Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias
Chery reagenda recuperação para 2014
Curi: fundo do poço em 2013

Mercado | 12/12/2013 | 19h50

Chery reagenda recuperação para 2014

Após tombo de 40% em 2013, chinesa espera vender 20 mil carros com início da produção da fábrica brasileira

PEDRO KUTNEY, AB

Após passar pelo que chamou de “ano de provação”, que reverteu todas as expectativas, Luis Curi, CEO e vice-presidente comercial da Chery Brasil, espera pela efetiva recuperação em 2014. “Com o início da produção em Jacareí (SP) deveremos chegar a 20 mil carros vendidos e retomar 0,5% do mercado”, estima. Caso o número se confirme, será uma retomada superior a 100%, diante das vendas fracas de 9 mil unidades este ano, 40% menores do que as 15 mil 2012, que já havia sido um resultado debilitado pela sobretaxação de 30 pontos extras de IPI aos veículos importados anunciada em 2011, quando a Chery atingiu seu recorde de 27 mil emplacamentos. “Essa medida nos pegou com mira a laser, precisamos refazer todos os planos”, lamentou Curi.

Para tocar o projeto da fábrica rapidamente e assim ganhar uma cota de importação de até 25 mil veículos sem a sobretaxação, em 2012 a própria Chery tomou a frente das operações no Brasil, que até então era tocada pela importadora oficial da marca, a Venko. “Precisamos fazer toda a transição, que não correu como estava prevista, demorou mais do que esperávamos”, explica Curi.

Ele cita entraves jurídicos como a renomeação dos concessionários, a transferência do estoque de peças (que causou falta de componentes de reposição), as operações de importação direta que só começaram efetivamente em maio e a elaboração e apresentação do complexo projeto para habilitação no Inovar-Auto como investidor. Com os problemas, a fábrica também atrasou. A ideia era inaugurar a unidade no Vale do Paraíba até o fim deste ano, mas a unidade só entra em atividade em julho de 2014. “No fim, perdemos quase meio ano de vendas.”

Com as mudanças e forte competição no mercado, as importações e as vendas da Chery despencaram, com reflexos na rede: as 100 concessionárias foram reduzidas a 55 no começo de 2013, com evidente retração da oferta e inversão de expectativas, já que no início do ano a expectativa era vender 35 mil unidades. “Não dava para sustentar a rede com volumes tão pequenos”, afirma o vice-presidente. No segundo semestre, com as operações já normalizadas, o número de lojas começou a crescer novamente: hoje são 68 pontos de venda e a projeção é voltar aos 100 em 2014.

RETOMADA, NOVOS MODELOS E EXPORTAÇÃO

Curi avalia que a maioria dos problemas esteja superada e agora o projeto está nos trilhos, com bom volume de lançamentos no ano que começa em breve. Já em janeiro a Chery lança o utilitário esportivo Tiggo com câmbio automático, montado no Uruguai. Em abril chega o novo subcompacto QQ com motor 1.0 de três cilindros. Até o fim de agosto estarão à venda nas concessionárias da marca os primeiros Celer fabricados em Jacareí. Em outubro será a vez do QQ tornar-se um carro nacional.

O executivo projeta vender em 2014 cerca de 10 mil QQ, 8 mil Celer, 5 mil Tiggo e algo como 3 mil Face (este também montado no Uruguai). Depois do início da operação da fábrica, com capacidade inicial de 100 mil unidades/ano, a ideia é ganhar novas cotas de importação com a segunda fase do projeto, que prevê a fabricação nacional de um novo SUV compacto e um hatch, chamados de S31 e S32, respectivamente. Ambos chegam ao País em 2015 e começam a ser feitos em Jacareí a partir de 2016 ou 2017, quando o potencial da fábrica será elevado a 150 mil veículos/ano.

Outro candidato a ser produzido no Brasil, segundo Curi, é o Qoros, marca premium da Chery em associação com a Israel Corporation, cujo primeiro modelo foi lançado este ano, inclusive para mercados europeus. O sedã compacto Qoros 3 foi o primeiro carro chinês a conseguir cinco estrelas nos testes de segurança e impacto do Euro NCAP. “Ainda depende de estudos, mas é uma possibilidade trazer a marca para cá para competir no segmento de luxo”, diz.

Também está nos planos exportar cerca de 20% da produção brasileira para países sul-americanos. “Isso nos ajudará a absorver possíveis excedentes no Brasil. Temos boa aceitação dos nossos produtos no Chile, com 2% de participação de mercado, 1% na Argentina e 7% na Venezuela, onde vamos muito bem com a troca de petróleo por carros acertada pelos governos chinês e venezuelado. Já está certo que quando Jacareí entrar em operação irá abastecer esses mercados”, diz Curi. “Para a China vai ser bom, por causa da valorização de 25% do yuan sobre o dólar nos últimos anos”, completa.



Tags: Chery, mercado, vendas, projeção, fábrica, investimento, Jacareí, Inovar-Auto.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência