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Uma mistura de resultados: a indústria automotiva brasileira em 2012

Conjuntura | 21/12/2012 | 14h20

Uma mistura de resultados: a indústria automotiva brasileira em 2012

O ano começou lento e se recuperou no fim, mas a produção recuou pela primeira vez em dez anos

JULIAN SEMPLE, PARA AB

Com o ano chegando ao fim, há tempo para uma breve reflexão sobre o desempenho do mercado automotivo no Brasil, um mercado que tem entregado uma mistura variada de resultados.

Em janeiro, os analistas previam um crescimento de 4% do PIB para 2012. No entanto, assim que iniciado o segundo trimestre, a estimativa caiu para 1,2%. Os cinco primeiros meses acumularam queda de 4,8% nas vendas dos veículos, o que por sua vez desencadeou em incentivos do governo, como a redução do imposto industrial (IPI) em uma média de 5% a 7%, dependendo do tamanho do motor. O incentivo foi prorrogado duas vezes durante 2012 e chegou até o fim de dezembro, quando o governo decidiu estender o benefício para 2013, mas desta vez com alta gradual da tributação até o meio do ano (veja aqui).

As importações também foram afetadas por causa do aumento de 30 pontos porcentuais do IPI, introduzido ainda em dezembro de 2011. Neste ano até novembro, o total de importações a partir de países que são submetidos ao imposto de importação de 35% caíram 33,5%. No entanto, as importações provenientes de países com os quais o Brasil assinou acordo de comércio para isenção do imposto, como Argentina e México, cresceram 1,9%. Importações do México cresceram 75% este ano, forçando o governo a tomar medidas para restringir o número de carros mexicanos que chegam ao Brasil. Em abril, foram fixadas quotas de importação não sujeitas ao imposto de importação, definidas entre os dois países em US$ 1,45 bilhão em 2012 e passando a US$ 1,64 bilhão em 2014. Veículos que excederam a quota foram submetidos ao imposto de 35%.

As vendas de veículos comerciais, cerca de 20% menores, também foram prejudicadas por causa da antecipação das compras de modelos Euro 3 em 2011, com preços mais baixos do que os Euro 5 vendidos a partir de janeiro de 2012. Com isso, a produção de caminhões no País termina o ano com queda acentuada, em torno de 40%. Mas a recuperação tem sido vista nos últimos dois meses, graças às taxas mais baixas de financiamento e à recuperação da indústria.

A produção automotiva local tem anotado queda de 2% em relação ao ano passado, a primeira em dez anos, atribuída à retração de 20% nas exportações. O excesso de capacidade produtiva em muitos mercados globais está dificultando as exportações, mas deve-se notar que os mercados de exportação representam apenas 13% da produção local, ao contrário de muitos outros países que dependem principalmente desse tipo de operação.

Mais uma notícia positiva é que este foi um ano importante para o lançamento de novos modelos pelas fabricantes instalas no Brasil, e alguns veículos também têm sido desenvolvidos localmente ou na sedes globais especialmente para o mercado brasileiro. Entre os destaques estão os Chevrolet Onix, Fiat Grand Siena, novo Ford EcoSport e Hyundai HB 20.

A Hyundai abriu sua primeira planta de propriedade integral para fabricar o novo compacto HB 20. A Toyota também inaugurou sua segunda fábrica para fazer o compacto Etios, lançado primeiramente na Índia. E outras montadoras, incluindo BMW, Chery, Fiat, JAC Motors e Nissan, estão construindo fábricas que serão inauguradas nos próximos dois anos.

Impulsionado por incentivos, o mercado se recuperou depois de um início lento, e o ano deve terminar com crescimento de 5,2% nas vendas totais de veículos. Em 2013, é esperado que o Brasil tenha expansão de 4% do PIB e a mesma taxa é prevista tanto para produção como para vendas de veículos.



Tags: Mercado, retrospectiva 2012, análise, vendas, produção, exportação.

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