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Autopeças | 13/06/2013 | 18h45

Sindipeças: falta inovação na indústria de autopeças no Brasil

Butori, presidente da entidade, fala das expectativas para a rastreabilidade de componentes

CAMILA FRANCO, AB

Atualizada às 12:00 da sexta-feira, 14.

Durante a apresentação oficial do Instituto Sindipeças de Educação Corporativa (leia aqui), Paulo Butori, que preside o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores, o Sindipeças, voltou a abordar a falta de competitividade do setor.

O ano de 2006, segundo ele, foi o último em que a balança comercial de autopeças apresentou superávit, de US$ 2 bilhões. Desde então, o declínio é constante. Nos primeiros quatro meses de 2013, o setor acumula o expressivo déficit de US$ 3,8 bilhões, com avanço de 66,4% sobre o mesmo período do ano passado. O número negativo já é metade do acumulado em 2012 inteiro, quando o rombo chegou a US$ 5,8 bilhões. Em maio, as importações, segundo Butori, ultrapassaram US$ 1 bilhão. O executivo prevê que o déficit chegue a US$ 8 bilhões no final deste ano.

A falta de competitividade é justificada pelos preços mais caros praticados no Brasil. O executivo conta que as fabricantes de componentes têm de repassar os altos custos de produção (desde infraestrutura, tributação, matéria-prima, a mão de obra) para os produtos. Como consequência, as montadoras recorrem aos importados, que além de mais baratos têm mais tecnologia agregada, principalmente os chineses. De acordo com Butori, as fabricantes de componentes automotivos apresentam ociosidade grande, aproveitando apenas cerca de 60% da capacidade instalada.

Com a rentabilidade prejudicada, diminuem os investimentos em pesquisa e desenvolvimento. “Não temos inovação no setor de autopeças no Brasil. A maior parte dos projetos vêm de fora, das sedes das empresas de autopeças, mesmo com os centros de desenvolvimento instalados no País. Essa é a realidade”, lamentou o presidente.

Segundo Butori, Fiat, Volkswagen, Ford e Renault já têm conseguido comprar 60% das autopeças da indústria nacional, volume previsto pelo novo regime automotivo, o Inovar-Auto. GM e Peugeot, com volumes maiores de importação, têm tido mais dificuldade para se adequar à regra.

A rastreabilidade das autopeças ainda não foi regulamentada pelo Inovar-Auto. “Estamos esperando passar esses primeiros meses de habilitações ao Inovar-Auto para caminharmos em direção das medidas que chamamos de Inovar-Peças. Os tiers um e dois (que incluem o primeiro e o segundo nível da cadeia) são passíveis de serem investigados, mas ainda não se sabe como ficará o tier três, que representa a empresa menor da cadeia.” A regulamentação, que era prevista para maio, foi adiada para julho e deve ser mais uma vez para o final de agosto.

Luiz Moan, presidente da Anfavea, a associação que reúne os fabricantes de veículos, presente na apresentação do Instituto Sindipeças de Educação Corporativa, revelou que um grupo formado por vice-presidentes da Anfavea e do Sindipeças tem discutido a rastreabilidade de autopeças. Ambas as entidades já chegaram a um acordo, que foi apresentado ao Governo Federal em uma primeira reunião. “Uma segunda rodada de negociação com o Governo está prevista para breve”, comentou Moan.

O presidente Butori confirma que Sindipeças e Anfavea têm estreitado a relação, mas lembra que os interesses da associação de veículos sempre se sobressaíram. “Por ser uma entidade com vários escritórios em Brasília, a Anfavea é mais querida.” Butori acredita que o PIB brasileiro chegará a 2,5% e que o setor de autopeças, apesar da falta de competitividade e inovação, crescerá 4,5% até o final do ano.

Assista à entrevista exclusiva com Paulo Butori, presidente do Sindipeças:



Tags: Sindipeças, Paulo Butori, autopeças, balança comercial.

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