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Randon mantém cautela sobre desempenho de 2014
Mesa diretora da Randon divulga resultados de 2013 (esquerda): Alexandre Gazzi, Geraldo Santa Catharina, David Randon, Norberto Fabris e Hemerson de Souza

Balanço | 13/03/2014 | 18h47

Randon mantém cautela sobre desempenho de 2014

Bons números de 2013 não geram muito otimismo para 2014

SUELI REIS, AB

Impulsionado pela safra recorde de grãos que elevou a venda de caminhões e veículos rebocados em 2013, as Empresas Randon voltaram a registrar resultados melhores em seu balanço financeiro: a companhia com sede em Caxias do Sul (RS) encerrou 2013 com receita líquida consolidada em R$ 4,3 milhões, aumento de 21,5% sobre o no anterior. O lucro líquido apresentou o crescimento mais robusto do relatório, passando de R$ 42,5 milhões em 2012 para pouco mais de R$ 235 milhões no ano passado.

“Foi um lucro de recuperação o que tivemos no ano passado. Não foi extraordinário, mas foi um crescimento expressivo pela base fraca. Com este 24%, voltamos à normalidade dos negócios”, ressaltou o diretor financeiro e de relação com investidores, Geraldo Santa Catharina, durante a divulgação do balanço financeiro na quinta-feira, 13, em São Paulo. O executivo destacou que o lucro líquido representou 24% da receita líquida de 2013. Historicamente, a Randon manteve margem de lucro entre 24% e 29% do faturamento, exceto em 2012, quando os ganhos caíram consideravelmente com a baixa receita, resultando em 20%.

O segmento de veículos e implementos – core business da empresa – respondeu por 52,8% da receita líquida, dos quais veículos rebocados tiveram fatia de 86,9%, enquanto veículos especiais (para mineração) e vagões ferroviários alcançaram 9,7% e 3,4%, respectivamente. Com 20.177 unidades, a empresa fechou 2013 com 28,8% de participação no mercado doméstico de implementos rodoviários. O segmento de autopeças representou 45,4% das vendas líquidas, com R$ 1,9 bilhão, enquanto serviços, que incluem consórcio e banco Randon, fecharam com participação de 1,8%

“Nos últimos quatro anos, nossa participação de mercado ficou entre 30% e 31%; em produção, foram de 36% a 37%, e em exportações somos a empresa que mais exporta implementos brasileiros, com share de 75% a 80%”, completou o diretor da divisão de implementos, Norberto Fabris.

Apesar de ser a maior exportadora de implementos do Brasil, a receita gerada pelas exportações da Randon fechou 2013 com queda de 8,6% contra o ano anterior, para R$ 242 milhões. O relatório aponta para retração em todos os mercados em que a empresa atua, com destaque para redução de 32% no Mercosul e de 28% na Nafta. Essas regiões representam juntas 66% da receita externa.

Segundo o presidente das Empresas Randon, David Randon, vários fatores influenciaram o desempenho nesses mercados: “Nos últimos anos, o mercado de autopeças nos Estados Unidos, onde temos uma fábrica da Fras-le, tem caído consideravelmente. Agora que está começando um cenário de recuperação. Com a elevação da demanda do mercado brasileiro, mantivemos nossa atenção e maior parte da produção para os clientes locais. Precisamos considerar também a falta de competitividade do Brasil: a conjuntura não permite que o sejamos. Temos o aço mais caro do mundo, juros que estão voltando ao patamar mais elevado do mundo, custo alto com mão de obra, logística, matéria-prima e commodities, além da flutuação cambial e a desvalorização do real sobre o dólar: é o conjunto da obra que nos atrapalha”, relatou.

O executivo que está à frente da companhia acrescenta que a produtividade mais baixa no Brasil também é reflexo dos fatores citados acima. Contudo, a empresa tem estudado caminhos para aumentar suas atividades de exportação, como a própria América do Sul, onde a briga com concorrentes na sua maioria, norte-americanos, estão focados mais em seu próprio mercado, e na África, onde há forte concorrência com chineses.

Com relação à Argentina, onde a Randon mantém uma fábrica de implementos e um centro de distribuição, devido ao acordo de balança comercial local, a empresa manterá sua estratégia de exportar a partir da produção argentina para países como Chile, Colômbia, Uruguai Paraguai e eventualmente para o Brasil. A Argentina é o segundo maior mercado de carretas da América do Sul, com algo como 900 mil unidades por ano.

PROJEÇÕES 2014

Quando o assunto é o que esperar de 2014, o presidente das Empresas Randon mantém cautela ao projetar o desempenho para o período: “Quando começamos a analisar o mercado, em outubro do ano passado, para desenhar as expectativas deste ano, tínhamos uma visão não muito otimista. Apesar do saldo positivo e saudável, devemos lembrar que tivemos uma base enfraquecida em 2012, mas estamos esperando resultados próximos do que foi 2013, que não foi um patamar baixo; deveremos ter um mercado semelhante, com o grande desafio de buscar novas oportunidades”.

Ele defende a manutenção de políticas econômicas, como a crescente oferta de crédito para incrementar os negócios do mercado de implementos, sensivelmente dependente de linhas como o Finame PSI, que oferecerá taxa anual de 6% para contratos realizados até dezembro.

As projeções para 2014 são conservadoras: a empresa espera faturamento líquido de R$ 4,4 bilhões, o que se for confirmado, representará um leve crescimento de 2,3% sobre o ano passado. As exportações são projetadas em US$ 260 milhões aumento de 7,6% e US$ 90 milhões de receita gerada no exterior, contra os US$ 92 milhões faturados este ano. Já as importações devem cair 8,3%, para US$ 110 milhões e os investimentos devem somar R$ 150 milhões. Neste ano, a Randon investiu um total de R$ 580 milhões, incluindo os R$ 296 milhões pagos pela aquisição das cotas minoritárias da Suspensys.



Tags: Randon, implementos rodoviários, balanço, receita, lucro, David Randon, Geraldo Santa Catarina, Norberto Fabris.

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