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Nissan entrega mais oito táxis elétricos
Em cerimônia de entrega dos veículos, prefeito Gilberto Kassab ao lado esquerdo de Tai Kawasaki, diretor de pós-vendas da Nissan

Elétricos | 13/12/2012 | 19h40

Nissan entrega mais oito táxis elétricos

Empresa tem dez Leaf rodando na capital paulista

CAMILA FRANCO, AB

A Nissan do Brasil cumpre a sua promessa e coloca em circulação mais oito Leaf, veículo 100% elétrico, na cidade de São Paulo a partir da quinta-feira, 13. A iniciativa faz parte do “Projeto Piloto de Táxi Elétrico” , viabilizado por uma parceria entre montadora, Prefeitura de São Paulo, AES Eletropaulo e Associação das Empresas de Táxi do Município de São Paulo (Adetax), que em junho deste ano já havia cedido dois Leaf importados do Japão em comodato por três anos às empresas frotistas Taxi Sampa e Alô Taxi – ambas com ponto na esquina da Avenida Paulista com a Consolação (leia aqui). Agora, com a segunda etapa do projeto, São Paulo tem a sua primeira dezena de elétricos e está apta a transportar uma média de 50 passageiros por dia sem poluir o meio ambiente.

“Essa fase é mais um marco para o desenvolvimento de elétricos não só em São Paulo, maior cidade do País, mas no Brasil. Temos orgulho de fazer parte do futuro dos veículos”, declarou Tai Kawasaki, diretor de pós-vendas da Nissan, durante a cerimônia de entrega dos novos táxis à Adetax, em São Paulo, na quinta-feira.

O executivo não revela quanto foi investido pela montadora, responsável por todos os custos de aquisição, importação e manutenção dos elétricos. Mas diz que em apenas seis meses foi possível divulgar a tecnologia para mais de 2 mil passageiros. “Os nossos custos têm sido compensados. É muito cedo para fazer um balanço, mas estamos contentes com o que temos ouvido dos taxistas e pretendemos lançar novas fases do projeto no futuro”, adianta. No início de 2013, outros cinco táxis elétricos deverão ser entregues. A Nissan aposta que 20% da frota mundial serão de automóveis elétricos em 2020.

Os novos oito Leaf ficarão espalhados pela cidade, em vagas autorizadas pela prefeitura. Dois deles também terão ponto na esquina da Avenida Paulista com a Consolação, três em frente ao Teatro Municipal de São Paulo, no centro, e outros três na Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini.

Com o volume maior da frota, a Eletropaulo, que no início da iniciativa instalou sete postos de carregamento nas empresas frotistas, acaba de inaugurar mais cinco deles em concessionárias Nissan nos bairros da Lapa, Tatuapé, Vila Guilherme, Vila Olímpia e Vila Prudente. “Os sete primeiros carregam 100% da bateria de íon lítio do Leaf, com autonomia de 160 quilômetros, em oito horas. Os taxistas costumam fazer o procedimento durante a noite. Já os cinco novos, de carga rápida, carregam em até 30 minutos, serão usados principalmente durante o dia pelos motoristas”, explica Sidney Simonaggio, vice-presidente comercial e de operações da Eletropaulo.

Segundo Simonaggio, a empresa investiu R$ 1 milhão em infraestrutura para abastecimento dos Leaf. “É um valor alto porque os postos de carga rápida precisam de cabos e transformadores adequados a uma corrente elétrica mais alta. Já os de carga lenta, mais baratos, podem ser instalados em qualquer residência facilmente, basta ter uma tomada de 220 volts.” Ele calcula que se todos os veículos de São Paulo fossem convertidos para eletricidade, o consumo da cidade aumentaria pouco. “O crescimento ficaria entre 5% a 10% a mais do que o atual.”

Caberá a Adetax, que reúne 54 empresas atualmente, realizar estatísticas sobre o desempenho dos veículos nos três anos do empréstimo e comunicar a Nissan eventuais problemas. “Até agora os dois veículos não tiveram defeitos. Rodaram de segunda à sexta, em uma média de seis horas por dia, nos seis meses”, conta Ricardo Auriemma, presidente da associação. Ele diz que as dez empresas foram selecionadas por terem apresentado grande interesse logo no início da ideia.

Este foi o segundo evento que acontece na cidade envolvendo táxis com motorização elétrica nesta semana. Na terça-feira, 11, a Toyota entregou 20 unidades do híbrido Prius (leia aqui). Presente na cerimônia de entrega dos Leaf, o prefeito Gilberto Kassab elogiou o projeto. “É um avanço significativo em políticas públicas de sustentabilidade. Esse é o futuro do Brasil. Se pudesse começar o meu mandato agora, criaria mais planos para aumentar as frotas de veículos movidos exclusivamente a eletricidade. Peço que a Nissan procure o novo prefeito e proponha a manutenção desse projeto audacioso e de sucesso por toda a sua gestão. Se os táxis podem ser movidos a eletricidade, qualquer veículo também pode.”

EXPERIÊNCIA

Os taxistas que já dirigiram os Leaf por seis meses, depois de treinamento oferecido pela Nissan, falaram bem do carro elétrico. José Antônio Nunes, há 36 anos taxista em São Paulo, diz que percorre 160 quilômetros com gastos de R$ 9 com eletricidade, enquanto um veículo a gasolina precisaria em média de R$ 40 para fazer a mesma distância.

“É um elétrico, mas tem um arranque de um 2.0, um deslanche de 1.8 e potência de uns 107 cavalos. Anda como qualquer outro carro, além de ser confortável”, declara Nunes, da Alô Táxi. Ele já percorreu mais de 11 mil quilômetros no período, carregando em média cinco passageiros por dia e abastecendo apenas um vez. “Já levei mais de mil passageiros. Nenhum deles em todo esse tempo reclamou do Leaf. Pelo contrário, só fizeram elogios e ficaram muito interessados em comprá-lo”, completa.

Alberto Ribeiro, da Taxi Sampa, é o outro motorista que já passou pelo projeto. Afirma estar contente por ter sido um dos escolhidos. “Trabalhar com esse carro significa para mim a conquista de uma nova rotina em 20 anos de profissão. Usei o Leaf em trajetos para outras cidades da região metropolitana de São Paulo e ele não me deixou na mão.”

PRODUÇÃO INVIÁVEL

Apesar de mais esse passo rumo à eletrificação, o diretor de pós-vendas da Nissan descarta a produção do Leaf no Brasil, pelo menos por enquanto. Ele diz que já foram vendidos mais de 43 mil unidade do modelo pelo mundo desde dezembro de 2010, quando foi lançado. Atualmente, ele é comercializado no Japão, Portugal, Inglaterra e nos Estados Unidos.

“O empecilho para trazê-lo ao Brasil está na falta de incentivos governamentais. Mesmo com o Inovar-Auto, que defende a redução do consumo de combustíveis, o veículo custaria muito caro para o consumidor por ser importado, em torno de R$ 200 mil”, declara o executivo.

Segundo a Nissan, nos Estados Unidos, graças a generosos incentivos governamentais a carros elétricos, o Leaf tem preço oficial de US$ 35 mil, mas o governo federal garante desconto de US$ 7 mil e algumas cidades oferecem benefícios locais que podem chegar a US$ 3,5 mil, fazendo o valor do automóvel baixar para US$ 24,5 mil.

“Não descartamos a hipótese de fazê-lo por aqui. Torcemos muito por isso, aliás. Mas por enquanto é inviável”, conclui o diretor.



Tags: Nissan, Leaf, táxi, elétricos, Eletropaulo, São Paulo, Adetax, Gilberto Kassab.

Comentários

  • Eduardo Ferreira

    Um carro super economico, silencioso e confortável, o sonho de todos os taxistas. Falta somente o incentivo do governo brasileiro, para atrair a fabricação em série no País. Eduardo Ferreira Dir. Táxi do Brasil

  • gislaine

    sou filha de taxista e fiquei muito animada com a reportagem do carro da nissan leaf gostaria de saber como difundir esta noticia aqui em porto alegre nem prefeitura muito menos sindicatos se mexem para beneficiar esta classe desde ja obrigada gislaine

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