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Mercado | 04/04/2013 | 17h47

Motos: retração se mantém e afeta alta cilindrada

Restrição ao crédito agora é acompanhada de menor fluxo de consumidores nas revendas

MÁRIO CURCIO, AB

As fabricantes de motos instaladas em Manaus (AM) produziram 381.708 unidades no primeiro trimestre de 2013, queda de 25,1% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 509.545 unidades foram feitas pela indústria.

As vendas no atacado, feitas dos fabricantes aos seus revendedores, também sofreram retração. De janeiro a março deste ano foram 366.078 unidades, ante 468.493 em igual período do ano passado, queda de 21,9%. Os números foram apresentados na quinta-feira, 4, pela Abraciclo, associação que reúne fabricantes de motos e bicicletas.

O encolhimento do mercado está afetando também as motocicletas com cilindrada acima de 500 cc, cujos emplacamentos cresceram 10% em 2012, enquanto o setor como um todo encolheu 15,6%. No primeiro trimestre, esses modelos de maior porte tiveram retração de 12% em unidades emplacadas.

A queda de confiança do consumidor é o motivo mais provável para essa retração, já que se trata de motocicletas quase sempre utilizadas para lazer.

MENOR FLUXO NAS LOJAS E CRÉDITO AINDA ESCASSO

A restrição ao crédito que vem afetando o segmento de duas rodas desde o segundo trimestre de 2012 já não é o único motivo de retração nas vendas. A menor procura por parte dos motociclistas também esfriou o mercado. A informação dada quarta-feira, 3, pelo diretor-geral da Bradesco Financiamentos, Mauro Gouvea, foi confirmada pelo presidente da Abraciclo, Marcos Szaven Fermanian: “A redução de fluxo nas lojas é perceptível e pode ter relação com a dificuldade de obtenção de crédito. O efeito boca a boca que isso causa tende a reduzir o ímpeto da procura. Mas também é verdade que o índice de aprovação (das propostas de financiamento) continua baixo”, afirma Fermanian.

No fim de 2012, o índice de aprovação rondou a casa dos 15%, o que significa que apenas 15 propostas de financiamento eram aprovadas a cada 100 preenchidas. Atualmente, esse índice estaria em torno de 20%, segundo o executivo da Bradesco Financiamentos.

Entre os números exibidos pela Abraciclo há um pequeno indício de melhora na média diária de emplacamentos, que subiu de 5.660 em fevereiro para 6.192 em março: “Esperamos que essa média chegue a 6,3 mil unidades diárias no segundo trimestre, a 6,5 mil no terceiro e entre 6,5 mil e 6,7 mil no quarto trimestre”, diz Fermanian.

A Abraciclo mantém a projeção de crescimento de 3,7% na produção, que deve atingir 1.753.000 unidades em 2013. As vendas no atacado devem somar 1.664.000 motos no período.

EXPORTAÇÕES ESTÁVEIS

O nível de exportações no primeiro trimestre de 2013 foi muito semelhante ao registrado em igual período do ano passado. De janeiro a março deste ano foram enviadas ao exterior 22.549 motocicletas, alta de 0,3% sobre as 22.473 unidades exportadas nos primeiros três meses de 2012. A Abraciclo projeta o envio de 105 mil unidades ao exterior, mesmo número alcançado no ano anterior.



Tags: Motos, motocicletas, Abraciclo, Marcos Fermanian, Mauro Gouvea, Bradesco Financiamentos.

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