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Estamos otimistas, diz GM sobre investimento de R$ 2,5 bi em São José
Macapá, do sindicato, e Moan, da GM: negociação dura.

Negócios | 31/05/2013 | 20h15

Estamos otimistas, diz GM sobre investimento de R$ 2,5 bi em São José

Reunião com sindicato terminou sem acordo na quarta. Outro encontro está marcado para segunda

CAMILA FRANCO E PEDRO KUTNEY, AB

Após 10 horas de conversações sem chegar a um acordo com o Sindicato dos Metalúrgidos de São José dos Campos, Luiz Moan, diretor de relações institucionais da General Motors do Brasil, disse estar “confiante” de que os trabalhadores vão aceitar as condições da empresa para viabilizar o possível investimento de R$ 2,5 bilhões a ser feito na fábrica do Vale do Paraíba, que segundo o executivo concorre com mais outras duas plantas do grupo no mundo para produzir um novo carro global. “Estamos otimistas, porque o sindicato tende a aceitar nossa proposta”, afirmou Moan a Automotive Business no começo da noite da quarta-feira, 29, logo após deixar a reunião em São José. A conclusão do acordo pode acontecer na segunda-feira, 3, para quando está marcada nova rodada de negociações, a partir das 13h.

Segundo Moan, os sindicalistas levaram para casa durante o feriado prolongado a proposta de salário base de R$ 1.570 a R$ 2.500 para novas contratações na unidade de São José dos Campos, além de participação nos lucros e resultados (PLR) limitada a 2,5 salários, com teto de R$ 8 mil.

De acordo com nota do sindicato, a reunião da quarta-feira terminou sem acordo porque a empresa que efetuar novas demissões na unidade. “A GM quer demitir mais 900 trabalhadores e arrancar ainda mais direitos dos metalúrgicos. No último ano, a empresa já fechou 927 postos de trabalho, apesar de não ter qualquer sinal de crise financeira”, afirma a entidade.

Em março passado a GM confirmou o desligamento de 598 funcionários ligados à MVA, sigla para Montagem de Veículos Automotores, área onde eram produzidos diversos modelos que saíram de linha (Zafira, Corsa e Meriva) e só continua a montar o Classic até o fim deste ano. Agora, segundo os sindicalistas, a empresa quer enxugar ainda mais o quadro na planta antes de iniciar qualquer investimento. Existe a possibilidade de abertura de um plano de demissão voluntária (PDV).

ESVAZIAMENTO E NEGOCIAÇÃO

Após anos de conflitos com o sindicato local, a GM adotou a estratégia de esvaziar parte da planta, que também faz motores, transmissões e a nova geração da picape S10 e do SUV Trailblazer, linha que recebeu os investimentos mais recentes, de R$ 850 milhões. A planta foi contemplada com a menor porção do programa de R$ 5 bilhões da GM Brasil, que terminou em 2012. Apesar de investir na linha de utilitários em São José, a companhia concentrou em São Caetano do Sul (SP) e Gravataí (RS) todo o resto de sua renovação de produtos no País nos últimos dois anos, deixando a unidade no Vale do Paraíba ociosa – provavelmente para forçar negociações e dobrar o sindicato.

Conforme informou Moan, só falta flexibilizar a questão trabalhista para candidatar a fábrica ao novo investimento. Esta era uma das quatro condições determinadas pela empresa para receber a nova linha de produção. As outras três, segundo o executivo, já estão garantidas, incluindo benefícios fiscais municipais e estaduais, obras de infraestrutura no entorno da planta e a criação de um distrito industrial que deve abrigar fornecedores da montadora, alguns deles ainda sem presença no País.

Apesar da confiança de Moan de chegar a um entendimento, as declarações dos sindicalistas após a reunião da quarta-feira não são das mais acolhedoras. “A GM não está em crise financeira e já tem recebido muito dinheiro público, que deixa de ser investido em saúde, educação e outras áreas sociais. O poder público tem é de se preocupar em garantir empregos, salários e direitos aos trabalhadores”, afirmou em nota o presidente do Sindicato de São José dos Campos, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá.



Tags: GM, General Motors, São José dos Campos, fábrica, investimento, sindicato, metalúrgicos, negociação.

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