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Indústria | 14/06/2013 | 15h54

Iveco detalha montagem do blindado Guarani

Só de soldagem, processo inclui 1,5 mil horas

MÁRIO CURCIO, AB | De Sete Lagoas (MG)

Durante a cerimônia de inauguração da unidade de veículos de defesa em Sete Lagoas (MG, veja aqui), a Iveco mostrou as diferentes etapas de montagem do Guarani, que substituirá a atual frota de blindados para transporte de tropas, formada basicamente pelo Urutu.

Segundo a fabricante, a nova estrutura foi concebida segundo conceitos de lean manufacturing, manufatura enxuta, com ênfase na organização do processo produtivo e eliminação de desperdícios. O projeto também adotou estruturas e dispositivos que favorecem a ergonomia para a execução de tarefas. A capacidade é de até 200 unidades anuais.

Na primeira área de soldagem da fábrica há cabines para a união de componentes menores, que serão agregados mais adiante ao corpo do blindado. “A fumaça da soldagem é aspirada, tratada e devolvida à atmosfera”, afirma o gerente de plataforma, Rodrigo Medeiros.

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A primeira seção da fábrica tem cabines para soldagem de componentes menores, que seguirão para a montagem do corpo blindado do Guarani (fotos: Mário Curcio)

A segunda área da fábrica se destina à montagem de grupos de componentes. Segundo a Iveco, os soldadores receberam treinamento de seis meses na unidade de veículos de defesa de Vittorio Veneto, na Itália. É um processo que não pode ser feito com solda automática e uso de robôs”, diz Medeiros.

Do total de 2,5 mil horas consumidas na produção do Guarani, 1,5 mil horas são utilizadas no processo de união das chapas de aço balístico. Quando aquecidas pela soldagem, as chapas têm de resfriar-se por duas a três horas a fim de evitar ondulação e deformações. Para garantir a aplicação da soldagem sempre na posição correta, a Iveco adotou um equipamento capaz de girar o corpo do Guarani em 360 graus.

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Um grande equipamento gira o corpo do Guarani em 360 graus, para que a soldagem seja feita sempre na posição correta. Das 2,5 mil horas necessárias à produção do blindado, 1,5 mil são gastas com soldas, que devem respeitar períodos de duas a três horas de resfriamento a fim de evitar ondulação e deformações nas chapas (fotos: Mário Curcio e Iveco/divulgação)

Antes da pintura, a blindagem recebe um componente interno chamado liner, material que absorve impactos externos e impede que estilhaços se soltem da estrutura e causem ferimento nos tripulantes. Também nessa etapa é aplicada uma camada espessa abaixo dos ocupantes, essencial à segurança em caso de detonação de minas terrestres. A parte superior do blindado recebe a deposição de limalha de aço para tornar-se antiderrapante, já que o Guarani é um anfíbio e os tripulantes terão de caminhar sobre ele em várias situações.

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Na cabine ocorre a pintura por dentro e por fora do veículo. De lá vai para a linha de montagem (fotos: Mário Curcio e Iveco/divulgação)

A cabine de pintura da fábrica já foi dimensionada parta receber blindados maiores que o Guarani, com quatro eixos. Depois de receber pintura por dentro e por fora, o veículo é levado à linha de montagem. Ali ele recebe o chassi, o motor e demais componentes internos e externos.

Segundo a Iveco, a maioria desses itens é parafusada por ferramentas eletroeletrônicas. “Elas permitem a rastreabilidade das operações, impedindo erros como o esquecimento de apertos”, afirma Medeiros. O veículo não é liberado para seguir pelo processo de montagem até que todos os itens estejam fixados.

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Chassi recebe itens de transmissão e depois é agregado ao corpo do Guarani na linha de montagem. No setor são instalados o motor e os componentes internos e externos. O veículo leva 11 tripulantes. Terminada a montagem, o blindado passará por testes e depois voltará à fábrica para receber a camuflagem (fotos: Mário Curcio)

Terminada a montagem e instalados todos os equipamentos, o Guarani passa por diferentes testes dos sistemas elétricos, hidráulicos e eletrônicos. O blindado tem de subir rampas com ângulo de 60 graus, vencer inclinações laterais de até 30 graus, obstáculos com 50 centímetros de altura e trechos aquáticos. Até outubro, a Iveco terá a própria área de testes dentro do complexo industrial de Sete Lagoas.

A Iveco recorda que a camuflagem do Guarani é a última etapa da preparação do Guarani e só é feita depois da sessão de testes.



Tags: Iveco, Sete Lagoas, Guarani, soldagem, lean manufacturing, Vittorio Veneto, Urutu, Rodrigo Medeiros, linha de montagem.

Comentários

  • paolo

    Fabrica meravilhosa

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