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Crédito | 28/05/2012 | 10h50

Dívida com carro tira o sono da classe C

Despesas automotivas representam 27,6% das compras a prazo desse extrato social

AGÊNCIA ESTADO

A compra do carro é a principal razão do alto endividamento da classe C. Despesas com a prestação do veículo e outros gastos (documentação, seguro e manutenção) representam 27,6% das compras a prazo dessa fatia da população, revela estudo da MB Associados, com base na Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE. Os dados constam de uma reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo e reproduzida pela Agência Estado. Em seguida aparecem a compra de imóveis e gastos com reforma (18,5%).

Nas classes D e E há uma concentração dos gastos com itens de menor valor: 21,6% das despesas a prazo são com aquisição de eletrodomésticos, eletrônicos e móveis. A prestação do carro é a segunda principal despesa (13,4%), enquanto a construção dos “puxadinhos” na casa ficam em terceiro lugar (10,5%). Para esses brasileiros, a casa própria ainda é um sonho: a prestação do imóvel representa apenas 4,2% das despesas a prazo.

A concentração das despesas a prazo com veículos na classe C ajuda a explicar o aumento da inadimplência, já que é no financiamento de automóveis que está concentrado o calote. A taxa de inadimplência na compra de veículos bateu o recorde de 5,9% em abril (veja aqui). De acordo com Nicolas Tingas, economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), as instituições financeiras perceberam que a inadimplência é maior entre os consumidores que compraram carros sem entrada e com prazos longos para pagar.

"Por isso, os bancos voltaram a exigir entrada e reduziram os prazos. Depois das mudanças, a carteira de crédito melhorou muito", disse Tingas. "O consumidor trocou de emprego e nunca viu tanto crédito disponível. Muita gente se entusiasmou e comprou um carro sofisticado."

Uma pesquisa da Boa Vista Serviços, feita com 1,1 mil pessoas inadimplentes, revela que 42,4% dos entrevistados declararam ter entre 25% e 50% da renda familiar comprometida com dívidas e 23,7% deles têm mais da metade da renda familiar mensal empenhada no pagamento de prestações.

Apesar de o consumidor ter assumido um número excessivo de dívidas em relação à sua capacidade de pagamento, esse movimento não se refletiu de maneira vigorosa no varejo de eletrodomésticos. Assim, os consumidores estariam privilegiando o pagamento das prestações de menor valor.



Tags: Endividamento, classe C, POF, IBGE, Nicolas Tingas, Acrefi.

Comentários

  • Marcos Liron

    Forçar as vendas acaba nisto, o que vem por ai é a bolha dos imoveis, nunca vi tanta gente que comprou e comprando ap. de R$ 1.000,000,00 em São Paulo. Pedalaram os preços mas esqueceram da renda. Logo a realidade aparecerá!

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