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Indústria | 01/04/2013 | 13h36

Conhecer a origem das autopeças é fator essencial

Rastreabilidade esbarra, porém, no conteúdo utilizado pelos automóveis argentinos

FERNANDO NEVES, PARA AB

“Equacionar a rastreabilidade é a questão fundamental para o setor de autopeças dentro do programa Inovar-Auto.” A afirmação foi de Paulo Butori durante sua participação no IV Forum da indústria Automobilística, realizado por Automotive Business na segunda-feira, 1º, no WTC, em São Paulo. Butori preside o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). A solução, de acordo com o executivo, pode ser simples: a autodeclaração feita pelos próprios produtores de peças. Contudo, isso esbarra em um problema fora das fronteiras brasileiras: a Argentina.

-Confira aqui a cobertura completa do IV Fórum da Indústria Automobilística.

Butori citou uma pesquisa que indica que para cada carro feito na Argentina há a presença, em valores, de US$ 16,5 mil em componentes importados. Todavia, o preço médio dos carros na Argentina é de US$ 15 mil. Assim, a conta não fecha e indica que esses componentes têm como destino final o mercado brasileiro, maior comprador de veículos produzidos no país vizinho. “Verificar a aplicação da rastreabilidade na Argentina é uma questão a ser resolvida”, afirma.

Manter a informação de origem de maneira a permitir o cálculo correto do índice de nacionalização é possível e existe na América do Norte. Leticia Costa, sócia da Prada Assessoria, disse no evento que no Nafta há um sistema de rastreabilidade que funciona dessa maneira. Ou seja, os 10% de presença de componentes importados, por exemplo, seguem ao longo de toda a cadeia para a formação do índice de nacionalização final.

A demora em fazer a regulamentação do programa (adiada de 1º de abril para 1º de junho) teria relação com o fato, revelou o presidente do Sindipeças, de o Governo Federal estar tomando muito cuidado na formulação da regulamentação por temer ações da Organização Mundial do Comércio (OMC). Butori acredita que o Inovar-Auto deveria ser posto logo em prática. Os problemas que surgissem, segundo o presidente do Sindipeças, seriam corrigidos com rapidez.

Regulamentar significa também fornecer a novos investidores um norte para atuar no País, oferecendo oportunidades de competição em diversas direções. Para Butori, a presença de novos players pode mudar o atual mapa, onde cinco empresas dominam cerca de 80% do mercado. “As novidades que vêm da Ásia – China e Coreia do Sul – contribuirão para essa mudança”, afirma. Para o setor de autopeças surgirão mais oportunidades para negócios, a despeito do fato de essas empresas trazerem boa parte de seus fornecedores do exterior.

A questão da competitividade é uma preocupação constante do setor de autopeças. Butori lembra que existem também vários fatores externos que prejudicam as empresas. E alguns também poderiam alavancar os negócios do setor. Ele exemplifica com a variação cambial, indicando que com o dólar a R$ 4 todas as empresas se tornariam competitivas da noite para o dia sem nenhum novo investimento.

INOVAR PEÇAS

O presidente do Sindipeças defende que seja criado um programa dedicado a incentivar o setor produtor de componentes, com o nome Inovar-Peças. Mas Butori é realista: “A ideia não vai andar por enquanto porque o Inovar-Auto ainda não foi regulamentado”, diz. Butori reconhece que o Inovar-Auto trará benefícios ao segmento de autopeças como a adoção da rastreabilidade de origem dos componentes e o programado aumento de compras locais de itens. Ele crê, porém, na necessidade de um programa dedicado ao setor e que já contaria com a simpatia das autoridades federais. “O governo é simpático ao Inovar-Peças e ele pode sair na sequência do Inovar-Auto. Não há prazo. Mas o Sindipeças tem esperança”, conclui.

Assista à entrevista exclusiva com Paulo Butori, presidente do Sindipeças:



Tags: Sindipeças, Paulo Butori, autopeças, rastreabilidade, Automotive Business, WTC, componentes, IV Forum da indústria Automobilística, OMC, autodeclaração.

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