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Trabalho | 29/11/2012 | 19h30

Sindicato recusa proposta da Bosch em Curitiba

Entidade quer aumento real de 3% e acusa empresa de assédio moral

REDAÇÃO AB

Seguem tensas as negociações por reajuste salarial na fábrica de sistemas diesel da Bosch em Cutitiba (PR), onde paralisações de protesto de uma hora em cada turno estão sendo convocadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), que acusa a empresa de assédio moral de chefes contra a mobilização dos trabalhadores e recusa em dialogar sobre a proposta de aumento. O sindicato pede reposição integral da inflação dos últimos 12 meses mais 3% de aumento real, além de abono de R$ 4 mil. A Bosch nega as alegações dos sindicalistas e informou que apresentou contraproposta na última segunda-feira, dia 26, oferecendo reposição de 6% pelo INPC mais 1,5% (7,5% no total), com abono de R$ 3,5 mil, bem como antecipação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 2013 com aumento de 7,5% em relação ao valor pago em 2012 para o cumprimento de 100% das metas.

A empresa alega, no entanto, que sua oferta só foi apreciada na quinta-feira, 29, e mesmo assim apenas parcialmente. “A Bosch reitera que respeita a liberdade de manifestação de seus colaboradores e esclarece que já apresentou para o sindicado duas propostas específicas sobre a data-base. Apenas uma proposta foi apresenta para parte dos colaboradores, contudo a empresa entende que as assembleias para as negociações devem ser previamente convocadas e devem contemplar todos colaboradores de todos os turnos”, sublinhou a Bosch em comunicado divulgado também no dia 29.

Segundo Nelson Silva de Souza, diretor de mobilização do SMC, a contraproposta da empresa foi recusada pelos trabalhadores dos dois turnos de trabalho na quinta-feira. Ele insistiu que as chefias estão praticando assédio moral para impedir trabalhadores de participar das manifestações convocadas pelo sindicato: “Chegam a fazer sete reuniões por dia e as chefias intimidam os empregados”, acusou.

A empresa respondeu por meio de comunicado: “A Bosch não incentiva ou compactua com qualquer tipo de prática de assédio moral. Portanto, as acusações feitas pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba – em comunicado veiculado em 28/11 – não procedem e a empresa e sua unidade fabril paranaense repudiam qualquer tratativa oriunda desse tipo de ação.”

Outro ponto de desgaste entre empresa e sindicato é a proposta apresentada pela Bosch que prevê a flexibilização na jornada de trabalho, para ser utilizada em momentos de crise (como ocorreu este ano), com a introdução de até 12 dias úteis de licença não remunerada, com desconto máximo de um dia por mês. Souza afirma que os trabalhadores recusam a medida. A empresa alega que sua oferta “é diferente da reivindicada pelo sindicato somente no que se refere à quantidade de dias (12 contra 10), e que esta se aplica a todos os cargos e níveis da empresa”, segundo comunicado distribuído no dia 26.

Diante do impasse nas negociações, o sindicato informa que as paralisações e manifestações vão continuar, e a Bosch afirma que “está avaliando os próximos passos a serem dados sobre este tema”.

A Bosch tem cerca de 2,5 mil empregados em Curitiba e precisou fazer demissões este ano. A unidade, que fabrica sistemas de injeção e bombas para motores diesel, foi duramente atingida pela queda da produção de veículos comerciais no País. A retração na fabricação de caminhões de janeiro a outubro atingiu quase 40% em relação ao mesmo período de 2011, causada principalmente pela mudança na legislação de emissões do Proconve P7, que obrigou à adoção de motorização Euro 5 e tornou esses veículos de 8% a 15% mais caros, resultando em recuo brusco das vendas.



Tags: Bosch, Curitiba, Paraná, metalúrgicos, data-base, reajuste, salário, greve, paralisação.

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