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Saveiro: carro local com visual mundial

Lançamentos | 18/04/2013 | 14h10

Saveiro: carro local com visual mundial

Picape ganha identidade e arquitetura eletroeletrônica global da VW

PEDRO KUTNEY, AB | De Mata de São João (BA)

As picapes derivadas de automóveis são uma invenção brasileira que, no máximo, chegaram também a alguns outros mercados latino-americanos. A Volkswagen Saveiro, derivada da família Gol, é um desses casos, mas agora, já na versão 2014, o modelo projetado para atender necessidades locais ganhou “alma” global, adotando as feições da identidade visual mundial da marca e também a mesma arquitetura eletroeletrônica, como parte da estratégia de atualização tecnológica adotada pela Volkswagen no Brasil.

Agora todo o extenso portfólio de carros locais da Volkswagen fabricados no Brasil, incluindo as linhas Fox e Gol, tem a cara parecida com modelos da companhia produzidos em outros locais do mundo, como Alemanha, China e México. Com a Saveiro, fica completa a renovação dos três irmãos da família – o hatch Gol e o sedã Voyage passaram pela mesma reformulação há pouco menos de um ano.

Todos eles são locais, mas foram repaginados no “box brasileiro” instalado dentro do centro mundial de design da Volkswagen em Wolfsburg, sede da companhia na Alemanha, o que demonstra a maior inserção internacional da subsidiária brasileira. “Antes fazíamos os modelos de projeto aqui e tínhamos de mandar para validação na Alemanha. Isso tomava mais tempo e algumas vezes o modelo sofria danos no transporte. Agora, com uma equipe permanente de design lá, montamos tudo lá e agilizamos o processo”, explica Rogério Sampaio, gerente executivo de planejamento de produto da Volkswagen Brasil.

“O design da Saveiro agora segue a nova linguagem global da Volkswagen”, destaca Thomas Schmall, presidente da Volkswagen do Brasil. Ele ressalta ainda que a picape renovada chega para comemorar duas marcas históricas da companhia, que este ano completou 60 de operação no País com 2,5 milhões de comerciais leves já produzidos em São Bernardo do Campo, dos quais 958,8 mil foram da própria Saveiro, lançada em 1982, e o restante da sexagenária Kombi, que foi o primeiro veículo a ser produzido na fábrica da Anchieta, em 1957. No primeiro trimestre deste ano, a marca alcançou um recorde no segmento de comerciais leves, com 30 mil unidades emplacadas e crescimento cinco vezes acima da média do mercado, avançando 15% sobre o mesmo período de 2012, incluindo neste número também os modelos importados Amarok, Tiguan e Touareg.

Com esses resultados, a Volkswagen conseguiu aumentar sua participação no segmento de comerciais leves de 15% no fim de 2012 para 17% nos três primeiros meses de 2013, o que permitiu chegar mais perto da líder Fiat, que detém 20% dos emplacamentos no período. São responsáveis pelo desempenho melhor da Volkswagen este ano o aumento das vendas da picape média Amarok (5.471 de janeiro a março) e da antiga da Saveiro (17.305), que foi beneficiada pelos descontos aplicados para o modelos em fim de linha. “Com os descontos vendemos bem e os estoques esgotaram”, confirma Marcelo Olival, gerente executivo da unidade de comerciais leves da marca no Brasil. Ele aposta que a chegada da nova versão deverá dar fôlego extra às vendas da Saveiro. “Uma novidade sempre atrai mais clientes”, avalia.

ESTRATÉGIA DE PREÇO

A Saveiro continua sendo o segundo comercial leve mais vendido do País, mas o total de 66 mil unidades emplacadas em 2012 é quase a metade das 117 mil Fiat Strada vendidas no mesmo período. A estratégia para se manter no encalço da líder foi acrescentar mais conteúdo à Saveiro sem mexer muito no preço. “Segundo nossas pesquisas, a versão de entrada (com cabine simples) recebeu melhorias e equipamentos pelos quais o cliente toparia pagar até R$ 2 mil a mais em relação ao modelo anterior”, disse Olival. Mas o preço vai subir só R$ 150, para R$ 33.490, e a picape básica agora vem de série com vidros e travas com acionamento elétrico, conta-giros, tampa traseira com amortecedor de abertura e a nova arquitetura eletrônica que permite a instalação de mais dispositivos opcionais, como o rádio integrado com sensor de estacionamento.

Os preços, no entanto, subiram bem mais nas versões seguintes, todas com cabine estendida. A opção de entrada sai agora por R$ 36.610 e ficou R$ 800 mais cara. A outras duas versões aumentaram R$ 1.230. A intermediária Trooper é vendida por R$ 43.390, mas já vem de série com airbags frontais, freios com ABS, rodas de liga leve, direção assistida e o I-System com ECO Confort, computador de bordo que traz dados de desempenho do carro, replica as informações do rádio e também informa ao motorista sobre a maneira mais econômica de dirigir – avisa, por exemplo, para não acelerar o carro parado, pede para fechar os vidros quando o ar-condicionado é ligado ou quando o carro passa dos 90 km/h, para diminuir o arrasto aerodinâmico.

Saveiro
Saveiro Cross tem faróis e grade frontal exclusivos para o modelo: a versão mais cara tem preço maior do que vários carros para quatro ou cinco passageiros.

A mais cara é a Saveiro Cross, com grade e faróis exclusivos para esta versão. Vem completa, com todos os equipamentos, mas sai por R$ 48.990. Apesar do preço elevado (dá para comprar vários carros no mercado brasileiro de quatro ou cinco lugares por valores menores), o marketing da Volkswagen calcula que a Cross vai abocanhar 30% do mix de vendas. “Ela tem um público muito específico, normalmente o jovem que quer um carro com visual moderno e não quer dividir com ninguém, só leva a namorada”, diz Carlos Leite, gerente de produto e marketing de comerciais leves. “Quando lançamos a Saveiro Cross (2010) pensamos que seriam 15% das vendas da linha, mas a versão foi muito bem aceita por esse público”, lembra.

Outros 62% das vendas deverão ser dos modelos básicos, cabine simples e estendida, mais direcionadas ao trabalho. “Temos boas possibilidades de aumentar as vendas do modelo com financiamento atraente, pois pequenos empresários podem usar o cartão BNDES para fazer a compra, com juros muito baixos”, diz Olival. Os restantes 8% do mix da Saveiro devem ser preenchidos pela versão Trooper. Classificada como veículo utilitário, a Saveiro recolhe só 2% de IPI até o fim de 2013.

Outro argumento de venda que a Volkswagen usa é que a nova Saveiro reduziu o preço da manutenção, com sua cesta básica de peças cerca de 5% mais barata do que os concorrentes. A picape pequena da Volkswagen também foi avaliada com a melhor nota da sua categoria na avaliação do índice de reparabilidade do Cesvi, o que tende a reduzir o gasto com o seguro.

Saveiro
Saveiro de entrada com cabine estendida (esquerda) ou simples: versões de trabalho.

MELHORIAS

Entre as diversas melhorias implementadas no projeto da Saveiro, a Volkswagen destaca a nova central eletrônica do motor, com processador mais rápido. “O motor é o mesmo (1.6 de 104 cv), mas a nova central torna seu funcionamento mais eficiente”, explica José Loureiro, gerente executivo de desenvolvimento de produto.

Loureiro também destaca a modernização tecnológica adquirida com a adoção da nova arquitetura eletrônica, que integra todas as centrais de processamento do carro, permitindo a instalação de mais funcionalidades, como a assistência de estacionamento com sensor de distância e rebatimento do retrovisor (Tilt Down) quando se engata a ré. Também foram incorporadas à picape o acendimento automático do pisca-alerta em caso de frenagem de emergência ou colisão, temporizador do limpador que se ajusta conforme a velocidade.

A segurança também melhorou com a adoção de cintos com pré-tensionador e limitador de carga, que em caso de acidente mantém o ocupante rente ao assento sem exercer pressão exagerada. A nova central eletrônica de comando dos airbags aciona as bolsas de ar com maior eficiência e rapidez, segundo a Volkswagen. Além do ABS de última geração, o diâmetro do servofreio foi aumentado de 8 para 10 polegadas, aumentando a eficácia de frenagem.

Saveiro
Nova arquitetura eletrônica tem interface no centro do painel de instrumentos (no alto, à esquerda), com várias funcionalidades.

Com tudo isso, a Saveiro ficou mais internacional, mas continuará sendo um produto extremamente local, destinado principalmente ao Brasil, com poucas unidades exportadas para mercados latino-americanos. Isso porque outros mercados costumam ser mais racionais, sem meios-termos entre modelos utilitários e de passeio. Ou se é uma coisa ou outra, ao contrário da dupla identidade da Saveiro, uma picape que, de vez em quando, até leva alguma carga, mas na maioria das vezes carrega apenas o ego do proprietário na caçamba vazia.



Tags: Volkswagen, Saveiro, design, picape, lançamento.

Comentários

  • alexandre ab valente

    gostaria de saber se vira na saveiro un motor 2.0 ou ate 1.8 porque sinto falta da força con apenas 300kilos na carroçeria

  • celia

    gostaria de saber os preços da saveiro compra com cartão bndes.

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