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Fabricantes voltam o olhar para emergentes
Diretor de comunicação da Mercedes-Benz abre a primeira coletiva de imprensa do IAA 2012.

Comerciais | 18/09/2012 | 18h05

Fabricantes voltam o olhar para emergentes

Montadoras confirmam apostas durante o IAA, maior salão mundial do setor

GIOVANNA RIATO, AB | De Hannover, Alemanha

O IAA Veículos Comerciais, maior salão de caminhões e ônibus do mundo, abriu as portas para a imprensa na terça-feira, 18, em Hannover, na Alemanha. Na mostra, os fabricantes do setor mostram os novos modelos Euro 6, que atendem a uma etapa mais apertada da legislação de emissões para veículos comerciais, que entra em vigor em 2014 na União Europeia. O assunto, no entanto, não dominou completamente o primeiro dia da exposição. Com o fraco desempenho da economia e das vendas na Europa, as montadoras fizeram questão de reforçar a aposta nos mercados emergentes.

Ao contrário do que era possível esperar com a economia em retração, o clima da abertura da mostra foi otimista. Mesmo com a exposição menor do que em anos anteriores, os dirigentes das grandes marcas fizeram questão de mostrar fôlego novo, indicando que a crise econômica estimulou a busca por novos rumos.

A sigla Bric, que descreve o bloco de países emergentes composto por Brasil, Rússia, Índia e China, foi citada nas coletivas de imprensa com quase tanta frequência quanto foram apresentados novos produtos. Vender e produzir caminhões e ônibus nessas regiões deixou de ser um projeto para se transformar em ações e investimentos.

Nesse aspecto, a Mercedes-Benz larga na frente, com maior presença internacional. A empresa assegura já ter estrutura firme nos principais mercados mundiais, enquanto suas concorrentes engatinham em alguns emergentes. Além da operação no Brasil, a montadora está na Índia com joint venture com Bharat, na China, em parceria com a Foton, e na Rússia, aliada à Kamaz.

"Queremos ser o mais global possível e o mais local necessário", determinou Andreas Renschler, membro do conselho de administração da Daimler, durante apresentação. Segundo ele, a meta significa aumentar o compartilhamento de componentes e reduzir custos com plataformas comuns em todo o mundo enquanto adapta os modelos para as necessidades de cada país.

O executivo divulgou a meta de ampliar as vendas mundiais dos 425 mil caminhões registrados em 2011 para 700 mil em 2020. Ele mesmo admite que a expansão será fortemente sustentada pelos Brics.

Já a MAN, principal adversária da marca da estrela no Brasil, tem presença mundial menos expressiva. O grupo, que controla a Volkswagen Caminhões e Ônibus, ainda engatinha na China, mas já realizou uma ofensiva importante na Índia. A empresa aproveitou o IAA para anunciar que comprou a participação de sua parceira no país e agora controla 100% da operação na região com os caminhões da Force.

A China é o próximo alvo, dessa vez no segmento de ônibus. Harmut Schick, presidente do grupo para o segmento, anunciou que a fábrica brasileira de São Bernardo do Campo (SP) será base de exportação de chassis para o país asiático. "Há demanda de encarroçadores por isso. Será a nossa porta de entrada", explica. A companhia aproveita o IAA para fazer reuniões sobre o tema e analisar os possíveis parceiros.

A apresentação da empresa para os jornalistas de todo o mundo contou com discurso do brasileiro Roberto Cortes, presidente da MAN Latin America. Ele afirmou que, depois da forte retração das vendas no Brasil, os incentivos do governo, que reduziu as taxas do BNDES/Finame a 2,5% ao ano, começam a dar resultado no mercado. "A procura cresceu muito. Estou confiante de que isso levará a uma recuperação da indústria", anunciou.

A holandesa DAF, controlada pela Paccar, apontou o Brasil como ponto importante do desenvolvimento mundial de seus negócios. A empresa constrói fábrica em Ponta Grossa (PR), com investimento de US$ 300 milhões. A expectativa é de que a unidade comece a produzir no próximo ano e dê impulso aos negócios da companhia.

Harrie Schippers, presidente da companhia, garante que os negócios globais seguem em curva de crescimento. "Vendemos 5,4 mil caminhões fora da Europa no ano passado. Apesar de parecer pequeno, o volume é mais dos que o dobro do registrado no ano anterior", explica. Segundo ele, até junho deste ano o crescimento da marca fora da Europa chegava a 14%.

EURO 6

Enquanto o mercado brasileiro permanece estremecido após a mudança na legislação de emissões para veículos comerciais no início deste ano, quando a norma passou de Euro 3 para Euro 5, a Europa segue tranquila rumo ao Euro 6. A norma entra em vigor no início de 2014 na região.

Desde já, no entanto, é possível ver os modelos novos nos estandes do IAA e até nas estradas do continente. Mesmo antes de ser obrigatórios, os clientes já começaram a comprar. Na Mercedes-Benz, por exemplo, a versão Euro 6 do extrapesado Actros já responde por cerca de 30% das vendas do modelo.

O movimento acontece mesmo diante do aumento em torno de 10% no preço dos caminhões, com variações de uma marca para a outra. Diversas empresas apontam que a redução no custo de propriedade é um elemento importante para convencer o cliente da aquisição. Parte dessa diminuição é estimulada pelos governos, que oferecem, por exemplo, desconto em pedágios para caminhões com a tecnologia mais avançada.



Tags: caminhões, ônibus, IAA, Hanover, Mercedes-Benz, MAN.

Comentários

  • Abelardo

    a Daimler está na Índia com uma operação 100% Daimler. A marca local, Bharat-Benz, é uma operação 100% Daimler, sem qualquer joint-venture.

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