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PSA Peugeot Citroën testa Hybrid4 com biodiesel no Brasil

Tecnologia | 13/06/2012 | 23h10

PSA Peugeot Citroën testa Hybrid4 com biodiesel no Brasil

3008 e o DS5 diesel-elétrico estão no País

GIOVANNA RIATO, AB | Do Rio de Janeiro

A PSA Peugeot Citroën iniciou no Brasil os testes da tecnologia Hybrid4 com diesel B30, com 30% de biodiesel na composição. A ação faz parte do programa de pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis no País, iniciado em 2003 em parceria com o Ladetel, Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas da USP. O projeto já está na terceira fase e, somadas todas as etapas, conta com investimento total de R$ 2,5 milhões do grupo francês.

Foram importados ao País duas unidades do Peugeot 3008 e uma do Citroën DS5 com a motorização híbrida diesel-elétrica. O modelos unem um propulsor a combustão DHi 2.0 a diesel e um elétrico, que utiliza a energia armazenada em uma bateria de hidreto metálico de níquel. Com câmbio automatizado de seis marchas, o conjunto entrega 163 cv de potência máxima e promete reduzir em 35% as emissões de CO2 em relação a versão que roda apenas com o diesel, para 99 gramas por quilômetro. O consumo de combustível também é baixo, com o veículo rodando cerca 26,3 quilômetros por litro, de acordo com medições da companhia.

Além do apelo sustentável, os carros mantêm itens de conforto e tecnologia e são parte da estratégia de subida de gama e internacionalização das duas marcas. Como diferença da versão apenas a diesel, o 3008 Hybrid4 oferece quatro modos de condução. Na opção automática o sistema eletrônico do automóvel gerencia a atividade dos dois motores para chegar à combinação mais econômica possível.

O modo esportivo foca no prazer do motorista ao conduzir e alcança os níveis mais elevados de consumo. A terceira opção é por tração nas quatro rodas. O veículo roda ainda com o motor a combustão desativado, deixando a propulsão a cargo apenas do elétrico. A autonomia, no entanto, é pequena, de cerca de quatro quilômetros. A montadora aponta que, diferentemente da bateria de íons de lítio, a de hidreto metálico de níquel descarrega mais rapidamente. Em compensação, o recarregamento também é feito com mais velocidade, em poucos minutos com o motor a combustão ligado.

Outro motivo para a montadora ter optado pelo material é o peso. Todo o conjunto elétrico, que inclui motor, bateria e inversor de frequência, tornou o carro apenas 120 quilos mais pesado. Também não houve perda tão expressiva de espaço. Instalado na parte traseira do 3008, o sistema reduziu o porta-malas em cerca de 20%, para 410 litros.

Na França o preço dos carros da linha diesel-elétrica são cerca de € 5 mil maiores do que o das versões equipadas apenas com os motores a combustão. Lá o modelo da Peugeot chega às concessionárias por cerca de € 38 mil, já considerando os € 2 mil de incentivo que o governo oferece para carros mais ecológicos.

TESTES COM BIODIESEL

Os carros foram importados para o Brasil para a etapa final de testes do diesel B30 e serão usados também em ensaios do B100, 100% biodiesel. O desenvolvimento do combustível ecológico começou em abril do ano passado e representa a última etapa do programa de pesquisas com o combustível da montadora no País.

Os estudos começaram com o B10, que tinha acréscimo de 10% de biodiesel derivado de soja no diesel comum. Na fase dois a meta era aumentar o porcentual para 30% e usar outras fontes para obter o óleo. A etapa final é a formulação de um combustível composto 100% por biodiesel obtido a partir da cana-de-açúcar. A companhia já tem a fórmula, desenvolvida pelo Ladetel, um líquido claro que cheira a óleo de cozinha. Bem diferente do diesel comum. Falta completar uma série de testes e fazer os ajustes necessários.

O projeto evidencia o esforço do grupo para oferecer novas soluções energéticas. A estratégia é atuar em diversas frentes. Além de aproveitar a ampla oferta de matéria-prima para desenvolver biocombustíveis no Brasil, a empresa vende carros elétricos e híbridos em mercados internacionais. “Dentro do nosso plano energético global, o biocombustível é um bônus. Com ele, podemos reduzir ainda mais os níveis já conquistados com outras tecnologias”, avalia Frank Turkovics, gerente geral de síntese e funções de motores da PSA.

Um exemplo desse ganho ficou evidente já nos primeiros testes do 3008 com o biodiesel B30. As emissões de CO2 do carro diminuem 50% na comparação com o modelo abastecido apenas com diesel comum, para 75 gramas por quilômetro. O cálculo considera todo o ciclo do combustível. Apesar disso, no curto prazo, os ganhos oferecidos pelo combustível desenvolvido no País só devem ser aproveitados nos automóveis da Europa, já que a legislação brasileira não permite a venda de carros de passeio com motor a diesel.



Tags: PSA Peugeot Citroën, biodiesel, Hybrid4, 3008, DS5, híbrido.

Comentários

  • Gustavo Oliveira

    Na USP Ribeirão Preto (sou aluno) tem uma Picasso e uma Partner com placas verder de Porto Real-RJ e tem adesivos em sua lataria falando sobre o biodiesel. Eu acho que estes veiculos que eu vi e ja tirei foto (picasso), fazem parte deste programa de parceria com a USP

  • Domingos Mancinelli

    Agora só fica pendente a lição de casa do governo, subsidiar e incentivar a pesquisa e futura produção dos modelos híbridos no país ou ao menos reduzir as taxações para que possamos importa-los de maneira a que cheguem ao mercado com custo acessível.

  • Alfonso Abrami

    Outra lição de casa envolve Governo + ANP + Petrobrás + Indústria Automobilística no Brasil, que trata da eventual liberação do diesel para combustível em veículos de médio / pequeno porte. Será que, com este grau de eficiência energética do diesel (última geração de motores europeus), não seria uma alternativa a somar com Etanol, Híbrido Flex, Elétrico e outros?

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