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Negócios | 11/07/2013 | 21h00

RJ atrai mais uma e será sócio da Foton

Fábrica de caminhões começa a operar no fim de 2015 com investimento de R$ 250 milhões

PEDRO KUTNEY, AB

Após dez meses de negociações que começaram rapidamente pelo Espírito Santo e por São Paulo, mas demoraram a maior parte do tempo no Rio Grande do Sul, no último mês o Rio de Janeiro entrou no jogo e conseguiu atrair mais uma fábrica de veículos, a montadora chinesa de caminhões Foton. O governo fluminense vem redobrando esforços para atingir o objetivo, amplamente divulgado pelo governador Sérgio Cabral, de transformar o Rio no segundo maior polo automotivo do País. Desta vez, para viabilizar a nova planta, o Estado irá entrar como sócio de até 30% no empreendimento, que prevê investimento de R$ 250 milhões para instalar a planta com capacidade inicial de 34 mil unidades/ano, em dois turnos de produção. Falta ainda definir a cidade, o que é esperado para a próxima semana. A escolha está entre Itatiaia, no alto da serra e próxima a Resende, ou Seropédica, na região metropolitana do Grande Rio.

O aporte será integralmente financiado pelos sócios brasileiros, o Estado do Rio e o controlador majoritário Foton Aumark do Brasil, que desde 2011 é o importador oficial da marca no País. Em 2012, a empresa fechou com o fabricante a concessão de licença exclusiva, válida até 2025 e prorrogável por mais 15 anos, para fabricar e vender os caminhões da Foton, que não entrará com dinheiro no negócio, mas irá transferir tecnologia de processos e produtos. A companhia chinesa é atualmente maior fabricante de caminhões do mundo, que em 2012 produziu 606,3 mil unidades (a maioria, 493,5 mil, de modelos aqui considerados comerciais leves).

O plano inicial, anunciado em 2011, era de investimento integral da Foton na operação industrial no Brasil. “É verdade, mas naquela época ainda não existia o Inovar-Auto e a empresa tinha programado a fábrica brasileira para 2018, porque antes disso programou investimentos em plantas na Índia e Rússia. Com isso, não poderíamos aproveitar os benefícios do regime automotivo, e nossas importações até lá ficariam inviabilizadas pelo alto custo de pagar o IPI extra para importar o caminhão da China”, explica Orlando Merluzzi, vice-presidente da Foton Aumark do Brasil. “Por isso mudamos o plano, negociamos com a Foton para fazer o investimento por conta própria”, acrescenta.

INCENTIVOS

“O governo brasileiro fez um programa excepcional com o Inovar-Auto, que tira com uma mão mas dá com a outra, incentiva o investimento. Se não fosse isso eu estaria no melhor dos mundos, só vendendo os caminhões importados”, diz Merluzzi. Ele conta que o projeto da fábrica já estava pronto desde o ano passado, mas as negociações demoraram mais do que o esperado.

“Perdemos muito tempo no Rio Grande do Sul, ficamos quase dez meses negociando, investimos no projeto e na sondagem do terreno em Guaíba, mas infelizmente o governo gaúcho não conseguiu viabilizar o negócio a tempo. O MDIC (Ministério do Desenvolvimento) já estava cobrando nossa decisão. Aí o Rio de Janeiro apareceu de maneira contundente, aprovou o empreendimento em apenas um mês”, revela o executivo.

Após formalizar o entendimento com o governo fluminense, na terça-feira, 9, foi entregue à Secretaria de Produção do MDIC o plano da unidade industrial com o pedido de habilitação ao Inovar-Auto. Se aprovada, a Foton Aumark poderá importar anualmente, sem o pagamento de 30 pontos porcentuais extras de IPI, até 25% da capacidade de produção anunciada de produtos similares aos que serão fabricados no Rio. “Acredito que nem vamos usar todo o limite. Estimamos importar algo como 5 mil por ano”, afirma Merluzzi.

De acordo com o executivo, o empreendimento não receberá nenhum outro benefício fiscal além dos descontos de IPI já previstos no Inovar-Auto. Ele confirma que a Foton Aumark deverá buscar recursos no BNDES, que pode financiar até 80% do investimento, mas não sabe se o porcentual será esse ou menor, pois a negociação com o banco de fomento ainda não está definida. (Se o financiamento tivesse sido pedido entre novembro de 1995 e abril de 1998, teria encontrado na presidência do BNDES o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, hoje justamente o presidente da Foton Aumark.)

Além de participar de até 30% do capital da fábrica, o Estado do Rio entra com a compra do terreno, em valor limitado a 10% do total do investimento – equivalente a R$ 25 milhões, portanto. Sobre a escolha entre as duas cidades fluminenses, ele diz que ambas tem vantagens: “Itatiaia tem vocação industrial, fica perto do polo já formado na região de Resende, onde existem fornecedores e mão de obra qualificada. Em Seropédica ficamos muito bem localizados, ao lado do arco metropolitano, com acesso fácil ao porto. Devemos decidir na semana que vem.”

Merluzzi garante que não foi negociado nenhum diferimento de ICMS, como foi feito com outros fabricantes instalados no Estado. “É preciso entender que nenhum governo dá nada. O que o Rio vai dar é um alívio no capital de giro para viabilizar o negócio, depois recebe tudo de volta. Uma montadora, quando se fixa no Estado, devolve dez vezes mais o que foi investido, pois ninguém instala uma fábrica para ir embora depois, fica lá pagando impostos. Calculamos que no nosso caso vamos recolher nos próximos dez anos algo como R$ 1 bilhão em ICMS para o Rio”, argumenta Merluzzi, já colocando nessa conta os caminhões que começarão a ser importados e pagarão impostos no Estado.

PRODUTOS E REDE

Na primeira fase da fábrica da Foton, até 2018, está prevista a produção de pelo menos quatro modelos semileves, leves e médios da linha Aumark, com PBT de 3,5, 6,5, 8,5 e 10 toneladas. Também deve entrar em produção um caminhão semipesado de até 24 toneladas, da linha Auman. “É onde giram 70% do mercado brasileiro. Depois de 2018 poderemos pensar em ampliar o investimento e produzir pesados, mas ainda não dá para prever exatamente o que vai acontecer nesse horizonte”, explica Merluzzi.

O conteúdo nacional dos veículos será baixo inicialmente, entre 15% e 20%, mesmo que os caminhões Foton usem muitos componentes de fornecedores já instalados no Brasil, como transmissões ZF e motores Cummins – com quem a Foton tem desde 2009 uma joint venture na China que pode produzir 400 mil propulsores/ano. “Esses fornecedores também vão precisar nacionalizar produtos. A Cummins, por exemplo, ainda não produz aqui o motor 2.8 que usamos nos modelos semileves”, destaca o executivo. Ele estima que a nacionalização dos caminhões Foton montados no Rio deve crescer gradualmente até 65% no decorrer dos dois primeiros anos de operação, índice mínimo para usufruir do financiamento via BNDES/Finame. Merluzzi avalia que os custos de produção serão competitivos. A mão de obra mais cara seria compensada pela economia com frete e impostos.

Embora os caminhões Foton já tenham sido apresentados na última Fenatran, em setembro de 2011, só há quatro meses as vendas foram efetivamente iniciadas no País. “Paramos tudo para esperar pela definição do Inovar-Auto. Só depois refizemos o projeto. Também precisamos homologar todos os modelos Euro 5, já gastamos quase US$ 1 milhão nisso”, diz o executivo. Segundo ele, o desafio agora é ampliar a rede de vendas, hoje formada por 11 pontos. O plano é chegar a 90 concessionárias até o fim de 2015, quando a fábrica entra em operação.

A estratégia é oferecer ao concessionário um investimento inicial baixo, de R$ 700 a R$ 800 mil, incluindo o estoque inicial. “Custaria milhões representar outra marca. Como nossa frota circulante ainda pequena, o gasto com espaços, serviços e estoques de peças pode ser menor. Só com o tempo será necessário investir mais”, diz Merluzzi. “Também deveremos usar a rede já instalada da Cummins para assistência técnica aos motores que usamos.”

Segundo Merluzzi, a ambição é tornar a Foton a sétima marca de caminhões mais vendida do País no horizonte dos próximos oito anos. Isso equivale à participação nas vendas totais em torno de 5% em um mercado estimado de 220 mil unidades/ano, incluindo modelos abaixo de 3,5 toneladas de PBT, classificados no Brasil como comerciais leves. “Fizemos um plano de crescimento sólido e conservador”, avalia.



Tags: Foton, Aumark, RJ, Rio de Janeiro, fábrica, investimento, Itatiaia, Seropédica, Orlando Merluzzi.

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