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Indústria | 20/12/2012 | 20h40

Chery prepara recuperação em 2013

Empresa se habilita ao Inovar-Auto e poderá importar 37,5 mil carros por ano sem o IPI extra

PEDRO KUTNEY, AB

Após um ano difícil, com queda em torno de 30% nas vendas sobre 2011, causada pela sobretaxação aos veículos importados, a chinesa Chery se prepara para a retomada. A empresa investe US$ 400 milhões para construir uma fábrica com capacidade para 150 mil unidades/ano em Jacareí (SP), a ser inaugurada em novembro de 2013. Assim a Chery se habilita como investidor ao novo regime automotivo, o Inovar-Auto, e poderá importar até 37,5 mil veículos/ano (25% da produção prometida) sem pagar a sobretaxa de IPI de 30 pontos porcentuais, desde que sejam modelos similares aos que serão fabricados no interior paulista – no caso, o compacto Celer, nas versões sedã e hatch. Com isso, a expectativa é vender 35 mil carros durante o próximo ano, contra apenas 15 mil em 2012, e voltar ao ritmo de crescimento acelerado observado em 2011.

“Pelo novo regime, poderemos trazer da China o Celer e o QQ sem pagar os 30 pontos, pois são carros da mesma categoria do Celer que será feito em Jacareí”, explica Luis Curi, vice-presidente e diretor comercial da Chery Brasil. Ele acrescenta que também estarão isentos da sobretaxação de IPI e do imposto de importação o utilitário esportivo Tiggo e o compacto Face, ambos trazidos do Uruguai, onde a Chery mantém uma unidade de montagem com partes importadas (CKD). Os dois modelos entram numa cota de isenção acertada entre os governos brasileiro e uruguaio, de até 20 mil veículos/ano sem taxação. “Pretendemos trazer do Uruguai 7 mil Face e 5 mil Tiggo em 2013”, diz Curi.

Com a estratégia de encaixar na cota do Inovar-Auto o Celer e QQ (responsável por quase metade das vendas no Brasil) e trazer do Uruguai Tiggo e Face, em 2013 a Chery só pagará os 30 pontos adicionais de IPI sobre dois modelos importados da China: o hatch S-18 e Cielo sedã e hatch, que somados mal venderam pouco mais de 2 mil unidades este ano. Mesmo assim, a Chery pretende absorver em suas margens a sobretaxação, sem aumentar preços. “Essa é a vantagem de ter uma operação que pertence à casa-matriz: podemos negociar com eles o prazo no pagamento dos veículos. Mesmo que não conseguíssemos o desconto do IPI este ano, iríamos absorver o custo extra até que a fábrica ficasse pronta”, afirma Curi.

HABILITAÇÃO ATRASADA

Curi conta que a Chery foi uma das primeiras empresas a pedir sua entrada no regime previsto no Inovar-Auto. “Logo que saiu a regulamentação, em outubro, fizemos um estudo e vimos que nos enquadrávamos em tudo. Fomos a oitava empresa a protocolar no Ministério do Desenvolvimento o pedido de adesão”, diz o executivo. Contudo, até a penúltima semana de dezembro a habilitação ainda não tinha saído. “Houve um problema burocrático que atrasou um pouco o processo. O representante e procurador anterior da empresa no País não tinha garantias financeiras para aderir ao regime, que prevê multas pesadas para quem não cumprir suas exigências e metas. Assim tivemos de apresentar outro responsável pela empresa, com garantias da Chery na China. Por isso precisamos também passar por trâmites do governo chinês que é o dono da empresa. Mas já está tudo resolvido e esperamos a habilitação para os próximos dias”, explica.

Até a última semana do ano, estavam parados no pátio do Porto de Vitória (ES), à espera da habilitação, 3,7 mil carros – 1,8 mil chegaram há 60 dias e outros 1,9 mil há 30 dias. Entre eles está o Celer, que será fabricado no Brasil a partir de novembro. Por isso a Chery atrasou o lançamento do modelo no País. “Assim que saiu a regulamentação fizemos o pedido de importação à China. Mas vamos esperar nossa habilitação para fazer a nacionalização dos veículos sem o pagamento do adicional de IPI”, diz Curi. Mesmo durante 2012, a Chery só pagou o IPI extra de cerca de 2 mil veículos. Isso porque a empresa importou 17 mil carros nos três meses finais de 2011 e conseguiu formar um estoque grande antes que o imposto fosse aumentado, em dezembro daquele ano.

A Chery só pediu a habilitação como investidor e deixou para sua antiga representante no Brasil, a Venko Motors, caminho aberto para aderir ao Inovar-Auto como importadora dos modelos Rely, marca da linha de veículos utilitários da montadora chinesa. Se for habilitada, a Venko poderá trazer até 4,8 mil unidades por ano sem pagar o IPI extra. Quando a Chery assumiu a operação brasileira para poder usufruir dos benefícios do novo regime automotivo, concedeu como compensação à Venko a representação da Rely. A marca já se associou à Abeiva, que reúne os importadores sem fábrica no País, e deve começar a trazer veículos da China a partir de janeiro.

FÁBRICA, FORNECEDORES E MERCADO

Curi informou que está adiantado o processo de escolha de fornecedores para a fábrica brasileira da Chery. Segundo ele, sete empresas chinesas já confirmaram que vão acompanhar o cliente no Brasil e algumas estão em negociação com fabricantes locais para a formação de possíveis joint ventures. Também já foram homologados 10 fornecedores brasileiros, principalmente pequenas e médias empresas que vão compor a cadeia de suprimentos. Além desses, estão na lista alguns dos maiores sistemistas globais, como Delphi, Lear, Johnson Controls e Bosch, que já são fornecedores da Chery na China e não precisam fazer homologação outra vez para fornecer aqui. “A ideia é fazer uma Chery City com alguns dos principais fornecedores perto da fábrica em Jacareí. A prefeitura já colocou algumas áreas para isso à disposição”, diz Curi.

Ele acrescentou que até o fim de janeiro devem chegar da China as estruturas metálicas para terminar as obras civis da planta. Depois chega o maquinário de produção, também de origem chinesa, que recebeu isenção de impostos de importação (ex-tarifário), como investimento em ativo-fixo. Todo o investimento no Brasil está sendo bancado pela Chery, sem financiamento do BNDES.

No primeiro ano de funcionamento, a fábrica está projetada para produzir 50 mil unidades do Celer hatch e sedã (ambos começam a ser produzidos ao mesmo tempo). No ano seguinte o ritmo cresce para 70 mil veículos e a expectativa é atingir o potencial de 150 mil/ano no em 2015. “Esperamos vender 150 mil carros e ter 3% do mercado em 2016, quando estimamos que o mercado brasileiro atinja a marca de 5 milhões de unidades por ano”, projeta.

O número de concessionárias da Chery no Brasil, que chegou a 105, este ano caiu para 82 e deve permanecer nesse patamar durante 2013. “Achamos um número adequado para o ritmo atual dos negócios”, avalia o executivo.

BANCO CHERY

Curi revelou que a empresa também deverá criar o Banco Chery no Brasil, como forma de apoiar o financiamento dos carros da marca no País, assim como já fazem outras montadoras. O braço financeiro deve ser formalizado durante 2013. O chefe financeiro da Chery, Wang Shaofeng, recentemente e visitou os maiores bancos brasileiros para negociar possíveis parcerias e associações.

Assista abaixo a entrevista exclusiva de Luis Curi a ABTV:



Tags: Chery, Luis Curi, Inovar-Auto, regime automotivo, investimento, Jacareí.

Comentários

  • Antônio Fernandes Dantas

    A entrevista com Luis Curi, vice-presidente da Chery, foi animadora de certa forma para quem já é cliente da Chery, no entanto, continua sem explicação o cdescaso da montadora com seus clientes, que tiveram inumeras concessionarias fechadas em 2012 e uma desvalorização sem igual dos veiculos adquiridos por quem confiou na marca. Agora me parece muito dificil uma reação da Chery num mercado brsileiro contemplado nos ultimos meses por carros da Hyndai, como HB20, Chevrolet, como Onix, Toyotta, como Etios, e outros, que investem pesado em marketing e ganharam confiança dos clientes. Não sei q

  • Fabíola

    blá...blá...blá....eles deveriam focar no pós vendas e dar uma assistência para quem JÁ COMPROU UM CHERY! Afinal as pessoas trocam de carro e, eu ao adquirir um QQ, considerei a hipótese de trocar por um Cielo...mas dadas as reclamações e a falta de estrutura para atendimento, desisti!

  • Angela Teixeira

    Apesar da declaração do vice da Chery, em 8.1.13 as concessionarias continuam vazias. Como é que uma concessionaria pode sobreviver financeiramente sem caros para vender? Só a oficina não dá lucro. A declaração do vice da Chery não convence. Onde stão os carros?

  • Luiz Carlos

    Porque a Chery NÃO DISPENSA UM TRATAMENTO RESPEITO COM RELAÇÃO AOS SEUS CLIENTES/COBAIA COMO EU COM UM FACE QUE VIVE DANDO PROBLEMA ELES NÃO ESTÃO NEM AI PARA QUEM UTILIZA O VEÍCULO PARA O TRABALHO. O CARRO QUE ME DEIXOU NA MÃO UMAS 5 VEZES POR PROBLEMAS PEQUENOS (ATÉ RIDÍCULO, UMA PEÇINHA ESCAPOU ALI, OUTRA AQUI E LA VEM O GUINCHO E DEPOIS A ESPERA DA TAL PECINHA, LA SE VÃO 15 DIAS DE ESPERA E O PREJUÍJO?

  • Silvano Campini

    A leitura desta matéria trouxe um alivio a quem, como eu, comprou um carro da Chery e via como incerto o futuro da marca no Brasil. Entendo que o nosso governo mudou as regras no meio do jogo talvez a pedido das outras montadoras aqui estabelecidas há décadas e que ficaram alarmadas com a chegada dos carros chineses, mais equipados e bem mais baratos. Presumo que até a importação das autopeças ficou prejudicada, mas a Chery (ou Venko) também tem um bocado de culpa, porque deixou os seus clientes à deriva sem saber ao certo como ia ficar a questão da garantiia e das revisões, itens que vem sendo desrespeitados com a maior desenvoltura pelas concessionárias Chery, uma das quais chegou a afirmar que o câmbio do Cielo tem somente 6 meses de garantia e outra que está cobrando R$ 370,00 na revisão de 2500 km do QQ.

  • Alexandre

    Como o Curi disse que em 2013, a CHERY, não vai abrir nenhuma CSS, ou seja, no estado inteiro do PARANA não existe nenhuma, e vamos continuar sem CSS, um verdadeiro absurdo!!!!!!!!!!

  • elson

    segundo todos estes relatos e tudo enganacão, porque se continuar vendendo carro enrrolados com a documentacão isto e crime

  • Cristovão Simões Batisdta

    Moro em Manaus, tenho um QQ que adoro, a revendedora fechou e não comunicou aos proprietários, estou precisando de peças para frio dianteiro e traseiro, borrachas para suspensão, filtro de oléo, onde comprar se não existe aqui, estou desesperado e triste. Por favor, me ajude. Grtao, Cristovão

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