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Consórcios adotam cautela com projeções

Balanço | 26/02/2014 | 18h59

Consórcios adotam cautela com projeções

Dificuldades no mercado de veículos geram incertezas sobre crescimento

SUELI REIS, AB

A partir de uma avaliação cautelosa sobre o cenário econômico brasileiro para 2014, a Abac, associação que reúne as empresas administradoras de consórcio no País, espera ter mais um ano estável de negócios, a exemplo do que ocorreu em 2013, quando o setor anotou a venda de 2,5 milhões de novas cotas – o mesmo volume do ano anterior. O presidente da entidade, Paulo Rossi, justifica a postura conservadora:

“Quando, no início de 2013, projetávamos uma evolução entre 5% e 7% nas vendas, entendíamos que haveria continuidade e ampliação das atividades econômicas com consequente crescimento do mecanismo. Contudo, a inflação recorrente implicou na redução do poder de compra do consumidor. Este início de ano também está sendo marcado por uma instabilidade econômica, o que não nos permite fixar um índice de crescimento no mercado de consórcio. Apesar disso, apostamos na manutenção do volume de novas cotas, de 2,5 milhões de unidades, e da carteira de consorciados ativos, que no ano passado atingiu o recorde de 5,7 milhões de participantes”, afirmou Rossi durante a sua apresentação do balanço anual da Abac, na quarta-feira, 26, em São Paulo.

A estabilidade registrada em 2013 – e projetada para 2014 - tem origem no setor de veículos, responsável por mais de 90% das vendas de novas cotas no ano passado, com 2,29 milhões de unidades, incluindo todos os segmentos (automóveis, motocicletas, comerciais leves, caminhões, ônibus e máquinas agrícolas) contra as 2,28 milhões de unidades do ano anterior, leve retração de 0,4%. Já em volume de crédito, as vendas para veículos totalizaram R$ 61,2 bilhões em 2013, aumento de 2,3% sobre 2012, enquanto todo o setor de consórcio registrou R$ 82,3 bilhões, alta de 2,7% na mesma base de comparação.

Por segmento, o de motocicletas continua liderando as vendas, com 1,3 milhão de novas cotas em 2013, volume 3,7% abaixo do total vendido no ano anterior. O tíquete médio para o setor de duas rodas baixou 2,7%, para R$ 10,7 mil. Da mesma forma, o volume de crédito teve retração de 5,4%, para R$ 14,1 bilhões. Apesar da retração nas vendas, o total de participantes aumentou 1,7%, para 2,42 milhões de consorciados, a maior presença dentro do sistema de consórcio, representando 42,4% do total.

“O consórcio é um alívio para o setor de motocicletas. Diferente das linhas para financiamento, que restringiram o crédito depois dos altos índices de inadimplência, o sistema de consórcio permite um tíquete de crédito maior com custo baixo e sem a incidência de juros, que é o grande diferencial. 50% das vendas do setor são realizadas via consórcio”, pondera Rossi.

Em veículos leves, as vendas de cotas cresceram 5,7% entre 2012 e 2013, para 931,5 mil unidades, resultando em um volume de crédito de R$ 39 bilhões, aumento de 5,4% no mesmo comparativo. Já o tíquete médio subiu 1,2%, para R$ 42,4 mil.

No segmento de pesados, que inclui caminhões, ônibus, semirreboques, tratores e implementos rodoviários, o número de participantes cresceu 10%, enquanto a venda de cotas ficou estável, com 54 mil unidades. O volume de crédito para o setor cresceu 2,5%, passando de R$ 7,9 bilhões em 2012 para R$ 8,1 bilhões em 2013. Mesmo com o tíquete médio 7% mais caro em 2013, de R$ 152,8 mil, os consorciados deste grupo optaram por bens de maior valor.

“O consórcio para pesados serve mais para a programação de renovação da frota. Como há tempo para se programar, os compradores partem para um veículo mais bem equipado e moderno, o que gera menor tempo de manutenção e melhora na operação.”

PERSPECTIVAS CAUTELOSAS

A Abac prefere manter cautela sobre projetar índices de vendas para este ano. Isso porque, segundo seu presidente, há indícios de diminuição dos licenciamentos de veículos, reflexo de fatores como Copa do Mundo, além da instabilidade econômico a partir da falta de controle sobre a inflação. Por outro lado, estimativas positivas sobre a manutenção das taxas de emprego mantém certo otimismo para os resultados vindouros:

“A segurança no emprego e a renda em alta têm sido ao longo dos anos a motivação do consumidor para assumir compromissos de médio e longo prazo como os consórcios. O planejamento baseado na educação financeira gera um consumo responsável, o que torna possível a aquisição do veículo novo, do imóvel ou a troca de eletroeletrônicos torna-se cada vez mais possível.”

Mesmo sem arriscar números, ele aponta alguns fatores que vão continuar influenciando os diferentes mercados: para motocicletas, cuja participação vem crescendo no sistema de consórcio, a redução das linhas de crédito para financiamentos deve fazer migrar uma boa parcela de possíveis compradores para o consórcio. “Além dos trabalhadores de motofrete, aumentou significativamente o interesse de outros profissionais e cidadãos comuns pela moto, por se tornar um meio econômico e eficiente para a mobilidade, como opção à deficiência do transporte público. Isso continuará se acentuando nas grandes metrópoles, bem como nas regiões Norte e Nordeste”.

Para veículos pesados, a boa expectativa para mais um ano de safra recorde de grãos gera expansão da frota de máquinas (tratores) e caminhões para escoamento. A renovação de frota urbana e a expansão do comércio também deve alavancar o setor.

Já para leves, o baixo crescimento dos licenciamentos previsto pela Anfavea (1,1%) e a desaceleração estimada pela Fenabrave, impulsionada pelo acirrada concorrência entre marcas, possibilitarão o aumento do interesse e vendas de novas cotas, além do uso da carta de crédito em períodos de promoções das montadoras, aliados ao retorno gradativo do IPI e da crescente presença dos usados.

“Mantidas as metas do governo de combate à inflação e busca pela preservação dos empregos, os consórcios continuarão sendo procurados por consumidores que planejam o futuro, analisam e comparam as diferenças de custo e avaliam sua necessidade imediata do bem”, completou.



Tags: Abac, consórcio, Paulo Rossi, financiamento, vendas, veículos.

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