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Negócios | 03/08/2012 | 21h00

Com Etios, Toyota quer decolar no Brasil

Marca projeta dobrar vendas em 2014

PEDRO KUTNEY, AB

“Como se diz na linguagem da aviação, entramos em V2”, diz Luiz Carlos Andrade Jr., vice-presidente da Toyota do Brasil, em alusão a um avião na pista que atinge velocidade na qual não é mais possível abortar a decolagem. Após mais de 60 anos no País em velocidade reduzida (foi a primeira operação da empresa fora do Japão), só agora a Toyota tomou as providências necessárias para realizar essa decolagem, com a inauguração da nova fábrica de Sorocaba (SP) na próxima quinta-feira, 9, e o subsequente lançamento do Etios, um compacto popular em versão hatch e sedã projetado para mercados emergentes – eufemismo comumente usado para definir carros mais baratos, de baixo custo e conteúdo tecnológico limitado.

Com o novo modelo, que chega às 133 concessionárias da marca japonesa no Brasil até o fim de setembro, Andrade avalia que a Toyota entra em fase de crescimento empinado no País, com perspectiva de mais que dobrar as vendas, de pouco menos de 100 mil unidades este ano – sendo 55 mil Corolla e 40 mil Hilux, os dois únicos modelos fabricados no Mercosul até agora –, para mais de 200 mil em 2014.

A fábrica de Sorocaba recebeu investimento de US$ 600 milhões e terá capacidade inicial de produzir até 70 mil Etios por ano, exatamente o que a Toyota espera vender em 2013. Para chegar aos 200 mil de 2014, Andrade deixa escapar que a unidade no interior paulista poderá produzir mais do que apenas dois modelos: “Poderemos fazer outras coisas.”

Não por acaso, mesmo antes de começar a produzir, a planta paulista já supera algumas expectativas: “Tínhamos a estimativa inicial de contratar 1,5 mil empregados (quando a construção foi anunciada, há dois anos), mas já estamos em quase 2 mil”, conta Andrade. Isso porque, com as projeções otimistas na mão, os executivos da Toyota já cogitam iniciar a operação em dois turnos de operação.

A OPINIÃO DE MARK HOGAN

O Etios e a nova fábrica estavam nos planos da Toyota para o Brasil desde o fim de 2006. A unidade deveria ter sua construção iniciada em 2008, “mas a crise financeira atrasou o projeto”, admite Mark Hogan, que desde 2010 tem assento no conselho consultivo da Toyota Motor Corporation. Ele veio ao País para “experimentar” o Etios e para a cerimônia de inauguração no próximo dia 9 – e deverá vir muitas vezes mais agora que operação brasileira cresceu, para assegurar sua decolagem sem sobressaltos.

Hogan está atualmente entre as pessoas mais ouvidas pelo CEO da Toyota, Akio Toyoda, de quem é amigo pessoal. Toyoda contratou o veterano da General Motors para aconselhá-lo em 2010, logo após o escândalo envolvendo milhões de carros com problemas mecânicos. A opinião de Hogan vale bastante sobre mercado brasileiro, pois ele o conhece desde que foi presidente da GM Brasil entre 1992 e 1997 (período em que implementou os principais projetos da empresa aqui, aprendeu a falar português e até a tocar tamborim na bateria da Portela). Com ginga incomum a um americano, o conselheiro pode ensinar a Toyota a pisar em um terreno que não conhece bem: a dos carros de baixo custo para países emergentes.

Hogan disse que ficou um pouco apreensivo quando soube que o Etios, fabricado na Índia desde 2010, também seria vendido no Brasil. “Verifiquei as especificações do carro, porque o mercado indiano e o brasileiro são completamente diferentes. Na Índia tudo é completamente congestionado, os carros andam pouco.” Por isso ele ficou aliviado em saber que a engenharia da Toyota no Japão fez várias mudanças estruturais no Etios brasileiro, como aumentar em 15% a rigidez do aço da estrutura.

“Andei no carro hoje (quinta-feira, 2) e achei a suspensão muito bem ajustada. Também percebi que o nível de ruído interno é muito baixo”, contou Hogan, que tem larga experiência em projetos de compactos. Depois de passar pela GM do Brasil, ele voltou à matriz nos Estados Unidos para chefiar o desenvolvimento de veículos pequenos. Saiu da GM em 2004 como vice-presidente de desenvolvimento avançado, para assumir a presidência da canadense Magna.

Hogan assegura que os brasileiros poderão comprar um Toyota mais barato com o mesmo padrão de qualidade que tornou famosos os carros da marca. “A fábrica de Sorocaba segue os rigorosos princípios de manufatura da Toyota e tem níveis altíssimos de confiabilidade”, garante.

PRODUTOS DIFERENTES, PADRÃO IGUAL

A Toyota quer transferir sua boa reputação ao seu novo modelo emergente. Por isso não pretende mudar a forma de se apresentar e de se comunicar. “De início, pensamos que talvez fosse necessário mudar nossa forma de atender para vender o Etios. Mas nas pesquisas que fizemos, as pessoas nos disseram que não é isso que esperam da Toyota. O comprador do Etios quer ser atendido da mesma forma que o do Corolla ou da Hilux”, garante Andrade.

A começar pelo preço, que ficará acima dos carros mais populares do mercado brasileiro com os quais o Etios vai concorrer, como Fiat Palio e Volkswagen Gol. A Toyota divulgou que as versões do seu compacto serão vendidas na faixa de R$ 35 mil a R$ 48 mil. Não haverá opção 1.0, que paga IPI menor. Os motores, inicialmente importados Japão, serão de 1,3 e 1,5 litro. A estratégia é vender conteúdo tecnológico superior ao dos concorrentes: todos os modelos terão airbags frontais e freios com ABS de série. O motor 1.3 será divulgado como mais econômico do que qualquer 1.0 no País.

Contudo, ainda que a empresa obviamente não reconheça isso, o Etios tem padrão bem inferior a qualquer outro carro que a Toyota faz no mundo. Fabricado na Índia desde 2010, por enquanto só é vendido lá e na África do Sul – onde também se adota a mão-inglesa, com volante do lado direito. Projetado só para mercados emergentes, o Etios tem custos de fabricação menores, porque economiza em materiais e tecnologia. Até a configuração do painel de instrumentos, colocado no centro, foi pensada para poder mudar o lado da direção sem mexer demais na arquitetura eletroeletrônica – algo que mereceu críticas da imprensa especializada.

Mas, para o consumidor, isso não seria demonstração clara de que o Etios é muito diferente de qualquer outro Toyota? “Não acredito que essa configuração afete a percepção positiva que os consumidores têm a respeito da Toyota”, responde Andrade. A conferir.



Tags: Toyota, Luiz Carlos Andrade Jr, Mark Hogan, Etios, mercado.

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