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Montadoras em reconstrução na Colômbia
Operação da GM em Bogotá: modernização.

Internacional | 17/05/2013 | 18h20

Montadoras em reconstrução na Colômbia

Fábricas recebem investimentos em modernização e novos produtos para exportar mais

PEDRO KUTNEY, AB | De Bogotá e Medellín (Colômbia)

Presentes há cerca de 50 anos na Colômbia, as fábricas de veículos precisam mudar muito para acompanhar a evolução do país na última década. “O modelo econômico mudou de proteção total para abertura comercial total e nós temos de mudar o nosso modelo produtivo também, para sermos mais eficientes”, diz Jorge Mejía, presidente da General Motors colombiana. A abertura da qual o executivo fala entregou aos carros importados nada menos do que 65% do mercado colombiano em 2012, quando foram vendidos 316 mil unidades.

As linhas de montagem colombianas produzem hoje menos da metade dos veículos consumidos no país (foram cerca de 150 mil em 2012), e exportam apenas 23% da produção. A meta agora é retomar parte do terreno perdido interno e externo, por meio de investimentos na renovação dos produtos e adoção de mais processos produtivos nas montadoras – que até agora só fazem exatamente o que o nome sugere: montam um grande volume de partes importadas, usando menos de 35% de componentes locais, a exigência mínima legal.

O desempenho da GM na Colômbia nos últimos anos reflete a perda de competitividade da indústria local após a abertura econômica. As vendas aumentaram, mas em ritmo bastante inferior ao crescimento do mercado. Há 10 anos, a GM vendeu 25 mil veículos e dominava ao redor de um quarto de um mercado anual de 93,4 mil unidades, no qual os importados tiveram 43% de participação. Em 2012 a marca Chevrolet continuou líder em vendas no país, com volume bem maior, de 62,3 mil, mas sua fatia caiu para pouco menos de 20%. As exportações, que chegaram ao topo de quase 20 mil em 2006, impulsionadas pelo acordo comercial com a Venezuela e Equador, mergulharam para 1,3 mil no ano passado.

Perdendo terreno dentro e fora da Colômbia, a produção caiu perigosamente 26% em 2012. A GM hoje trabalha em apenas um turno em sua fábrica de Bogotá, onde ocupa apenas metade da capacidade máxima anual de 120 mil unidades. Recentemente, cerca de 500 empregados foram demitidos. Mejía aposta na reversão desse quadro com investimentos em produtos e no aumento da produtividade da fábrica, com a intenção de manter a liderança no mercado doméstico e aumentar substancialmente as exportações.

A partir de 2014, a projeção da GM é começar a exportar 15 mil veículos por ano para o México, país com o qual a Colômbia tem acordo de livre comércio. No ano seguinte a estimativa é elevar as vendas externas para 25 mil unidades, com a abertura de mercados adicionais no Perú, Bolívia, Uruguai e retomada de negócios com o Equador. A meta é atingir 34 mil carros exportados por ano de 2017 em diante. “Devemos conseguir isso com redução de custos e a produção de modelos que não são feitos pela GM nos países para onde queremos exportar”, revela o executivo.

FÓRMULA RENAULT

Renault
Linha de montagem da Renault em Envigado: exportação crescente com a produção do Duster.

A Renault, vice-líder do mercado colombiano, com cerca de 13% de participação, nos últimos anos também viu sua produção despencar no país, chegando a apenas 25 mil unidades em 2009. A empresa adotou antes da GM a estratégia de mudar o portfólio de produtos e buscar novos mercados no exterior. Os frutos da escolha acertada foram colhidos em 2012, quando a Renault foi a maior produtora e quase única exportadora do país. Foram montadas 72 mil unidades, um salto de 42% sobre 2011, e 29,7 mil foram exportadas, em avanço de 2301% ante o ano anterior. Os principais compradores são México, Argentina e Equador. A marca francesa responde atualmente por mais de 80% das exportações de veículos da Colômbia.

A Renault colombiana seguiu a mesma estratégia da subsidiária brasileira e passou a montar a linha da romena Dacia, incluindo Logan, Sandero e Duster. Estes modelos deixaram de ser exportados do Brasil e passaram a ser embarcados da Colômbia para mercados latino-americanos, aquecendo a produção da fábrica de Envigado, vizinha de Medellín. No ano passado, a planta recebeu investimento de € 22,5 milhões para fazer o Duster e hoje trabalha em dois turnos de 11 horas cada, com três equipes, próxima à capacidade máxima de 85 mil unidades/ano. Além do trio romeno, também é montado o hatch Clio de segunda geração, o mesmo feito na Argentina.

Os carros montados em Envigado têm 70% de partes importadas: todos os motores vêm do Brasil e as chapas estampadas para montagem vêm da Romênia e França. Há pouca automação e nenhum robô, a maioria dos processos é manual, incluindo soldagem, pintura e montagem final. “A vantagem competitiva desta planta é gente”, garante Mario Javier Gómez, diretor de produção da Renault na Colômbia.

RECONVERSÃO INDUSTRIAL NA GM

GM
Linha e estamparia e operação de soldagem de portas: investimento de US$ 200 milhões da GM na fábrica de Bogotá.

A GM busca agora sua “reconversão industrial”, como foi batizado o projeto iniciado no ano passado. O objetivo é modernizar e automatizar mais a fábrica de Bogotá para fazer produtos globais, vendáveis no exterior, com custo menor. O maior investimento, de US$ 200 milhões, é a planta de estampagem, a primeira linha de prensas de uma montadora na Colômbia, que entra em operação em junho. Situada dentro de uma zona franca, a estamparia molda as chapas externas dos Chevrolet Sail (hatch e sedã) e Cobalt – todos os três foram lançados em 2012 e tinham as partes externas importadas do Brasil. Além destes, a GM colombiana também monta os compactos Spark, Spark GT e Aveo Family, e uma linha de caminhões e chassis de ônibus leves e médios com tecnologia da japonesa Isuzu. Já existem áreas desocupadas, onde novos modelos deverão ser montados.

Aumentar o conteúdo local reduz os custos logísticos, muito caros no país devido às estradas em condições precárias, que fazem um caminhão levar 10 horas para percorrer apenas 400 quilômetros no sobe-e-desce dos Andes. “O desafio logístico é gigante e precisamos de fornecedores mais eficientes também”, avalia Mejía. Nesse sentido, oito fabricantes de autopeças fizeram recentemente investimentos que somaram cerca de US$ 55 milhões para aumentar o fornecimento de componentes locais à GM, incluindo chicotes elétricos, ar-condicionado, bancos, para-choques e suspensões.

O executivo conta que, no trabalho para melhorar a produtividade local, já existem indicadores positivos a mostrar: de 2000 a 2012 o número de horas trabalhadas por veículo na planta de Bogotá caiu de 73,3 para 34,8, o segundo melhor resultado de todas as fábricas da GM na América do Sul, só ficando atrás das 24 horas por carro de Gravataí (RS), no Brasil.

HISTÓRIA

Estão instaladas atualmente na Colômbia três montadoras de veículos leves: por ordem de maior produção, Renault Sofasa, General Motors Colmotores e Mazda CCA. As siglas que ainda permanecem coladas aos nomes são resquício dos antigos sócios colombianos dessas empresas. Como aconteceu na maioria dos países sul-americanos que hoje têm indústria automotiva instalada, inclusive no Brasil, nos anos 1950 grupos locais fizeram associações com montadoras multinacionais para viabilizar a fabricação nacional de carros. Hoje os estrangeiros controlam integralmente esses empreendimentos, mas no caso da Colômbia esse processo aconteceu mais tarde, durante a primeira década deste século.

A sigla CCA quer dizer Companhia Colombiana Automotriz, fundada em Bogotá por um grupo privado em 1960 que montou sob licença ou associação modelos Fiat, Jeep, Zastava, Peugeot, Mitsubishi, Ford e a Mazda, que a partir de 1982 começou a comprar parte do negócio até chegar aos atuais 100%. Em 2012 a empresa montou apenas 10 mil unidades no país e teve participação de 3% no mercado doméstico.

A Colmotores da GM significa Fábrica Colombiana de Motores, também um grupo privado que em 1957 nasceu em Bogotá fazendo carros da britânica Austin. Em 1965 a Chrysler comprou 60% da empresa e fez seus modelos lá até 1979, quando a GM adquiriu 77,4% da companhia e desde então começou a montar seus Chevrolet – hoje a participação de acionistas locais é de menos de 2%.

Algo parecido aconteceu com a Sofasa, a Sociedade de Fabricação de Automotores, uma estatal fundada pelo governo colombiano em 1969, quando fez uma licitação internacional para escolher o administrador da planta localizada em Envigado, vizinha de Medellín. A vencedora foi a francesa Renault, que gradualmente foi ampliando sua participação societária. Em 1989 foi feita uma joint venture com a japonesa Toyota, que montou lá picapes e jipes até 2008, quando a Renault recomprou todo o negócio.

Esta é a segunda da série de cinco reportagens especiais sobre a indústria automotiva colombiana preparadas com exclusividade para o Brasil por Automotive Business. Entre os dias 28 de abril e 4 de maio de 2013 o jornalista Pedro Kutney viajou ao país a convite da Proexport Colômbia, para realizar visitas às principais fábricas de veículos e autopeças, além de encontros com executivos e representantes de entidades empresariais e agências locais de desenvolvimento.

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Tags: Colômbia, indústria, montadora, fábricas, investimento.

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