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Consultoria | 21/02/2014 | 15h12

Problemas de qualidade abrem espaço para gestão terceirizada

Inovar-Auto não reduziu custo de falhas estimado em R$ 5,6 bi por ano no Brasil

PAULO RICARDO BRAGA, AB

Pesquisa realizada pelo Sindipeças em 2013 apontou que 93,6% das empresas do setor representado pela entidade consideram alto o nível de preocupação com qualidade. Não é para menos. O mesmo levantamento mostrou que 86% dessas empresas medem o custo da não-qualidade, que representa cerca de R$ 5,6 bilhões por ano, o equivalente a 6,6% do faturamento setorial.

Letícia Costa, sócia-diretora da Prada Assessoria, costuma apresentar esses dados em suas palestras sobre as tendências na cadeia de suprimentos e observa que o Inovar-Auto em nada contribui para melhorar o status da produtividade e qualidade na cadeia de suprimentos. Concorda com ela Marcelo Paiva, diretor técnico da Formel D do Brasil, subsidiária da organização global do mesmo nome com sede na Alemanha e mais de 4,5 mil funcionários nos 22 países em que mantém escritórios. Com foco de negócios centrado na indústria automobilística, ele garante que o faturamento da sua empresa baseia-se em resolver problemas relacionados à não-qualidade, atuando na fronteira de relacionamento entre montadoras, sistemistas e tiers 1 e 2.

Para ele a oportunidade de vender serviços não decorre apenas dos sofríveis níveis de qualidade na cadeia de suprimentos no País. “As empresas nem sempre estão preparadas ou dispostas a atuar diretamente na gestão da qualidade no recebimento dos componentes, seja por falta de espaço ou pessoal especializado”, assegura. Ele explica que há uma forte tendência na terceirização dessa atividade, que passa a ser conduzida, como regra geral, na proximidade das fábricas.

“Quando uma montadora ou sistemista detecta problemas de qualidade em lotes de componentes, após a realização de uma auditoria, precisa levar adiante uma inspeção mais ampla, que pode indicar retrabalho, rejeição do material ou até alterações nos processos de produção”, esclarece. Como muitas vezes não há disposição na empresa para conduzir essa atividade, vem a contratação de terceiros especializados nessa tarefa. Essa situação ocorre em empresas como General Motors (sites de Gravataí, RS, e São Caetano do Sul, SP), Volkswagen, Continental, Denso e Schaeffler, junto às quais opera a Formel D, para verificação da qualidade na linha de montagem, testes em pátio, qualificação e auditoria de fornecedores e programas de melhoria contínua.

FORNECEDOR PAGA

Ao detectar uma situação crítica na esfera de suprimentos, a montadora ou sistemista convoca o fornecedor, que deve gerenciar a solução para os problemas encontrados. Um empresa como a Formel D é então chamada para atuar e negociar com o fornecedor a execução de um programa corretivo. “O programa é delineado de comum acordo entre as partes, mas os custos são absorvidos pelo fornecedor”, afirma Paiva. Ele explica que em geral os contratos se estendem por muitos meses, compreendendo auditoria, recomendações e implementação das ações corretivas.

A Formel D, que mobiliza cerca de 400 profissionais no País, incluindo engenheiros e técnicos, iniciou a atuação no Brasil oferecendo serviços para preparação de documentação técnica a empresas automotivas, como manuais de proprietário do veículo. Agora, aposta em um novo segmento: a submontagem. Paiva sabe que não pode atuar diretamente nas linhas de montagem das montadoras ou sistemistas, por haver conflitos na área sindical e trabalhista entre atividades de metalúrgicos e operadores logísticos. “Hoje não oferecemos serviços em etapas do processo final dos clientes, mas a legislação pode sofrer mudanças para contemplar nossa presença em linhas de produção”, observa.

Paiva entende que tanto a gestão terceirizada da qualidade quanto a subcontratação de submontagem representam uma tendência no setor automotivo. Em Sorocaba (SP), ele estrutura instalações para prestação desses serviços, de olho na expansão da indústria automobilística na região. A Formel D possui sede em São Bernardo do Campo (SP), e operações diretas em Gravataí e Curitiba, mas já tem planos para estruturar filiais em Minas Gerais e outros polos automotivos.



Tags: Formel D, qualidade, GM, Volkswagen, Continental, Denso, Schaeffler.

Comentários

  • camilo marcos garcia

    Identificar um efeito nao significa que resolvemos o problema e sim o inicio de uma investigaçao detalhada utilizando ferramentas de Qualidade, e nao tao somente apenas separar o rejeito mas buscar a praticabilidade dos sistemas de ratriabilidade e manter os processos sob contençao ate a a validaçao das açoes corretivas e preventivas.

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