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Mercado | 18/08/2014 | 23h30

Para Carcon/LMC, vendas de leves caem 5,4% este ano e as de caminhões recuam 11,3%

Efeitos do Inovar-Auto ainda demoram a beneficiar indústria, aponta PwC

CAMILA FRANCO, AB

Apesar de o segundo semestre tradicionalmente ser mais forte para o setor automotivo – o primeiro deste ano foi impactado pela redução na concessão de crédito, baixa confiança do consumidor, além do aumento dos preços de veículos com a adoção obrigatória de airbags frontais e freios ABS -, as vendas de modelos leves não deverão ter aquecimento suficiente para conter retração de 5,4% este ano em relação a 2013. A projeção é a da Carcon/LMC Automotive e foi apresentada na segunda-feira, 18, durante o Workshop Planejamento Automotivo 2015, promovido por Automotive Business em São Paulo.

A produção nacional de veículos leves, em acompanhamento da retração do mercado, deverá cair 8% este ano. Segundo a consultoria, o volume deve passar de 3,4 milhões de unidades fabricadas em 2013 para 3,2 milhões este ano. Mas deve voltar a avançar gradualmente nos anos seguintes. “Crescerá 6% em 2015, mas ainda será um volume 2% menor do que o observado em 2013”, salientou Jomar Napoleão, consultor sênior da Carcon/LMC Automotive.

O consultor lembra que “a redução no ritmo de produção é decorrente principalmente de uma queda no mercado interno mas também da contração no mercado argentino, que comprou menos veículos brasileiros.” A Carcon/LMC Automotive aponta que a situação econômica na Argentina tem enfraquecido a confiança de investidores e ameaçado o crescimento e consumo no país. A previsão da consultoria indica que o mercado argentino deverá ter retração de 29% nas vendas e de 24% na produção de leves este ano.

Com o declínio nos seus dois principais mercados, o aumento da capacidade ociosa na América do Sul já é dado como certo. Em 2013, a região produziu 4,5 milhões de unidades e utilizou cerca de 75% de sua capacidade instalada. Em 2014, o volume fabricado deve cair para 4 milhões de unidades e a utilização, para próximo de 60%.

CAMINHÕES

O cenário para caminhões também é de retração, mas pode ser explicado por fatores totalmente diferentes. “Ninguém compra caminhões se não houver demanda de carga”, foi logo lembrando Carlos Reis, diretor da Carcon Automotive, no começo de sua apresentação. O executivo aponta a safra agrícola, a indústria, o setor de serviços e a construção civil como os principais influenciadores deste segmento.

Como há expectativas de diminuição das atividades econômicas com efeitos sobre o PIB, a Carcon/LMC Automotive já trabalha com a possível queda de 11,3% para o segmento este ano, para aproximadamente 137 mil caminhões emplacados. Em 2015, na mesma base de comparação anual, deverá haver leve alta, para algo em torno de 140,3 mil unidades por causa da renovação de frota de empresas. Em 2016, o volume deve se aproximar de 143,2 mil caminhões vendidos.

Segundo Reis, a tendência é de baixa de participação dos semileves nos emplacamentos, que sofrem restrição para circulação em alguns grandes centros urbanos, como São Paulo. Enquanto é observada alta de 87% na participação de leves, semipesados e pesados nas vendas nos últimos anos.

Pesam a favor do setor de caminhões a renovação da frota, que, de acordo com Reis, é feita principalmente por empresas dispostas a trocar seus veículos em média após 3 anos de uso; a retomada do PIB; a melhoria da infraestrutura modal; e o aumento de investimentos em infraestrutura.

Por outro lado, ainda exercem grande impacto negativo no setor altos preços de caminhões usados, altas taxas de juros, e a grande dependência da linha de financiamentos Finame, do BNDES. “Com o aumento das taxas do PSI/Finame e a demora para liberação dos financiamentos, o nosso setor ficou totalmente refém no primeiro semestre, resultado que está impactando, inclusive, o ano como um todo”, ressaltou Reis.

IMPACTOS DO INOVAR-AUTO

O desempenho das vendas no acumulado de 2014 e as projeções para os próximos anos, ambos levantados pela Carcon/LMC Automotive, mostram que até agora, em dois anos de Inovar-Auto, a nossa indústria não se tornou mais competitiva ou inovadora. Tão pouco produzirá mais nos próximos dois anos.

Na visão de Marcelo Cioffi, diretor da PricewaterhouseCoopers (PwC), que também participou do workshop, ainda é muito cedo para ter tais efeitos com o novo regime. “O que podemos observar ao curto prazo como benefício é a redução drástica da participação dos importados nas vendas. Em 2010, esta participação havia crescido quase 1.700% em relação a 2005, em boa parte impulsionada pelas importações de grandes montadoras de países com preços de veículos mais baixos do que a produção local, como o México. Em 2012, após a sobretaxação do novo regime, este crescimento caiu para 1.400% e em janeiro deste ano despencou para 800% em relação a 2005.”

Cioffi acredita que a transformação na indústria virá com a concretização dos investimentos anunciados. Ele usa números da Anfavea, associação dos fabricantes de veículos: “Mais de 30 empresas anunciaram investimentos, um total de mais de R$ 57 bilhões, após o anúncio do regime. Este montante deverá contribuir para aumentar a capacidade produtiva em quase 2 milhões de unidades em 2020. Mas do total de 50 mudanças prometidas, 90% serão colocadas em prática em breve, até o fim de 2017. 77% do capital será aplicado na construção de novas fábricas ou na ampliação da cadeia produtiva.”

Apesar dos planos, o consultor reconhece: “O Inovar-Auto foi criado em um momento crítico para o setor. O mercado estava em plena expansão, mas o potencial produtivo não vem evoluindo na mesma proporção. Os investimentos nos impulsionam a ultrapassar a barreira de 5 milhões de veículos, mas não podemos esquecer o longo caminho que ainda não percorremos e todas as dificuldades a serem enfrentadas para chegar aos 4 milhões de unidades”, conclui.



Tags: Carcon, LMC, planejamento, workshop, Automotive Business, leves, caminhões.

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