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Indústria | 07/08/2014 | 19h45

Chery e Fiat contam experiências de Inovar-Auto na prática

Nova legislação muda rumo e cultura da indústria nacional

SUELI REIS, AB

Aliviado por finalmente anunciar a inauguração da fábrica da Chery no Brasil, marcada para o dia 28 deste mês, Luis Curi, presidente da marca chinesa no País, aproveita sua participação no Simea 2014, simpósio da engenharia automotiva realizado pela AEA, para reforçar a continuidade dos planos da montadora, que apoiados pelo Inovar-Auto, não param na fabricação local de veículos. Durante o segundo e último dia do evento, Curi lembrou da trajetória da empresa, que iniciou suas atividades por aqui em 2009, com a importação de veículos, e que agora, com a fábrica pronta, dedica-se a novos capítulos, como a retomada do plano de implantação do centro de pesquisa e desenvolvimento, que assim como a unidade de veículos em Jacareí (SP), será o primeiro fora da China.

“A princípio, quando nos habilitamos no fim de 2012, a ideia era ter o centro de P&D, o que foi postergado pela matriz, para dar prioridade aos investimentos da fábrica de motores e transmissão. Com essa primeira etapa definida – a fábrica de veículos está aí e a de motores já anunciamos que também será erguida em Jacareí - temos condições de partir para o segundo passo: de também ter aqui no Brasil um centro de pesquisa e desenvolvimento, com o objetivo de ter um veículo Chery pensado para o consumidor brasileiro. Já conversamos com alguns polos tecnológicos e o projeto está em curso. Talvez, tenhamos algo definido para 2015 ou 2016”, disse Curi durante o painel O Programa Inovar-Auto na prática.

O executivo afirma que o futuro laboratório, ainda sem local definido, será a oportunidade de implantar todas as melhorias essenciais para que o veículo da marca seja adequado à realidade das exigências do mercado brasileiro:

“Sabemos do estigma que ainda traz um carro de origem chinesa: vamos quebrar este paradigma. Na China, 80% dos engenheiros são dedicados aos modelos para o mercado chinês, embora exporte para cerca de 80 países no mundo, o que impede de desenvolver melhorias voltadas apenas para o carro brasileiro. No Brasil, nossa equipe de engenharia está crescendo e o Inovar-Auto dá esse suporte, esse incentivo e certifica que vale a pena investir em um centro de P&D aqui”, justifica.

Segundo Curi, a Chery iniciará a produção brasileira com 50% de índice de nacionalização e que a unidade contará com mais de 95% de funcionários de nacionalidade brasileira. Ele conta que há um ano, iniciou com apoio do Sindipeças a inscrição de fornecedores brasileiros, sendo 80 homologados, embora isso não signifique que todos eles serão fornecedores. “As empresas chinesas ganharam prioridade porque já estavam cadastradas para isso. Atualmente, contamos com algo como 10 fornecedores e nossa meta é atingir os 80% de nacionalização, até porque já iniciamos o processo de desenvolvimentos dos fornecedores do segundo projeto da fábrica de Jacareí, o S15, também conhecido como o novo QQ.”

OPORTUNIDADES

O Inovar-Auto proporciona um novo horizonte para a indústria brasileira de veículos. A exemplo da Chery, que por causa da nova legislação mudou grande parte de seus planos originais com sua vinda para o Brasil, a Fiat, consolidada no País há quase 40 anos, também iniciou um intenso trabalho de estudo e processo de implantação de medidas que visam o cumprimento das normas existentes na nova lei, conforme relata Gilmar Laignier, gerente de desenvolvimento de negócios da Fiat no Brasil que participou do mesmo painel. Ele também é responsável pelo departamento criado pela montadora para tratar exclusivamente de Inovar-Auto.

“Acredito que não só dentro da Fiat, mas para toda a empresa que se habilita, o Inovar-Auto dá a oportunidade de repensar processos; amplia as avaliações e estimula as pessoas a criar e produzir de forma mais intelectual, convidando a usar a criatividade, oferecer novas soluções e a sair de esquemas que se tornaram mecânicos. O Inovar-Auto trouxe uma mudança de cultura”, testemunha Laignier, também membro do grupo representante da Anfavea nas tratativas junto ao MDIC.

Para o executivo, o alcance da nova política industrial para a empresa depende da escolha de cada companhia, a partir do tipo de sua habilitação. Entretanto, para todos, oferece a chance de se tornar mais produtivo no que diz respeito a necessidade de transformação das estratégias visando a competitividade.

Os resultados desta experiência são confirmados por Christimara Garcia, diretora da consultoria Inventta, que ajuda montadoras e empresas da cadeia de fornecimento quanto ao entendimento da legislação. “Em pouco mais de um ano, percebemos o quanto as empresas já evoluíram, criando mecanismos próprios e organizados, o que é necessário para todas que se habilitaram. Um exemplo é a criação de um controle com indicadores de performance da empresa ao longo de sua habilitação: o que tem feito efetivamente e como tem feito, um documento que é de interesse das matrizes, que estão muito interessadas nos resultados do Inovar-Auto, porque isso pode interferir futuramente na atração de investimentos”, comenta.

Ela enumera durante o painel as boas práticas das empresas com relação à sua gestão frente ao Inovar-Auto: “A integração da equipe interna, com o apoio de uma consultoria ou equipe externa, ajuda a ter o programa bem estruturado”.

Curi reafirma que o programa trouxe novas oportunidades para o País e que a Chery é um exemplo disso: “Quando houve a sobretaxação dos 30 pontos porcentuais de IPI em setembro de 2011, a Chery não sabia que rumo tomar no Brasil. Contudo, o Inovar-Auto veio para dar essa direção. O programa ajudou a diferenciar quem está comprometido com o mercado brasileiro, o que vai gerar uma confiança no consumidor: chegou, investiu e tem visão de longo prazo”.

Ele acrescenta que o cenário atual que prevê queda nas vendas é parte do processo, mas que a Chery decidiu vir para o Brasil a partir de seu potencial de mercado. “O Brasil mantém esse potencial, vamos chegar a 4 milhões, 5 milhões de unidades por ano. Se vai demorar 7, 8 anos, vai depender de medidas para fomentar esse mercado”, defende.

Os participantes do painel concordam que todo este processo relatado nas experiências apresentadas durante o Simea já servem de base para dar continuidade ao programa e pensar na fase 2 do Inovar-Auto. “Há muito a ser feito e sabemos que há pontos que podem ser aprimorados, como estimular os incentivos para que se tornem mais atrativos, com descontos acima dos estabelecidos, por exemplo, para investimentos em pesquisa e inovação”, sugere Laignier.

Por sua vez, Christimara defende a extensão dos incentivos fiscais para outros tipos de tributos, como PIS e Confins, que segundo ela, são extremamente pesados para a indústria: “O grande desafio hoje é alinhar discursos. Por um lado, a indústria, preocupada em aumentar os targets dos incentivos, enquanto de outro, o governo, preocupado em não perder fontes de arrecadação”.

Por fim, Curi alerta que para entrantes, é necessário um tempo maior de adaptação e adequação ao programa proposto. “O que mais assustou os executivos da matriz da Chery foram os quesitos com eficiência energética: não pelo índice em si que deve ser cumprido, mas pelo tamanho da punição, considerando o pouco tempo que há para cumpri-lo”.



Tags: Simea, AEA, Inovar-Auto, Chery, Fiat, engenharia.

Comentários

  • Vanderlei Nicola

    Ótima matéria ,reporta uma visão mais aberta e pratica do objetivo INOVAR -AUTO , e uma das maneiras de se fomentar o setor Automotivo , chama -se setor produtivo de AUTO PEÇAS , grande abraço Vanderlei

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