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| 26/12/2008 | 00h00

Análise dos fatos que marcaram o final de 2008 e as expectativas em relação a 2009

Momento difícil, com bons resultados A análise dos resultados finais do setor automotivo em 2008, que Fenabrave, Anfavea e Sindipeças farão no princípio de janeiro, não deixará dúvida: foi um ano bom em relação a 2007.

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Momento difícil, com bons resultados A análise dos resultados finais do setor automotivo em 2008, que Fenabrave, Anfavea e Sindipeças farão no princípio de janeiro, não deixará dúvida: foi um ano bom em relação a 2007. Segundo levantamento recente da Anfavea, a indústria produz em 2008 um total de 3.240 mil autoveículos (incluindo caminhões e ônibus), ou 8,83% a mais do que em 2007. O mercado interno anda em 2008 ao redor das 2.815 mil unidades (mais 14,3%), das quais 370 mil importadas (mais 33,57%) e as outras 2.445 mil (mais 11,85%) nacionais. As exportações devem cair 7,69% em unidades, para 720 mil veículos, enquanto o valor das vendas externas (incluindo máquinas agrícolas) avança 1,48%, para US$ 13,7 bilhões. A realidade dos fornecedores de componentes Os números acima não refletem a realidade atual do mercado automotivo brasileiro, já que a tendência de queda acentuou-se rapidamente nos últimos dois meses do ano. Enquanto o mercado trava no varejo, as montadoras promovem férias coletivas e levam pouco alento aos fornecedores, sem parâmetros para planejar a produção de componentes. Ainda na cadeia de suprimentos, os fornecedores de matérias-primas vivenciam impasse semelhante. Sem um horizonte claro para a evolução do real em relação ao dólar, muitos negócios ficam travados à espera de um horizonte mais claro. Para grande parte dos fornecedores de autopeças que têm cordão umbilical ligado a Detroit e outras regiões duramente afetadas pela crise financeira há o complicador de conviver com uma dose extra de incerteza sobre o futuro e as necessidades das matrizes. Previsões antes da redução do IPI Antes do governo ter lançado o incentivo do IPI e IOF, o presidente da Fenabrave, Sergio Reze, havia calculado uma queda de 19% nos emplacamentos de automóveis e comerciais leves em 2009, em relação a 2008. Depois da iniciativa fiscal ele não arriscou um palpite e preferiu esperar o efeito das medidas. “Esperamos que ocorra a interrupção da queda nas vendas, mas não temos ainda como rever as perspectivas neste momento”, declarou Reze. As montadoras anunciaram o repasse total dos benefícios para a tabela de preços dos veículos. Assim, a queda nas vendas de automóveis e comerciais leves pode ser inferior aos 19%. A recuperação do mercado acontecerá com uma recuperação da economia, maior confiança do consumidor, menor aperto do crédito no varejo e com maiores estímulos fiscais do Governo. A expectativa das montadoras locais A Ford ainda avalia o comportamento do mercado para divulgar suas expectativas em relação a 2009. Marcos de Oliveira, presidente, acredita que os números de dezembro vão mostrar uma recuperação depois do pacote de estímulo fiscal. Ele não acredita em queda brusca nas vendas e aposta em recuperação no segundo semestre. A empresa informa que pretende manter os investimentos de R$ 3,4 bilhões até 2012. A Volkswagen também deve aplicar os R$ 3,2 bilhões programados até 2011 e tem dezesseis novidades programadas, que devem reforçar a presença da marca no segmento de comerciais leves. O presidente Thomas Schmall pede que o governo reduza a taxa de juros e a carga tributária e pretende negociar maior flexibilidade dos sindicatos para evitar cortes. Outro sinal positivo vem da Toyota, que confirmou o projeto da fábrica em Sorocaba. A soma dos investimentos previstos para o setor automotivo, incluindo montadoras e seus fornecedores, é de US$ 23 bilhões até 2012. Esse valor ainda não foi revisado formalmente por Anfavea e Sindipeças depois da crise se agravar, mas deve ser alterado para baixo ou mesmo ser reescalonado em prazo maior. E o panorama global, como fica? A partir das dificuldades que explodiram a partir do mercado norte-americano, o mercado automotivo global pode representar apenas 60 milhões de unidades em 2009. A previsão foi feita pela CSM. A consultoria antecipa que a indústria global terá capacidade combinada para produzir 92 milhões de veículos. O setor deve passar por uma nova onda de consolidações e joint ventures, envolvendo nomes como Chrysler, GM, Fiat, Peugeot Citroën. Os Estados Unidos podem deixar de ter as Big 3, sobrando uma ou duas, enquanto os asiáticos ganham maior espaço. Negociações entre empresas de autopeças devem evoluir ou ser revistas diante da mudança de cenários. Sindipeças avalia tendência nos investimentos Paulo Butori, presidente do Sindipeças, revelou no início de dezembro que apenas 6% das empresas associadas à entidade pretendem aumentar os investimentos em 2009; 46% vão reduzir as aplicações e 48% vão manter seus projetos. A projeção vem de pesquisa junto a 95 empresas associadas. Ele adverte, no entanto, que a conjuntura tem mudado com muita velocidade e a intenção de investir pode mudar. Butori antecipou na ocasião que a indústria de autopeças terminaria o ano com 223,7 mil empregados, perdendo 8.200 postos de trabalho em relação a setembro. A projeção de faturamento do setor era de R$ 74,4 bilhões, um crescimento de 6,7% sobre 2007. Os usados que travam o mercado Em balanço sobre o mercado de veículos usados, publicado pelo Estadão dia 26 de dezembro e assinado por Cleide Silva e Paulo Justus, veio à tona a hipótese de haver um encalhe de um milhão de carros usados em todo o país. O preço dos usados despencou em até 30%. Como a tabela de preços dos novos movimentou-se muito menos com o efeito dos incentivos, ficou mais difícil comprar um automóvel novo dando o usado como parte do pagamento. O mercado chegou a um impasse difícil de resolver, que acaba se traduzindo em menos negócios. Para os lojistas há outro problema: pagar o IPVA dos carros em estoque no início do ano. Como lembram os jornalistas que assinam a matéria, muitos desses carros foram também comprados no período de alta. Carros mais seguros e mais caros Ainda no Estadão do dia 26, outra matéria de Cleide Silva alerta: os carros vão ficar mais seguros e mais caros. O motivo? Freio ABS, air bag, rastreador e brake light vão tornar-se obrigatórios. A questão é polêmica, porque envolve segurança, enquanto o mercado está em baixa e os preços dos carros podem avançar em até R$ 4 mil. Segundo a jornalista, em janeiro o Contran deve aprovar a obrigatoriedade de todos os carros, inclusive os populares, saírem de fábrica com ABS e air bag. A instalação será escalonada pelo fabricante até 2014. Com escala de produção crescente os novos itens obrigatórios deverão ter preço mais baixo. O governo pode contribuir também com um incentivo fiscal. Outros temas em debate: obrigatoriedade para cinto de segurança com pré-tensionador e vidros laminados nas laterais e traseira dos veículos. Em defesa da criatividade e dos projetos sociais O presidente da MWM International, Waldey Sanchez, alerta que as empresas devem enfrentar o atual momento econômico com criatividade: “Projetos sociais não podem sofrer cortes, do contrário a crise pode ser ainda pior deste ponto em diante”. A crise afeta as empresas de modo diferente Cada empresa trata de armar estratégias para defender a imagem de invulnerabilidade ou renegociar diante de dificuldades. A Kia preferiu revelar, no início de dezembro, que vivia um momento de euforia. De janeiro a novembro de 2008 a empresa registrou o melhor momento em sua trajetória de 16 anos no mercado brasileiro. Em comparação a igual período de 2007 a importadora cresceu 205% em emplacamentos, quando o mercado interno anotou aumento de 18%. A Kia Motors do Brasil acrescentou ainda que é, hoje, a maior importadora de veículos do Brasil e a décima-segunda marca do mercado brasileiro, à frente de marcas com fábrica no Brasil, como a Nissan, Mercedes Benz, Iveco, entre outras. De acordo com o presidente da empresa, que comemorava a inauguração de novas revendas no final do ano, “muitos grupos que operavam com outras marcas, decidiram mudar para a marca Kia Motors”. Ele atribui a mudança aos novos padrões de qualidade oferecidos pela Kia e à renovação da linha de produtos. Gandini estima que a Kia Motors do Brasil fecha 2008 com mais de 20 mil unidades comercializadas no varejo - um recorde. Em 2007 a importadora chegou a 7.288 unidades e seu melhor ano, até então, foi 2000 com 15.360 veículos emplacados. As expectativas para o segmento dos pesados O setor de caminhões desacelera, mas espera freio muito leve em 2009. Oswaldo Jardim, diretor de operações da Ford, disse que pode restabelecer o segundo turno de montagem no próximo ano e aposta em queda de apenas 5% do mercado de caminhões em 2009, que pode vender 112 mil unidades. Christopher Podgorski, diretor geral da Scania, acha difícil fazer previsões seguras mas admite que o segmento de caminhões pode crescer no próximo ano. Na Volvo o clima não era tão bom, depois da queda na previsão de exportações e de demissões com o ajuste na produção. Na VW Caminhões e Ônibus o clima é de mudança, depois da MAN assumir o controle acionário da empresa e tornar-se o sexto maior fabricante de caminhões do mundo. As sinergias do negócio devem aparecer em breve. Enquanto isso, o BNDES anuncia que vai financiar até 100% do valor do caminhão. De janeiro a novembro já foram comercializados 113,7 mil caminhões (contra 98,4 mil de janeiro a dezembro de 2007), mas em novembro a queda nas vendas chegou a 22% sobre outubro.

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