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Elétricos | 05/06/2012 | 18h00

Táxi elétrico da Nissan começa a rodar em São Paulo

Até o fim do ano 10 Leaf serão entregues a frotistas

PEDRO KUTNEY, AB

Ainda que de maneira tímida comparado às iniciativas dos países desenvolvidos, a cidade de São Paulo finalmente entrou na era da eletrificação da frota de veículos leves, com dois táxis Leaf, importados do Japão pela Nissan e cedidos em comodato a empresas frotistas, que começam a rodar na segunda-feira, 11, a partir de um ponto na esquina da Avenida Paulista com a Consolação, em vagas autorizadas pela prefeitura. Os dois são os primeiros de uma frota que chegará a 10 até o fim do ano; e no início de 2013 existem planos para trazer outros cinco.

O “Projeto Piloto de Táxi Elétrico” foi viabilizado por um convênio entre a Prefeitura de São Paulo, Nissan, AES Eletreopaulo e a Associação de Empresas de Táxi de Frota do Município de São Paulo (Adetax). Todos os custos de aquisição, importação e manutenção dos carros serão da Nissan, que cederá os Leaf em comodato às empresas de táxi em um contrato de três anos, renovado anualmente conforme o interesse das partes interessadas.

Os táxis elétricos vão cobrar a mesma tarifa dos passageiros e serão diferenciados pelas faixas laterais com quadriculado branco e verde (os táxis comuns usam amarelo e preto). Os Leaf têm autonomia para rodar até 160 quilômetros e serão recarregados à noite, em dez estações nas garagens das empresas que vão participar do projeto piloto, em uma operação que demora oito horas. Nesses períodos, as empresas se comprometeram a colocar carros convencionais para atender eventuais compromissos assumidos pelos taxistas. Até o fim do ano a AES Eletropaulo vai instalar em concessionárias Nissan cinco postos de carga rápida, que recarregam até 80% das baterias de íons de lítio em cerca de meia hora.

O preço do combustível elétrico é bastante vantajoso: uma recarga completa custa cerca de R$ 8, enquanto para percorrer 160 km com etanol custaria R$ 31,96 (considerando o preço do litro a R$ 1,799 e o consumo de 9 km/l), ou R$ 34,64 com gasolina (R$ 2,599 por litro e desempenho de 12 km/k).

POSSÍVEL FABRICAÇÃO NO BRASIL

“A ideia é criar um movimento popular em torno do carro elétrico, que ainda está muito distante do Brasil. Essa é a única maneira de introduzir a tecnologia aqui, em parcerias com empresas e o setor público”, diz Murilo Moreno, diretor de marketing da Nissan do Brasil, que no ano passado trouxe sete Leaf para apresentar o modelo nos eventos Inova Show, realizados em diversas cidades brasileiras. “Já foram feitos mais de 10 mil test drives com o Leaf nesses eventos”, conta o executivo.

Embora não exista nenhum projeto concreto de incentivo ao carro elétrico no Brasil, o governo estuda a adoção de estímulos, principalmente ao desenvolvimento e à fabricação local de híbridos a etanol e elétricos no País. Em sua recente visita à Ásia, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, tratou do tema com a Mitsubishi e Nissan (leia aqui). Moreno diz que o governo mostrou seu objetivo às montadoras e agora cada uma vai avaliar as possibilidades.

Nesse sentido, a produção do Leaf no Brasil poderá entrar no projeto futuro da Nissan, que constrói nova fábrica em Resende (RJ), com investimento de US$ 1,5 bilhão, para fabricar 200 mil veículos/ano a partir de 2014. “Não há hoje um plano pronto para isso, mas poderá haver”, indicou o executivo.

VALOR INVIÁVEL

Desde o lançamento do Leaf, em dezembro de 2010, a Nissan já vendeu 30 mil unidades. O carro é atualmente produzido só no Japão e este ano também começa a ser feito nos Estados Unidos, seus dois maiores mercados. Nesses países as vendas vêm sendo sustentadas por generosos incentivos governamentais aos carros elétricos. O Leaf tem preço oficial de US$ 35 mil, mas nos Estados Unidos o governo federal garante desconto de US$ 7 mil e algumas cidades oferecem benefícios locais que podem chegar a US$ 3,5 mil, fazendo o valor do veículo baixar para US$ 24,5 mil. É isso o que falta ao Brasil.

Além de não existir nenhum incentivo aos carros elétricos, no Brasil esses modelos recebem a maior tributação possível, equivalente à aplicada a modelos importados de alto luxo, com motorização superior a 2 litros. Com isso, um elétrico trazido de fora do Mercosul ou México paga alíquota de importação de 35% e o maior IPI, de 25%, acrescido de 30 pontos porcentuais, que faz o imposto saltar para 55%. Toda essa carga tributária, que inclui ainda ICMS e PIS/Cofins, inviabiliza qualquer negócio, pois o Leaf, um modelo compacto sem nenhum luxo, chegaria ao consumidor brasileiro por preços acima de R$ 200 mil, segundo calcula Moreno. “Para o Leaf entrar no mercado aqui a legislação tributária precisa ser alterada”, diz o executivo, acrescentando que isso deverá acontecer no futuro próximo. “O governo está aberto a essa discussão”, lembra.

O custo muito elevado abortou a ideia inicial da Prefeitura de São Paulo, que em junho de 2011 assinou um protocolo de intenções com a Aliança Renault Nissan e a Eletropaulo para a aquisição e operação de carros elétricos em frotas oficiais da cidade, a começar pela Companhia de Engenharia de Tráfego, a CET (leia aqui). O projeto esbarrou na necessidade de abrir concorrência pública para a compra dos veículos, o que inviabilizou o negócio, já que o carro elétrico no Brasil custa muito mais caro do que qualquer outro.

Assim a solução foi o empréstimo dos carros em comodato, enquanto a prefeitura abriu vagas de alto valor para taxistas pelo uso do automóvel elétrico. Chegou-se a estudar, inclusive, a cessão de vagas no Aeroporto de Congonhas, as mais caras da cidade, avaliadas em mais de R$ 200 mil, o que serviria de incentivo natural para a compra do carro elétrico como táxi. Ainda não está confirmado se essa ideia será levada adiante ou não.

BALÃO DE ENSAIO

Assim como fez há um ano, quando disse que compraria carros elétricos para a frota da CET, o prefeito Gilberto Kassab lançou mais um balão de ensaio nesta terça-feira, 5, em seu discurso na cerimônia de entrega dos dois primeiros Nissan Leaf para servir nas frotas das empresas Alô Táxi e Táxi Sampa. “Trouxe hoje um desafio para os parceiros deste projeto (Nissan e Eletropaulo), para que todos os carros da assessoria do prefeito sejam elétricos. Será uma forma de construir a imagem e trazer credibilidade a esse modelo”, disse. Kassab destacou que “era um desejo antigo” trazer veículos elétricos para as ruas de São Paulo e que a partir da segunda-feira isso será iniciado. “Não é mais uma ideia, mas o início de um projeto”, garantiu.



Tags: Nissan, Leaf, táxi, elétrico, Murilo Moreno, Gilberto Kassab, São Paulo.

Comentários

  • Fabio Boni

    Que novidade excelente. Um carro moderno, econômico ( na reportagem fala que faz 160 km com apenas R$ 8,00 ) e ainda por cima não emite poluentes. Pena que o custo de impostos inviabiliza. Temos que lançar a campanha: emissão zero, imposto zero. Quero ver carros antiquados, gastões e que poluem competirem com o Nissan Leaf. Vontade de ser o taxista destes carros!!!

  • israel

    Valta incentivo por carro eletrico sair no papel no Brasil, mas com iniciativas dessas da até pra sonhar com carro eletrico sendo fabricado no Brasil, quem sabe um dia.

  • Bahiataxi

    A Bahia espera essa novidade para os taxista soteropolitano...

  • diego

    gostei muito, legal vai ajudar muito a cidade de sp.

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