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Consultoria | 28/05/2012 | 19h43

Faltam mais facilidades em feirões

Após pacote do governo, consumidores ainda encontram dificuldades para financiar

REDAÇÃO AB

Os feirões realizados pelas três grandes montadoras do País, Fiat, General Motors e Volkswagen, movimentaram um grande número de pessoas atraídas especialmente pelos anúncios de redução de preços, do IPI, taxas de juros e IOF, parte do pacote de incentivos às vendas anunciado pelo governo na segunda-feira da semana passada, que reduziu em até 10% o preço de alguns modelos.

Entretanto, o consultor Ayrton Fontes, economista e consultor independente de varejo automotivo que visitou dois dos três feirões de grandes marcas e quatro concessionárias, verificou algumas dificuldades por parte dos possíveis clientes em fechar negócio.

“Percebemos certa frustração, principalmente das pessoas que procuravam veículos zero quilômetro e não tinham condição de dar 50% de entrada mínima, exigida pelos vendedores para se beneficiar do juro zero anunciado nas campanhas. O que vimos foi uma forte negociação de troca de usados por zero quilômetro, uma verdadeira briga do comprador com o vendedor, para que fosse avaliado pelo melhor preço o seu usado que deveria atingir no mínimo os 50% do preço do carro novo para ter direito a juros zero, no caso da Fiat, ou em alguns casos de 0,59 e 0,99%, este último na Chevrolet.”

Fontes também revelou que as avaliações dos carros usados estavam entre 20% e 30% mais baixas do que as apresentadas na tabela FIPE, ainda assim, alguns consumidores optaram por fazer a troca. Ele estimou que mais de 60% das vendas deste fim de semana foram realizadas por meio de troca de usado por zero quilômetro.

A dificuldade em desovar os estoques, explica Fontes, parte da mudança do perfil do consumidor que sustentava o mercado há alguns anos. Dados apresentados por ele apontam que mais de 9 milhões de consumidores economicamente ativos foram incluídos nas classes A e B nos últimos cinco anos, o que para o consultor, é a parcela que está garantindo a venda de veículos no País, ao contrário do que se apurava no passado recente, quando a nova classe média emergente desempenhava esse papel.

“A nova classe média não está comprando mais nos volumes vistos no passado em função da restrição nos financiamentos de longo prazo em 60 vezes entre outros motivos.”

Ele fundamenta a mudança no perfil dos consumidores na queda expressiva das vendas de veículos 1.0, que recuaram 40% em abril deste ano. Os dados mostram que há 5 anos, a participação de veículos com este tipo de motorização era de 75% do mercado.

“Assim, todas as montadoras tem oferecido, por meio de seus bancos próprios ou bancos parceiros, planos de financiamento direcionados as classes A e B, nos quais, com entrada a partir de 50% do valor do veículo pode ser aplicado juros de zero, a 0,99 % ao mês. É o que vai evitar uma queda ainda maior nas vendas de veículos neste ano.”

ERROS E ACERTOS

Para o consultor, houve alguns erros e acertos na tentativa das montadoras em desovar seus estoques nos feirões. Ele destaca como ponto positivo a atitude da GM que divulgou as suas campanhas taxa de 0,99% ao mês, em 48 parcelas para toda a linha Chevrolet. “Além de não confundir o consumidor, foi a única marca que ofereceu prazo de financiamento em 48 parcelas.”

O deslize, segundo Fontes, veio da Fiat, que divulgou anúncios em jornais, TV e internet, seu modelo Uno Vivace 1.0 flexd 2 portas pelo preço de R$ 22.990, com IPI e juros zero financiado com entrada de R$ 11.495,42 mais doze parcelas de R$ 1.029,80. “Fazendo as contas, o total é de R$ 23.853,02, que apresenta juros de 1,13% ao mês.”



Tags: Ayrton Fontes, vendas, veículos, financiamentos, Fiat, General Motors, Volkswagen.

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