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Mercado | 11/03/2014 | 19h55

Setor de máquinas tem retração de 19,1% nas vendas

Pequenos agricultores enfrentam dificuldade para ter acesso ao crédito

CAMILA FRANCO E PAULO BRAGA, AB

A Anfavea, associação dos fabricantes de veículos, aguardará o desempenho do mercado no mês de março para delinear com alguma segurança as tendências para o setor de máquinas em 2014, incluindo tratores, colheitadeiras e outros implementos.

-Veja aqui a Carta da Anfavea

O balanço do primeiro bimestre, apresentado pela associação na terça-feira, 11, indica retração nas vendas. Foram comercializadas 9,3 mil delas em janeiro e fevereiro, em queda de 19,1% sobre mesmo intervalo de 2013. Desse total, 5,6 mil foram vendidas em fevereiro, 48,9% a mais do que o anotado em janeiro e 9,6% a menos do que o registrado em fevereiro do ano passado.

Milton Rego, vice-presidente da Anfavea, lembra que 2013 é um período atípico para comparações. “Foi um ano recorde. 2014 poderá ter números menos expressivos, mas isso não significa que será ruim. Acreditamos que será um ano de relativa estabilidade para máquinas. Temos que considerar que tem sido um período de muita volatilidade, com algumas regiões sendo impactadas pela seca e outras por excesso de chuva. Todos estes fatores geram uma pressão para os agricultores, que acabam adiando um pouco a decisão de investir em uma nova máquina.”

O executivo explicou que o setor tem sido beneficiado com a nova taxa do PSI/Finame, do financiamento do BNDES, estacionada agora em 4,5% para as compras de micros, pequenos e médios agricultores, responsáveis por 80% das compras setoriais, e no patamar de 6% para as grandes empresas do setor agrícola, mas que pequenos produtores ainda enfrentam dificuldades para aquisição do bem de capital.

“As taxas do financiamento são altamente atrativas, com um diferencial bastante interessante em relação à taxa Selic, mas ainda não são suficientes para destravar os negócios direcionados ao pequeno agricultor. Nesse caso, o acesso ao crédito passa a ser a maior limitação, já que é preciso dar garantias na hora de tomar o empréstimo para aquisição dos equipamentos. O pequeno agricultor, que pena para vencer esse desafio, é quem tem os tratores e máquinas mais antigos”, salientou.

PRODUÇÃO E EXPORTAÇÃO

Com a demora na regulamentação do PSI/Finame no início do ano, o que veio ocorrer apenas em 27 de janeiro, a produção de máquinas apresentou retração de 6% no bimestre, para pouco mais de 13 mil unidades. Em fevereiro, 7,8 mil delas saíram das fábricas, volume 51,2% maior do que o observado em janeiro e que representa uma leve alta de 1,4% na comparação anual.

As exportações fecharam o bimestre em queda de 11,4%, para 1,5 mil unidades, prejudicadas pelas limitações impostas pelo nosso principal cliente, a Argentina. Somente em fevereiro, foram embarcadas pouco mais de mil delas, em avanço significativo de 86,7% sobre janeiro e de 5,5% sobre fevereiro do ano passado.

Assista à entrevista exclusiva com Luiz Moan, presidente da Anfavea:

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Tags: Anfavea, máquina agrícola, construção, Milton Rego, Luiz Moan, PSI.

Comentários

  • Attilio Benetti

    O problema de acesso ao credito pelos pequenos produtores sempre foi um problema até agora intransponível, pelo motivo dos bancos exigirem mitigação de risco através de aporte de garantias reais adicionais à própria maquina financiada. Isto cada vez mais é um problema pois os financiamentos alongado para cerca de 10 anos com a garantia da propria maquina é dificultada pois quando chega na metade a maquina está depreciada e a operação está sem garantias. Pode se resolver isto com a institucionalização de um Fundo Garantidor para os pequenos, talvez cobrando mais 1% nos juros mas dando condições do pequeno ter acesso ao credito e os banco mitigarem seu risco de credito!

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