Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias

Lançamentos | 02/12/2013 | 17h39

Mercedes-Benz CLA 45 AMG: compacto e estonteante

Sedã chegará ao Brasil em 2014

FERNANDO CALMON, PARA AB | de Affalterbach (Alemanha)

Modificar carros de série para torná-los mais ágeis, potentes e prontos a aguçar as melhores técnicas de guiar é um negócio próspero no mundo. Vários fabricantes, inclusive marcas generalistas, oferecem tais opções aos compradores. Marcas premium vão longe e o Trio de Ferro alemão se destaca com Audi (linha SR), BMW (M) e Mercedes-Benz (AMG).

No Brasil, chega a surpreender a relativa aceitação desses modelos, todos obviamente bem mais caros que os convencionais. Caso à parte e único é o dos AMG, que representam 4% de todas as vendas dos Mercedes-Benz no Brasil e no resto do mundo, apenas 2%.

Fundada em 1967 por dois ex-funcionários da fábrica e adquirida pela empresa alemã em 2005, a AMG prosperou. Instalada em Affalterbach, cercanias de Stuttgart, cidade sede da Mercedes-Benz, a antiga preparadora de modelos de série para competição hoje tem 800 colaboradores.

Com o lançamento do novo Classe A, aceitou o desafio de incursionar na seara dos motores de quatro cilindros, que se juntaram aos V-6, V-8 e V-12. E não brincou em serviço: o 2-litros turbo entrega nada menos de 360 cv e 45,8 kgf∙m de torque. Trata-se da maior potência específica (180 cv/litro) alcançada por um motor quatro-cilindros feito em série, hoje, no mundo.

A versão hatch chega agora ao Brasil por R$ 259.900 mil. Em meados de 2014 será a vez do sedã CLA 45 AMG, bem perto dos R$ 300 mil. Foi possível avaliar o mais recente produto da grife, depois de visita às suas instalações na pequena cidade de apenas 4,6 mil habitantes, em meio a um grande descampado.

Apesar das especificações técnicas impressionantes, o carro prima pela relativa discrição. Claro, é fácil identificá-lo por qualquer ângulo: grade dianteira com frisos duplos cromados, duas amplas aberturas sob os conjuntos óticos, spoiler discreto, saias laterais, rodas pintadas de preto a expor enormes discos de freio (13,8 pol. frontais e 13 pol. traseiros) ventilados/perfurados (pinças em vermelho), saídas de ar nos extremos do para-choque traseiro e ponteiras duplas de escapamento. Pneus são largos, de perfil baixo (235/40, aro de 18 pol.) e carcaças dos espelhos, em plástico/fibra de carbono. Nada de defletores ou aerofólios exagerados para conspurcar suas linhas.

Por dentro, além do acabamento de primeiro nível e bancos do tipo concha mais leves, garante toque esportivo por meio de fina costura na cor vermelha sobre o couro dos bancos, apoio de braços central, laterais e de ponta a ponta do painel frontal. Curiosamente, utiliza chave de ignição convencional (sem botão de partida) e alavanca seletora do câmbio no console de túnel (na coluna de direção, CLA comum). Atrás, sem mudanças, mas pelo formato do teto passageiro com mais de 1,80 m pode raspar a cabeça na forração.

Mecânica refinada: novos braços de suspensões, estas rebaixadas em mais de um centímetro (traseira com subchassi); barras estabilizadoras mais grossas; tração permanente nas quatro rodas de alta eficiência; câmbio automatizado de duas embreagens e sete marchas; sem falar no turbocompressor de dupla voluta e inter-resfriador para motor e câmbio.

PRIMEIRA IMPRESSÃO

Banco abraça de verdade o corpo, volante de base reta e pegada perfeita, pedais revestidos de alumínio e sem muitos botões na cabine para atrapalhar. É o esperado para arrancar tudo que o CLA 45 AMG dá direito. Pena o dia chuvoso ter atrapalhado a liberação plena de suas virtudes. Ainda assim, acelera como gente grande (0 a 100 km/h em estonteantes 4,6 s, dado de fábrica). Mantém sublime atitude em curvas (levíssimo e confiável subesterço), freios que respondem de forma eficiente e progressiva, além de direção precisa e comunicável. Nada de surpresas ao guiar, pois em um automóvel desse desempenho seria perigosamente desagradável.

Para quem sabe de fato o que está fazendo, é possível desligar o controle eletrônico de trajetória que perdoa os excessos e ajuda muito. Mas, volta automaticamente a atuar ao primeiro toque no pedal de freio. Em condições normais de uso o carro é suave para dirigir, próximo a um sedã compacto tradicional.

No entanto, ao selecionar a posição “S” no console, tudo se transforma. Nas trocas de marchas, que podem ser feitas a até bastante expressivas (para um motor turbo) 6.700 rpm, há o comemorado estampido no escapamento. Em reduções, ocorre aceleração interina antes do engate da marcha inferior. Hastes atrás do volante são ideais para comandar o câmbio e, no limite eletrônico de rotações, o motorista é que decide o momento de selecionar a relação seguinte.

Estava disponível, no carro avaliado, a configuração opcional de suspensão esportiva. Para uso no Brasil, ocupantes precisariam ter rins em ordem tal seu grau de dureza. Mesmo nas excelentes estradas alemãs, os solavancos e vibrações são fortes demais. Certamente, ideal para quem deseja dar voltas em autódromos e explorar seus dotes naturais ou assimilados. Na Alemanha, circuitos como os de Nürburgring oferecem essa possibilidade a preço módico. Para arrematar, a AMG oferece um sistema de escapamento para quem se incomoda com o ronronar típico e limitado de um propulsor de quatro cilindros. Ah, também deixaram o sistema automático de desligar-ligar o motor no trânsito. Difícil é saber exatamente por quê...



Tags: CLA 45, AMG, Classe A, Mercedes-Benz.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência