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GM ainda negocia R$ 2,5 bi em São José para fazer carro popular
Macapá, do sindicato, e Moan, da GM: negociação longa.

Negócios | 04/06/2013 | 00h45

GM ainda negocia R$ 2,5 bi em São José para fazer carro popular

Sindicato reprova os 12 anos de vigência do acordo

CAMILA FRANCO, AB

Atualizada às 13 horas do dia 4

A General Motors do Brasil e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos ainda não conseguiram chegar a um acordo para viabilizar um investimento de R$ 2,5 bilhões na planta do Vale do Paraíba, que consiste na construção de uma linha para um veículo popular totalmente novo, que começaria a ser produzido em 2017, e na criação de um distrito industrial para fornecedores de autopeças. A unidade emprega hoje mais de 6,5 mil funcionários para a fabricação do Classic, da Trailblazer, da S10 e de motores e transmissões.

Luiz Moan, diretor de relações institucionais da GM, se reuniu com representantes dos trabalhadores na segunda-feira, 3, na sede da Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). Depois de mais de dez horas de negociação, o martelo ainda não foi batido, mas já é certo que, mesmo com um novo aporte, um PDV (Plano de Demissão Voluntária) será realizado nos próximos meses na fábrica para dispensar os mais de 900 funcionários ligados à produção do Classic, que deixa de ser feito na unidade no final deste ano.

Em entrevista à Automotive Business, logo após o término desta reunião, às 23 horas da segunda-feira, Moan contou que o sindicato ainda não concorda com dois pontos exigidos pela montadora em troca do aporte.

“A GM estipula um prazo mínimo de doze anos de validade do acordo e uma PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de até R$ 8 mil a partir de 2017 apenas para os novos empregados que serão contratados para fabricar o novo veículo (valor inferior ao que é pago hoje para os demais funcionários da unidade). O sindicato acha que é impossível definir a PLR agora e que o prazo de validade do acordo deveria ser menor, em torno de dois anos. Apenas estas duas questões faltam ser alinhadas para confirmamos o nosso investimento na unidade”, diz Moan, que já agendou uma nova conversa com o sindicato às 15 horas da próxima segunda-feira, dia 10 de junho.

De acordo com o executivo, o piso salarial de R$ 1.700 para os novos contratados, que pode sofrer o seu primeiro reajuste pela inflação a partir de setembro de 2014, foi aceito pelo sindicato dos trabalhadores. Um plano de demissão voluntária para os mais de 900 funcionários da linha de montagem do Classic também já foi aprovado, segundo ele. “Vamos abrir PDV para todos os profissionais da linha do sedã, com condições especiais para aposentados e pré-aposentados, para reduzir ao máximo as demissões até o final do ano” comentou.

RESISTÊNCIA

Em entrevista na terça-feira, 4, o secretário geral do sindicato, Luiz Carlos Prates, o Mancha, disse que a entidade ainda não aceitou as demissões e que até segunda-feira, 10, terá tempo para debater o assunto com os trabalhadores. Prates lembra que entre maio de 2012 e abril de 2013, na época em que deixaram de ser feitos Meriva, Zafira e Corsa na linha do MVA, a GM já havia desligado 927 funcionários.

O secretário revelou que o novo carro popular a ser feito em São José será o mais barato da Chevrolet no País e deverá substituir o Celta ou o Classic. “Ainda não sabemos se será um sedã ou um hatchback, mas apenas que terá grandes volumes de vendas.”

“A montadora prometeu contratar cerca de 2,5 mil funcionários com o novo aporte. A linha do MVA será derrubada e uma totalmente nova será erguida no lugar para a produção do novo veículo popular. Mas junto ao desligamento do MVA, a GM não abre mão das demissões”, diz Mancha.

“A GM está se baseando na flexibilização de direitos já adotada pela CUT, Força Sindical e CGT, em fábricas do ABC e Betim (MG), por exemplo, para tentar rebaixar direitos aqui. Nossa luta é para que os investimentos garantam a manutenção dos empregos, salários, direitos e beneficiem os trabalhadores e toda a cidade”, afirmou em nota o presidente do sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá.

O sindicato questiona a concessão dos benefícios fiscais pela prefeitura e governo de São Paulo, que vão se somar a outros já concedidos pelo governo federal ao setor automotivo. “É uma vergonha que a prefeitura e o governo de São Paulo façam tantas concessões com dinheiro público, abrindo mão de recursos que poderiam ser usados em saúde, educação e moradia. Desde 2008, estamos vendo o governo federal privilegiar as montadoras com a redução de IPI, mas em nenhum momento vimos esse mesmo governo exigir estabilidade de emprego ou qualquer outra medida em favor dos trabalhadores”, conclui Macapá.

O sindicato defende um contrato coletivo nacional, que garanta piso salarial, jornada e direitos iguais para os metalúrgicos em qualquer lugar do País.



Tags: GM, General Motors, São José dos Campos, sindicato, metalúrgicos, negociação, demissões, investimento, Luiz Moan.

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