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Mercado | 04/08/2014 | 16h56

MDA evita queda maior nas vendas de máquinas

Case espera mais compras do governo para manter ritmo dos negócios

SUELI REIS, AB

As compras governamentais iniciadas em 2012 pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) têm sido um alento para o setor de máquinas de construção no País este ano. O programa do governo criado nos âmbitos do PAC 2 e que doa equipamentos a municípios pré-designados, com até 50 mil habitantes, tem alavancado a produção dos segmentos de pás-carregadeiras, motoniveladoras e retroescavadeiras. Contudo, as entregas encerraram no fim do primeiro semestre, para a preocupação dos fabricantes do setor, como a Case Construction, que não vê nos próximos meses qualquer indicativo de retomada significativa para o mercado interno.

“Já sabíamos que este seria um ano conturbado, com a chegada da Copa do Mundo, que pôs fim ao período preparatório de algumas obras de infraestrutura, além do fato de este ser um ano eleitoral, quando há pouquíssimas licitações. A privatização de rodovias, que ocorreu no fim do ano passado, era uma aposta, mas as obras estão demorando mais do que o esperado para acontecer, a maioria por causa de problemas no projeto e licenças ambientais”, conta Roque Reis, diretor geral da Case Construction Equipment para a América Latina.

Setores como infraestrutura, mineração e agronegócio – sendo que estes dois últimos demandam apenas algumas máquinas de movimentação – não serão suficientes para manter um ritmo elevado das vendas. Segundo o executivo, as entregas totais do mercado brasileiro para este ano são estimadas em 26 mil máquinas, quase 5 mil a menos do que o volume entregue em 2013. Do total previsto, 6 mil unidades serão fruto das compras do MDA. Reis afirma que historicamente o mercado não é ruim, mas admite que há pelo menos cinco anos a demanda era melhor.

“Observamos também que com a chegada de novos entrantes, acirrou-se ainda mais a concorrência entre as marcas e, neste caso, alguém sempre vai perder share. Para se ter uma ideia, em 2003 tínhamos até 10 concorrentes no mercado; hoje, dependendo do segmento, são 30 marcas se digladiando. É um cenário bastante duro, porque há uma crise de expectativas, os pátios estão cheios e todo mundo está sentindo na pele a redução de margem”, revela.

Os dados da empresa indicam que sua participação no mercado total de máquinas de construção caiu a partir de 2007 no Brasil, oscilando entre 20% e 23%. “Hoje, estamos em 20%, o que nos deixa entre as líderes do mercado. Se subtrairmos as vendas para o MDA, nossa participação fecha em 18%.”

ENTRAVES

Há dúvidas sobre a continuidade do programa de compras do governo. Ultimamente, o MDA se manifesta com compras a cada dois anos, mas ocorrências urgentes, como a seca, entre outros fatores, podem fazer com que haja mais demanda ainda este ano por parte do Ministério. “Mas este é um cenário muito hipotético. Nos resta esperar como será o comportamento e as decisões do governo, que virão só após o desenrolar das eleições de outubro”.

Além das compras do governo, ferramentas como a prorrogação do Finame PSI a uma taxa de 6% ao ano deu mais algum fôlego ao setor, mas Reis aponta que a burocracia atrapalha a agilidade das vendas: “Desde que lançado, em 2011, o PSI alavancou os negócios com uma taxa extremamente atrativa (2,5%), gerando naquele ano demanda adicional. O governo já aponta para uma continuidade em 2015, mas com a taxa atual, o PSI não é tão atrativo como antes e ainda há o problema do BNDES, que demora uma média de 80 dias para liberar o recurso”.

Outra dificuldade apontada é a queda da taxa de aprovação, que no setor passou de 75% há quatro anos para 60% neste ano. Para superar os entraves, a empresa apostou parte de seus esforços para tentar ganhar mercado por outros caminhos, como o consórcio, ainda pouco utilizado para adquirir bens de capital.

“Com o aumento das operações por financiamento, que veio muito forte a partir de 2000, o consórcio ficou esquecido, voltando só em 2007, 2008. Por ser uma ferramenta de planejamento e como o preço do equipamento quase não muda, o que se paga de adicional, além do valor do bem, é uma taxa de 15%, que pode ser diluída um plano de 60 meses. Em 2013, chegamos a 160 cotas, este ano já batemos este volume e até o fim do ano ele vai dobrar.”

Apesar do cenário incerto, Reis analisa que o Brasil vem crescendo em ciclos: “Há 10 anos, registrava-se o equivalente a 4,5 mil máquinas vendidas em todo o mercado interno, volume que a Case vendeu no ano passado. Mesmo que seja menor que o total do ano passado, 26 mil máquinas neste ano representa uma evolução do setor, cinco vezes maior do que éramos há uma década”.



Tags: Case Construction, máquinas de construção, Ministério Agrário, MDA, PAC 2, Roque Reis.

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