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Máquinas | 11/08/2014 | 16h48

AGCO investe em mais nichos agrícolas no Brasil

Além de novas máquinas, mira em setor de armazenagem e sistemas de precisão

SUELI REIS, AB

A retração das vendas de máquinas agrícolas, que no acumulado de sete meses caíram 17% para tratores e 24% nas colheitadeiras, não tiram o entusiasmo da AGCO sobre a América do Sul, especialmente do Brasil. Para o CEO do grupo que reúne as marcas de equipamentos agrícolas Massey Ferguson e Valtra, Martin Richechagen, a companhia considera a região como uma de seus maiores potenciais de crescimento mundial nos próximos anos:

“Em 2013, as vendas na América do Sul foram recordes. Este ano, o mercado está mais volátil no Brasil, apesar disso, continuamos tendo um resultado satisfatório”, disse na segunda-feira, 11, em São Paulo, durante sua passagem pelo País para apresentação do desempenho e perspectivas de negócios para a região.

Os dados mostram que a empresa mantém a liderança isolada no mercado de tratores, com 47% de participação, de acordo com o resultado apurado em junho. Entre as marcas, a Massey Ferguson aparece com 25% das vendas, seguida pela Valtra, com 22%. No segmento pesado, de colheitadeiras, a empresa segue com 15% das vendas, sendo 11% com a marca Massey Ferguson.

Segundo o vice-presidente e gerente geral da AGCO para a América do Sul Para, André Carioba, o País ainda possui uma frota relativamente pequena para o tamanho de sua área agrícola disponível para culturas, hoje estimada em 128,1 milhões de hectares.

“Esse fator gera um potencial de crescimento muito relevante. Só para a safra atual de grãos, projeta-se um crescimento de 2% da produção, beirando as 200 milhões de toneladas, com um aumento de apenas 6% da área de plantio. Acreditamos que o País está iniciando o caminho para as 300 milhões de toneladas ao longo dos próximos 10 ou 12 anos”, estima.

Carioba defende a importância do governo em sinalizar o quanto antes as regras e as condições para que o produtor e cliente fundamentem as compras dos próximos anos: “Nossa perspectiva para 2015 é de que o mercado vai se fortalecer de novo a partir da continuidade dos programas de fomento, como o Finame PSI. Nossa missão, como fabricante, é convencer o cliente que, apesar do aumento da taxa, de 2,5% no primeiro ano do programa, para 4,5% ou 6% em vigor, a taxa é negativa, apesar de não parecer atrativa”.

AMPLIANDO CAMPO DE OPERAÇÃO

O crescimento esperado para o setor de máquinas e equipamentos agrícolas no Brasil está cada vez mais fora do segmento de tratores, que sustentou por muito tempo o desenvolvimento do mercado interno nos últimos anos. A empresa aproveita a ocasião para anunciar que pretende nacionalizar tratores de alta potência, de 320 hp e 370 hp, produtos já bastante difundidos em mercados como Estados Unidos e os da Europa. “Hoje, este segmento ainda é modesto no Brasil, mas há uma clara tendência de expansão, porque traz maior produtividade com máquinas mais potentes”, avalia. Ainda não há definição de quando esses produtos serão incluídos nas linhas nacionais.

O executivo adiantou sobre o desenvolvimento, ainda embrionário, de uma nova família de colheitadeiras cujo lançamento mundial está previsto entre 2017 e 2019: “Nossa meta no médio prazo é alcançar, com essa linha, uma participação de 25% do mercado de colheitadeiras no Brasil”, projeta Carioba.

Por outro lado, a AGCO também investe em segmentos complementares ao agronegócio: em novembro próximo realizará a inauguração da segunda fábrica da GSI, especializada em equipamentos de armazenagem de grãos e produção de proteína animal, localizada em Passo Fundo (RS) e que demandou R$ 18 milhões. A empresa foi adquirida pela AGCO há 2 anos.

“O Brasil apresenta uma grande escassez na infraestrutura de armazenagem para grãos. As colheitas recordes de 2013 e 2014, e o aumento contínuo da produção de grãos, mostraram que o desenvolvimento da infraestrutura necessária para armazenagem de grãos tornou-se fundamental e o negócio de armazenagem de grãos da AGCO, por meio da GSI, ajudará a atender essa demanda no futuro.”

Outros R$ 3 milhões foram aplicados no terceiro centro de distribuição de peças da companhia no País, inaugurada em junho em Ernestina (RS), que atenderá a Região Sul e países vizinhos como Argentina, Uruguai e Paraguai. No ano passado, a empresa já havia investido também R$ 3 milhões em um centro de distribuição de peças em Anápolis (GO), para atender as regiões Norte e Centro-Oeste do País.

Com presença cada vez maior entre os equipamentos agrícolas é a agricultura de precisão: sistemas tecnológicos para diagnósticos de área que ajudam a organizar colheita e plantio, como minimizar o tempo de máquina parada, entre outras soluções, por meio da conectividade sem fio. Para atender essa nova demanda no Brasil, a AGCO dobrou investimento para seu sistema Fuse Technologies e triplicou a equipe especializada para treinamento da rede.



Tags: AGCO, máquinas agrícolas, Massey Ferguson, Valtra, safra, agronegócio.

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