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Importados | 12/06/2012 | 21h25

Mexicanos resistem aos limites das cotas

Importações do país seguem em alta

PEDRO KUTNEY, AB

As importações de carros mexicanos seguem em alta, representam 6% das vendas totais no País e, ao menos por enquanto, permanecem aparentemente imunes às cotas impostas pelo Brasil desde março passado. O mais recente relatório publicado pela consultoria Polk revela em abril e maio, após a imposição da cota, que as vendas de veículos mexicanos no mercado brasileiro aumentaram mais de 100% em comparação com os mesmos meses de 2011.

O relatório pondera que o ritmo diminuiu em maio, mas esse movimento pode ser creditado à redução das importações de modelos em fim de ciclo de vida, citando a perua Volkswagen Jetta Variant (queda de 18,5% entre abril e maio) e o sedã Ford Fusion (-4,9%). Em contrapartida, novas gerações estão em alta, caso do crossover Honda CR‐V, cujas vendas avançaram 61% de um mês para outro.

“As vendas em abril e maio mostram que o resultado das restrições aos carros mexicanos pode ser diferente do que o governo brasileiro desejava”, escreve no relatório José Augusto Amorim, analista da Polk responsável pelas projeções de mercado para a América do Sul. “É importante ressaltar que as montadoras podem importar além do limite. O que muda é que, se isso ocorrer, automóveis mexicanos pagarão Imposto de Importação (de zero para 35%) e o IPI majorado em 30 pontos porcentuais, assim como paga um veículo importado do Canadá ou da Alemanha”, acrescenta. Para ele, isso deverá acontecer no caso de algumas marcas. “Podemos assumir que muitas empresas vão absorver os custos mais altos para manter seu bom momento.”

Uma dessas empresas pode ser a Nissan, que graças ao desempenho do hatch March e do sedã Versa, ambos produzidos no México, aumentou sua participação no mercado brasileiro de 1,6% em janeiro e para 3,47% em maio. Para atingir sua meta declarada de abocanhar fatia de 5% até 2014, a Nissan deverá assumir parte dos custos de importar da fábrica mexicana veículos mais caros que ultrapassarem sua cota (que já é a maior entre todas as montadoras), pois a unidade de produção no Brasil, em Resende (RJ), onde pretende fabricar esses dois modelos, só fica pronta em 2014.

O relatório da Polk lembra que outras montadoras devem adotar a mesma estratégia. “A Fiat já subiu os preços do 500 esperando que as vendas ultrapassem o limite. Em comparação com maio de 2011, quando o carro era importado da Polônia, as vendas subiram 2.820% em maio deste ano”, destaca a consultoria. “A Chevrolet é outra marca que deve importar mais veículos do México. O Sonic chegou às revendas no começo de junho importado da Coreia do Sul, mas deve mudar sua nacionalidade antes do fim do ano”, acrescenta.

COTAS

Em março, o Brasil impôs ao México cotas máximas anuais de importação de carros com isenção de imposto de importação e sem cobrança do adicional de IPI de 30 pontos porcentuais. No primeiro ano, que começou em 19 de março e vai até 18 de março de 2013, o Brasil poderá comprar até US$ 1,45 bilhão do parceiro. No ano seguinte, de março de 2013 ao mesmo mês de 2014, o valor será de US$ 1,56 bilhão. Entre 2014 e 2015 a cota passará a ser de US$ 1,64 bilhão. Os valores foram definidos com base na média de importação dos últimos três anos. Caso as compras de carros mexicanos excedam esses volumes, os veículos serão taxados da mesma maneira que veículos vindos de fora do Mercosul e México.



Tags: México, Brasil, cotas, importação, Polk.

Comentários

  • Roberto

    Realmente revoltante as margens de lucro obtidas no Brasil pelas montadoras. Como se explica um Jetta que custa $20k no México e não paga imposto de importação custar mais que o dobro disto no BR? E como podem as montadoras absorver os custos extras de impostos, no mundo real isto seria impossível a não ser que eles passassem a ter prejuízo, o que obviamente não é o caso. Isto mostra o quão grande são as margens praticadas atualmente. Culpa do consumidor brasileiro que aceita isto.

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