para o fato de que os consumidores estão cada vez mais preocupados com a segurança de seus veículos. “De acordo com pesquisas realizadas em redes sociais, notadamente no Facebook e no Twitter, o item segurança foi o mais acionado, com cerca de 30% de menções, das quais 70% pelo público masculino e 30% pelo feminino. Hoje o cliente brasileiro está mais preocupado e consciente quando o assunto é segurança e há a necessidade de debater normas necessárias para o seu desenvolvimento”, disse.

Em contrapartida, há diversas falhas na legislação brasileira. Alessandra Françoia, coordenadora nacional da Criança Segura Safe Kids Brasil, lembrou que os acidentes são as principais causas de mortes de crianças na faixa de 1 a 14 anos. “Por aqui, táxis, veículos de locação e transportes escolares são isentos da obrigação de cadeirinha. Há a necessidade de mudar esta legislação. Falta ainda a obrigatoriedade do cinto de três pontos em todas as posições e o Isofix, já anunciado pelo Inmetro, porém sem data para oficialização”, afirmou Alessandra.

Carlos Bonote, vice-presidente da VCA South America, acrescentou que são necessárias mudanças na infraestrutura, ou seja, ruas, sinalizações, meio ambiente, o comportamento do condutor e do veículo. “No Brasil, os requisitos de homologação são definidos apenas por uma portaria do Denatran. Ao comparar os requisitos daqui com os europeus, por exemplo, nota-se que no velho continente diversos sistemas são mais elaborados e obrigatórios, como Isofix, limitador de velocidade e sistema de proteção ao pedestre.”



Tags: AEA, segurança, Denatran, crash-tests, testes, airbags, ABS.

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