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Financeiras | 20/02/2013 | 18h57

Anef projeta crescimento de 8% em 2013

Menores taxas de juros, de IPI e queda da inadimplência devem impulsionar o setor este ano

SUELI REIS, AB

A associação que reúne os bancos das montadoras, a Anef, prevê um novo recorde no saldo das carteiras de financiamento de veículos em 2013, com crescimento de 8% sobre o resultado de 2012, para R$ 217,7 bilhões. No ano passado, o saldo fechou em R$ 201,6 bilhões, volume recorde para o setor e que representou leve alta de 0,3% sobre o ano anterior. O saldo de crédito para a aquisição de veículos fechou 2012 com participação de 4,6% do PIB contra 4,9% no mesmo período do ano anterior e representou 8,5% do total do crédito do Sistema Financeiro Nacional e 27,8% do total de crédito destinado às pessoas físicas.

Segundo o presidente da entidade, Décio Carbonari, a estimativa do saldo de crédito para este ano baseia-se nos mesmos fatores que impulsionaram o mercado no ano passado: a baixas taxas de juros, o IPI menor e a redução do índice de inadimplência. O início do ano, com um janeiro atípico de vendas (leia aqui) já trouxe boas expectativas para o ano: “A safra de financiamentos em janeiro apresentou contratos de melhor qualidade, ou seja, há menor probabilidade de inadimplência na comparação com os contratos de janeiro do ano passado.”

Sobre taxas de juros, os dados da Anef mostram que os bancos das montadoras praticaram em dezembro uma taxa média de 1,25% ao mês contra 1,50% ao mês em dezembro de 2011. A taxa anual baixou de 19,56% ao ano para 16,08% ao ano, enquanto que a utilizada pelo mercado fechou 2012 em 19,90% ao ano.

Segundo ele, o IPI menor para automóveis, concedido pelo governo em maio do ano passado e que vigora até a metade deste ano (leia aqui) garantiu o crescimento de 6,1% do segmento em 2012. “O IPI teve um efeito fantástico: até maio, as vendas vinham em ritmo muito modesto, com registro de queda de 4,4% contra o ano anterior. Se não fosse a redução do imposto, não haveria resultado positivo e com certeza as vendas teriam sido menores”, argumenta.

O mercado também foi impactado positivamente com a queda contínua da taxa Selic, cujas reduções começaram em agosto de 2011 e seguiram em 2012. Para Carbonari, o cenário verificado no ano passado gerou um custo financeiro atrativo, fez subir o volume de novos contratos a partir de junho com o IPI menor e aumentou a participação das montadoras nas vendas de veículo novos.

“A participação das montadoras nas vendas de veículos novos tem sido crescente desde 2008 e aumentou mais em 2012: hoje, pouco mais da metade das vendas é realizada pelos bancos das montadoras”, disse. Vale lembrar que marcas como Fiat e Ford que têm importantes volumes no mercado não compartilham informações com a Anef, portanto, esse dado desconsidera a participação das duas marcas.

Para o segmento de caminhões e ônibus, a expectativa é ainda melhor que a de automóveis, acredita: “Acreditamos em um crescimento mais significativo, a partir de uma base muito deprimida de 2012 e impulsionada pelo giro natural da renovação de frota, que não aconteceu no ano passado, e pelas obras de infraestrutura em curso, que vão demandar mais veículos”.

INADIMPLÊNCIA

Os atrasos nos pagamentos acima de 90 dias (inadimplência) foi uma das maiores preocupações dos bancos das montadoras em 2012, ao atingir o pico de 6,1% em maio (leia aqui). Carbonari lembra a trajetória do índice: “O aumento dos atrasos começou em 2011 de uma forma que não estávamos habituados e cresceu até maio do ano passado. Com isso, as financeiras em geral adotaram políticas de restrição ao crédito que atingiu principalmente a pessoa física de baixa renda. Mas, se por um lado, as aprovações de crédito demoraram a acontecer, por outro, essas políticas geraram uma melhor qualidade dos contratos, que hoje têm baixos níveis de inadimplentes”.

O executivo revela que a entidade a Anef esperava uma redução mais rápida do índice de inadimplência, que fechou 2012 em 5,3% do saldo da carteira, abaixo do índice de atraso total de empréstimos para pessoas físicas, que está em 7,9%. Ele explica que para pessoas jurídicas, o índice de atrasos está mais resistente para cair devido a queda da atividade econômica em 2011 e o fraco desempenho que se estendeu por 2012. Para pessoas físicas, a Anef acredita em tendência de queda em 2013 em um ritmo mais acentuado que o verificado no ano passado.

“Observamos agora um movimento de ‘reciclagem’ dos contratos: estão saindo os ruins, com altos índices de atrasos nos pagamentos e entrando aqueles com níveis elevados de adimplência”, observa. Acrescentou que no curto prazo o setor poderá atingir os níveis que elencou como “os próximos da normalidade, observados até setembro de 2012, antes da crise”. Naquele ano, o índice de atrasos fechou em 4,3%.

MODALIDADES, PLANOS E PRAZOS DE FINANCIAMENTOS

O CDC continuou como a modalidade preferida dos consumidores para a aquisição de veículos leves: 51% das vendas financiadas em 2012 pelos bancos das montadoras foram realizadas via crédito direto ao consumidor, somando R$ 187,5 bilhões, alta de 8,1% sobre 2011. Com 2% de participação no mercado de financiamento, o leasing encerrou o ano com R$ 14,1 bilhões, queda de 49% sobre o ano anterior. O número de carros vendidos via consórcio foi de 8% no ano passado, modalidade que dobrou suas entregas desde 2008, quando a participação era de 4%. As vendas com pagamentos à vista representam 39% do total de 3,63 automóveis e comerciais leves novos adquiridos no ano passado.

Já para veículos comerciais pesados, que somaram 167,4 mil unidades entre caminhões e ônibus, 75% foi financiada via Finame, enquanto 11% foram adquiridos à vista, 10% comprados via CDC, 2% por leasing e outros 2% entregues por consórcio. No setor de duas rodas, com 1,6 milhão de unidades, 40% foram financiadas por CDC, 35% por meio de consórcio e 25% foram pagas à vista.

Nos contratos novos firmados em 2012, os planos máximos oferecidos pelos bancos aos consumidores foram de até 60 meses, sendo que a média caiu de 41 meses em 2011 para 38 meses no ano passado.

Assista abaixo à entrevista exclusiva de Décio Carbonari a ABTV:



Tags: Anef, financiamentos, crédito, Décio Carbonari, CDC, leasing, consórcio.

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