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Fenabrave volta à carga contra venda direta

Eventos | 13/08/2014 | 16h49

Fenabrave volta à carga contra venda direta

No congresso da entidade, Meneghetti ataca política das montadoras

GIOVANNA RIATO, AB | De Curitiba (PR)

Com o tema “superação”, abriu as portas na quarta-feira, 13, o 24º Congresso e ExpoFenabrave em Curitiba (PR). O encontro acontece até a quinta-feira, 14, e pretende atrair 3,5 mil visitantes. Na abertura do evento o presidente da entidade dos distribuidores de veículos, Flávio Meneghetti, falou da necessidade de os concessionários renovarem suas estratégias para encarar a nova realidade: mais marcas disputando o mesmo mercado que, ao menos este ano, deve encolher. Também voltou à carga contra um velho conhecido expediente das montadoras em época de vendas magras: o aumento das vendas diretas, que tiram rentabilidade dos concessionários.

O dirigente destacou a importância da distribuição automotiva para a economia. Segundo ele, o segmento movimenta 5,7% do PIB nacional e é responsável por 400 mil empregos diretos. “Nós somos responsáveis não só pela distribuição e venda, mas pela manutenção dos veículos que fazem o Brasil crescer e se desenvolver sobre rodas. Somos o principal elo entre a marca e seus consumidores”, determina.

Nesse tom Meneghetti cobrou das montadoras a oferta de condições para que as redes se mantenham financeiramente saudáveis. “Trabalhamos para que nossas marcas prosperem, mas, da mesma forma, queremos também prosperar nos realizando profissionalmente e remunerando nossos investimentos.”

Ele lembrou do problema das vendas diretas feitas pelas montadoras aos grandes frotistas, prática que prejudica a tão buscada rentabilidade dos distribuidores. Segundo ele, este tratamento é inaceitável para os concessionários que “são ou deveriam ser os principais parceiros das montadoras”.

O presidente da Fenabrave conta que o problema vem sendo discutido há mais de uma década sem solução e disse que a entidade trabalha com a Anfavea para solucionar a situação e pede empenho das associações de distribuidores das marcas para achar saídas. “Existe aqui um tremendo desequilíbrio comercial que temos que procurar nivelar em termos aceitáveis para todas as partes envolvidas”, defende.

ATUAÇÃO DIVERSIFICADA

A Fenabrave continua a enfatizar a necessidade de diversificar as receitas dos negócios. “As margens das vendas de novos vêm caindo e precisamos seguir o exemplo dos nossos colegas dos Estados Unidos”, apontou, lembrando a necessidade de investir na divisão de serviços e em vendas de usados. “Superação passa a ser a palavra de ordem para qualquer concessionário que queira sobreviver, se manter e prosperar nesse concorrido mercado”, determina.

Em palestra na abertura do evento o presidente da BMW para o Brasil, Arturo Piñeiro, também destacou essa estratégia. Segundo o executivo, a divisão de usados cobre, em média, 47% a 52% dos custos das concessionárias no Brasil. “Em uma casa da BMW nos Estados Unidos esse índice chega a 83%”, aponta. Segundo ele, garantir que grande parte dos custos seja coberta pela venda de usados fortalece a empresa em momento de crise e dá potencial para que ela possa trabalhar em melhorias.

Meneghetti avalia que a redução da atividade econômica tem tido impacto severo sobre as vendas de novos. “A média de emplacamentos no primeiro semestre deste ano nos mostra que, em volume, voltamos aos patamares de 2010.” A saída, para ele, está em tornar as estruturas mais eficientes, com mudanças de conceitos e estratégias e a revisão de processos.

O dirigente pediu a colaboração das montadoras para solucionar um problema adicional do momento de baixa nas vendas: estoques elevados. Segundo ele, este é um dos elementos de maior impacto no capital de giro das concessionárias. “Torna-se imperioso um rápido ajuste da produção e consequente adequação dos níveis de estoques à demanda real de mercado.”

O presidente da Fenabrave reforçou ainda que pleiteou no governo a modernização da legislação de retomada das garantias de veículos financiados. Para o executivo, caso as instituições pudessem reaver o bem de forma mais simples e rápida, o setor poderia contar com volume adicional equivalente a um 13º mês de vendas.

DESAFIOS

“Quando o mercado entra em retração a reação óbvia é cortar custos. O certo, no entanto, é investir para ganhar eficiência e elevar a automação”, enfatiza Piñeiro. Ele alertou que os clientes estão mudando e, no novo cenário, o foco não está mais apenas no produto, mas na experiência. Esse é um dos desafios que os distribuidores de veículos enfrentarão nos próximos anos.

O executivo defende que, muito mais do que vender veículos, as concessionárias precisam ter em mente que vendem conveniência ao cliente e trabalhar para garantir facilidades. Há ainda a necessidade de investir em mão de obra e reter talentos. O presidente da BMW acredita que, sem admitir que a marca e a rede de distribuição estão no mesmo barco e trabalhar em conjunto, será difícil superar estes e outros desafios que aparecerão.



Tags: Fenabrave, congresso, distribuição, veículos, Flávio Meneghetti.

Comentários

  • Mario

    Acho que o Sr Arturo precisa ver a qualidade dos concessionários BMW primeiro, para depois falar do mercado brasileiro. A marca não entrega nada do que promete e ainda cobra muito por isso.

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