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Bosch premia fornecedores e pede investimento

Autopeças | 14/03/2014 | 18h40

Bosch premia fornecedores e pede investimento

Principal gargalo apontado é restrição de investir para nacionalizar mais

PEDRO KUTNEY, AB

A Robert Bosch inaugurou esta semana no Brasil e na América Latina o mesmo sistema de premiação de fornecedores usado globalmente pela matriz na Alemanha – agora o reconhecimento latino-americano (com exceção do México) utiliza as mesmas métricas globais e passa a acontecer as cada dois anos, de forma intercalada com o evento mundial do grupo. Na quinta-feira, 13, a empresa entregou o prêmio Magneto de Ouro a oito fabricantes de autopeças e prestadores de serviços que durante 2013 apresentaram os melhores desempenhos em qualidade, competitividade, gestão social e ambiental, logística, redução de custos, gestão de projetos, pontualidade e inovação e desenvolvimento tecnológico. Durante o encontro anual com seus fornecedores, a Bosch reforçou aos parceiros necessidade de maior investimento em modernização e produtividade, fatores chave para aumentar o grau de nacionalização de produtos.

“Nos últimos anos conseguimos equilibrar bem a qualidade dos fornecedores tier 2 (segundo nível na cadeia de fornecimento). Esse não tem sido o problema. O maior gargalo no momento são as restrições que os nossos fornecedores encontram para investir mais para aumentar produtividade e localizar componentes”, explica Paulo Rocca, diretor de compras, qualidade e desenvolvimento de fornecedores da Robert Bosch América Latina. Em entrevista a Automotive Business, o executivo disse que atualmente cerca de 30% das compras da unidade brasileira são de componentes importados. “Temos meta de localizar o máximo possível, em porcentual que varia de acordo com cada divisão da empresa”, afirma, citando áreas que naturalmente encontram maior dificuldade de nacionalização, como de componentes eletrônicos, que não têm produção competitiva no Brasil e acabam sendo comprados em negociações da Bosch com fornecedores globais.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em 2013 a Bosch foi a empresa de autopeças instalada no Brasil que mais fez compras no exterior, somando importações de US$ 543,7 milhões, cifra 7% maior do que a registrada em 2012. Globalmente, no ano passado a Bosch comprou quase € 23 bilhões de seus no mundo todo. Com cerca de 300 fornecedores de materiais produtivos diretos no Brasil, a empresa não revela o valor regional de compras, mas é possível estimar em R$ 4 bilhões.

Segundo Rocca, há 10 anos a Bosch mantém um programa de desenvolvimento de fornecedores no Brasil. Em anos recentes, a empresa começou a aprimorar esse relacionamento com iniciativas específicas. Uma delas é o Projeto Aliança, no qual os melhores fornecedores são atendidos em suas demandas em troca da promessa de “esforços maiores” em aumento produtividade. “A ideia é: combinou, está combinado”, resume o diretor. “Temos de criar outro modelo de relacionamento. Não ficamos mais discutindo (reajustes) só para ganhar tempo. Temos motivado nossa base de fornecedores para buscar a competitividade e reduzir custo para trazer valor ao negócio”, acrescenta.

Outra iniciativa nesse sentido é o Projeto Diamante, “para tirar as melhorias da gaveta”, conforme define Rocca. Uma vez por semana na sede da empresa em Campinas (SP), na sala Diamante (daí o nome do projeto, aliado ao conceito de “lapidar”), um fornecedor é recebido para apresentar ideias de melhorias em produtividade e custos. Onze fornecedores já apresentaram 700 ideias, das quais 50 serão implementadas e cinco já estão agregadas à operação. “Colocamos nossa engenharia em contato com os fornecedores para pensar no que poder ser feito para aprimorar processos e produtos”, conta Rocca.

INOVAR-AUTO

Por enquanto, a política industrial do governo para o setor automotivo, o Inovar-Auto”, “abriu perspectivas de fornecimentos de novos produtos e tecnologias, mas por enquanto não fez nada mudar no dia a dia do departamento de compras”, diz o executivo. Para ele, isso deverá acontecer um pouco mais adiante, com o início da venda às montadoras de sistemas para atender exigências de inclusão tecnológica e melhoria de eficiência energética do Inovar-Auto.

Sobre o rastreamento de autopeças, que começa a vigorar este ano para monitorar o exato grau de nacionalização dos componentes fornecidos às montadoras, Rocca revela que a operação ainda é incipiente, e que ainda está estudando com outros departamentos da empresa como deverá feito todo o processo, que deve incluir informações a partir do segundo nível (tier 2) da cadeia de suprimentos.

PREMIAÇÃO

Em 2013, a Bosch já havia feito sua primeira premiação de fornecedores no Brasil, com o reconhecimento de cinco empresas. “Foi uma primeira experiência. Agora oficializamos o prêmio e vamos passar a fazer o reconhecimento a cada dois anos, de forma intercalada com o prêmio mundial de fornecedores feito também a cada dois anos pela matriz na Alemanha”, esclarece Rocca.

Este ano o “tema” escolhido para o Prêmio Magneto de Ouro foi “60 anos de história com as melhores parcerias”, em alusão à comemoração do 60º aniversário de atuação da Bosch no Brasil. A premiação foi feita durante o encontro anual da empresa com seus principais fornecedores, quando são apresentadas informações sobre os cenários econômicos e mercadológicos, melhoria de processos, além das diretrizes do departamento de compras, qualidade e logística da empresa. “Com este encontro queremos promover discussões e fomentar novas ideias, que possam trazer benefícios para ambos os lados”, diz Rocca

Foram premiadas oito fornecedores em cinco categorias: material produtivo, serviços, bens de capital e itens de manutenção, consumíveis e embalagens, além do destaque do ano, que reconhece o fornecedor por iniciativas diferenciadas, por meio de propostas de melhorias técnicas, otimização logística e rapidez em atender uma solicitação especial, entre outros. Nesta categoria, a Bosch escolheu a metalúrgica Zen como a que mais se destacou em 2013.

Veja abaixo os ganhadores do Prêmio Magneto de Ouro:

- Destaque
Zen S.A Indústria e Metalúrgica (subconjuntos)

- Material Produtivo:
Tila Indústria de Artefatos de Borracha Ltda. (peças de borracha)
Arim Componentes S.A. (peças injetadas de alumínio)
Tessin Indústria e Comércio Ltda. (peças estampadas)
PPE Fios Esmaltados S.A. (fios de cobre esmaltados)

- Serviços:
Empresa de Transporte Covre Ltda.

- Bens de Capital:
Equitron Automoção Eletrônico Mecânica Ltda.

- Itens para Manutenção de Máquinas, Consumíveis e Embalagens:
Slotter Indústria de Embalagem Ltda.

Prêmio
Cerimômia de entrega do Prêmio Bosch Magneto de Ouro 2013-2014 (da esq. à dir.): Paulo Rocca – diretor de compras, qualidade e desenvolvimento de fornecedores da Robert Bosch América Latina; Walter Previtalli – Slotter Indústria de Embalagem Ltda.; Celso Luiz Cipelli – PPE Fios Esmaltados; Hermes Morete – Arim Componetes S.A.; José Guilherme Sabe – Equitron Automação Eletrônico Mecânica Ltda.; Marcos Rui – Tila Indústria de Artefatos de Borracha Ltda.; Karl Nowak – presidente mundial de compras e logística da Bosch; Yasuko Yamaguchi Nishikuni – Tessin Indústria e Comércio Ltda.; Antonio Covre – Empresa de Transporte Covre; Wolfram Anders – vice-presidente da Bosch América Latina; Gilberto Heinzelmann – Zen S.A. Indústria e Metalúrgica; Besaliel Botelho – presidente da Robert Bosch América Latina.



Tags: Bosch, fornecedores, prêmio, Magneto de Ouro, indústria, autopeças, investimento.

Comentários

  • Cristina Sampaio

    Programas e iniciativas como as adotadas pela Bosch sao as que propiciam um melhoria continua, reducao dos custos e tornam mais forte uma alianca. Parceiros motivados em um busca de uma solucao que traga melhoria e beneficios a todos. Eh um ganha ganha com todas as caracteristivas de sucesso. Parabens

  • Márcio Barros

    Bom dia, Parabéns aos contemplados na premiação. Quanto a investimentos sem dúvida é uma barreira, principalmente nas empresas tier 2. Existe uma incógnita que tem que ser solucionada: "preciso do contrato para investir" e na visão de alguns clientes "para ganhar o contrato tem que haver primeiro o investimento." Estamos numa decadência esmagados dia a dia pela carga tributária e baixo retorno nos preços praticados. As comodities estão cada vez mais altas e em alguns casos NÃO temos a mesma recíproca no repasse dos aumentos. Como investir se nesse momento capital de giro é termo inexistente em algumas empresas de nível 2. Antecipação de recebíveis, troca de títulos, atrasos no recebimento e outros são apenas alguns péssimos exemplos da nossa rotina. Acho que para a finalidade de nacionalização de algum produto os políticos deveriam nos dar mais atenção com linhas de créditos para ambas partes, viabilizando esse negócio. Sds, Márcio Barros - Betim, MG

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