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Autopeças | 12/12/2013 | 20h15

Adiamento de airbag e ABS vai contra investimentos de fornecedores

Aportes de Bosch, Continental e TRW já atenderiam 3,7 milhões de veículos leves

CAMILA FRANCO, AB

A Bosch teme que seus negócios sejam prejudicados caso a obrigatoriedade de airbags e ABS seja adiada para 2016 (leia aqui). A empresa investiu entre 2012 e 2013 R$ 22 milhões em uma nova linha de produção de ABS no Brasil, a fim de atender expressivo aumento da demanda pelo dispositivo, que seria obrigatório por lei em todos os veículos vendidos no País a partir de 2014.

Durante evento da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) na quinta-feira, 12, em São Paulo, Sidney Oliveira, vice-presidente da AEA e gerente de vendas de sistemas diesel da Bosch, comentou que, caso a notícia se confirme, a produção poderá sofrer reajustes: “A medida deverá afetar os nossos negócios e também de toda a cadeia produtiva”, apontou.

O executivo considera que os volumes de produção talvez não sejam alterados, apenas o mix de produtos. “Ainda é cedo para prever se teremos perdas, pois nada foi oficializado. Mas o fato é que estávamos esperando aumento da demanda de ABS e airbag desde 2009, tanto que fizemos investimento alto na nova linha.” Se for mantida a data da obrigatoriedade, a Bosch espera produzir e vender 1,5 milhão de ABS no Brasil em 2014. A sistemista também monta módulos de controle de sensores de airbags no País, mas não informa números de produção.

Voltar a fazer sistemas freios para os veículos que sairiam de linha também já está sendo cogitado na Bosch. Oliveira revelou que, após o anúncio do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na manhã da quarta-feira, 11, as montadoras passaram a procurá-los. “Elas começaram a nos questionar se poderemos fornecer novamente sistemas de freios de veículos que sairiam de linha por não aceitarem ABS e airbag. Tudo o que tínhamos programado em quatro anos poderá ser mudado em 20 dias.”

CONTINENTAL E TRW

O desafio para Continental e TRW não será muito diferente. A Continental investiu R$ 30 milhões para inaugurar em abril sua primeira fábrica de módulos de controle de ABS na América do Sul. A unidade, instalada em Várzea Paulista, no interior de São Paulo, começou a fazer 900 mil ABS por ano, mas até o fim de 2013 chegaria ao pico de 1,2 milhão/ano, também para atender a legislação. Além disso, a Continental construiu com R$ 560 mil uma pista de testes de freios eletrônicos e sistemas de estabilidade no mesmo município.

Já a TRW, com planta em Limeira (SP), previa a produção de mais de 1 milhão de ABS e de 1 milhão de airbags no ano que vem, isso se a legislação não for alterada.

Segundo levantamento do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi), em 2008 apenas 28% das versões de carros vendidos no Brasil ofereciam ABS de série. Em 2011, já sob a nova legislação, esse porcentual saltou para 67% de todas as 767 versões de carros disponíveis no mercado brasileiro, ou 518 modelos, mas só 17% deles eram hatchbacks compactos, os mais vendidos no País, e 38% desses ofereciam o equipamento como opcional pago à parte.

Em 2012, 40% dos carros fabricados no Brasil tinham ABS e airbags frontais, o que significou a venda de aproximadamente 1,44 milhão de unidades de cada um dos dispositivos fornecidos à indústria. Este ano o porcentual deve alcançar 70% dos veículos fabricados, ou algo com o 2,66 milhões de cada sistema. De apenas um fabricante de ABS até o início de 2012, o Brasil passou a ter três este ano, com capacidade para produzir quase 4 milhões de sistemas por ano. Os dois maiores fornecedores de airbags já têm capacidade para fazer quase 3 milhões de conjuntos.



Tags: AEA, airbag, ABS, Bosch, Continental, TRW, segurança.

Comentários

  • João Carlos Bifulco Gomes

    É duro tirar o Uno Mille de linha! Quem vai segurar esse rojão? João C. B. Gomes

  • Giancarlo

    Incrível esse governo de minorias, a segurança de uma nação é nada perto dos benefícios políticos que eles vislumbram !!! ESSE GOVERNO NÃO ME REPRESENTA !!!!!

  • Eduardo

    É um absurdo que por causa da Kombi, um projeto com 65 anos de idade(!) se pense em voltar atrás em questões de segurança. O dito veículo, é o mais inseguro do mundo, e, obviamente, só vendido no Brasil. Em outros mercados o projeto vem evoluindo há pelo menos 30 anos. Quem não conhece pesquise "Volkswagen Transporter". Também é absurdo dizer que os empregos serão perdidos, não irá ficar um buraco no mercado, outros veículos, possivelmente de outras marcas, substituirão os antigos, naturalmente. Se estes empregados não buscaram se atualizar para trabalhar com veículos mais modernos, o problema é deles, e os brasileiros não podem pagar isto com suas vidas.

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