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Tecnologia | 16/05/2012 | 16h50

Híbridos aproveitam evolução dos motores e custam cada vez menos

Com novos propulsores, modelos poderão oferecer o dobro em economia de combustível

RICARDO COUTO, DO CARSALE

TECNOLOGIA 3*

Ao mesmo tempo em que tentam melhorar o rendimento energético e, por consequência, buscam reduzir o nível de emissões dos carros movidos com combustível fóssil, os fabricantes globais voltam suas atenções para outra frente, de resultados mais eficientes e imediatos: a produção em larga escala de carros híbridos, que utilizam motor a combustão associado com o motor elétrico.

De acordo com a empresa americana Gartner, especializada em pesquisa de mercado e tecnologia, as vendas mundiais de carros híbridos e elétricos atingiram 995 mil unidades em 2011, e nos últimos 12 meses deverão superar 1 milhão de unidades. Pode parecer pouco, mas a escala é crescente e acelerada: a previsão para 2017 é de 2,87 milhões de unidades.

Estados Unidos e Japão são atualmente os maiores mercados de veículos híbridos do mundo, representando 80% das vendas globais desses modelos, revela estudo do Boston Consulting Group. Em 2020, na Europa, esses modelos deverão responder por 18% das vendas de veículos. Já no Japão, atualmente o maior mercado do segmento, a participação dos híbridos deverá subir para 14% e nos Estados Unidos para 7%. Na China, esses veículos deverão partir do atual 1% para 4% das vendas domésticas no mesmo período.

“Os carros híbridos devem se popularizar mais rápido do que os elétricos. Esses veículos já representam cerca de 3% das vendas nos EUA e devem chegar a 5% em 2013”, afirma o engenheiro Francisco Satkunas, conselheiro da SAE Brasil (Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade).

De acordo com o Boston Consulting Group, a tendência é que os híbridos ganhem motores a combustão mais eficientes – mesclando propulsão turbodiesel com motor elétrico, por exemplo –, adotar baterias mais leves e baratas, com maior capacidade de armazenamento, e seguir o sistema plug-in, que permite que o carro seja recarregado na tomada comum de uma casa. Com isso, a previsão é de que ofereçam até o dobro de economia em relação aos modelos híbridos atuais auxiliados com motor a gasolina e tenham as suas vendas disparadas até o fim desta década.

“A cada ano os motores convencionais a combustão terão de ser mais econômicos. Os fabricantes terão de investir muito em pesquisa. Vai haver um momento em que o seu desenvolvimento ficará muito caro, por conta da exigência e introdução de novas tecnologias, o que tornará a situação favorável para os carros verdes”, afirma Evaldo Costa, colunista do Blog Carsale e especialista em mercado e carros elétricos.

CUSTO CADA VEZ MENOR

Nos Estados Unidos, o governo Obama anunciou que pretende atingir a meta de 1 milhão de veículos verdes até 2015 e a grande maioria deverá ser de carros híbridos, que já têm uma razoável aceitação no mercado. Lá, o recém-lançado Toyota Prius C (modelo mais simples e barato da linha) tem preço inicial de US$ 19 mil (equivalente a cerca de R$ 35 mil) e o Chevrolet Volt custa menos de US$ 40 mil (em torno de R$ 75 mil).

O recém-lançado Opel Ampera, versão europeia do Volt, já tem 7 mil pedidos de encomendas nas revendas. Em breve, outros exemplares devem chegar aos mercados americano e europeu. Até o fim de 2013, mais 20 novos modelos verdes serão lançados no mundo.

Em março deste ano, o Toyota Prius, primeiro híbrido produzido em larga escala no mundo, obteve o recorde de vendas de 28.711 unidades nos Estados Unidos. O modelo vem ganhando a preferência do consumidor norte-americano e nos últimos 12 meses viu suas vendas crescerem 54% por lá.

Enquanto os elétricos vão conquistando lentamente o seu espaço, os híbridos já se destacam em nível global com uma grande oferta de modelos de diversas marcas – praticamente todos os grandes fabricantes têm pelo menos um projeto nesse segmento –, mas ainda são caros em comparação com os veículos convencionais, apesar do grande potencial de mercado que representam.

A tendência é de os preços desses modelos baixarem e o subsídio oficial aumentar. Nos Estados Unidos, os consumidores de carros verdes contam com um auxílio do governo federal de US$ 7,5 mil (R$ 14 mil), mais US$ 5 mil (R$ 9,4 mil) de bônus diretos e indiretos que são concedidos no Estado da Califórnia.

VEÍCULOS MAIS EVOLUÍDOS

No fim do ano passado, a Audi anunciou em Munique testes com 20 unidades do novo modelo A1 e-tron (nome originário da divisão de modelos elétricos da marca alemã), um híbrido equipado com motor elétrico de 102 cavalos, que é alimentado com baterias de íon de lítio, com autonomia para rodar 50 quilômetros no modo elétrico. Quando a energia das baterias acaba entra em ação um minúsculo motor à combustão de um cilindro, com apenas 254 cm³, com pistão rotativo (tipo Wankel), que as recarregam, aumentando sua autonomia para cerca de 250 quilômetros. O conjunto permite ao carro alcançar o equivalente a 52,5 km com um litro de combustível, emitindo apenas 45 g de CO2 por quilômetro rodado.

Este mês, a BYD – maior fabricante de baterias de íons de lítio e de carros elétricos da China e considerada uma das 10 empresas mais inovadoras daquele país em 2012 – apresentou no Salão de Pequim o híbrido Qin, com a nova geração do sistema Dual Mode (que permite ao carro funcionar tanto no modo híbrido como puramente elétrico). O modelo, segundo a montadora, mostra os novos rumos que devem seguir os carros elétricos no futuro. Evolução do F3DM, o carro traz baterias mais potentes e eficientes, além de elevada economia de energia. Dotado de motor elétrico de alta tensão e velocidade, o modelo requer apenas 16 iuans (cerca de R$ 4,79) para rodar 100 quilômetros, o equivalente a menos de dois litros de gasolina no Brasil.

A partir de 2013, o mundo verá uma leva de supercarros verdes circulando pelas ruas em vários segmentos, como é o caso do superesportivo híbrido da Ferrari, equipado com motor V12 a combustão em conjunto com outro elétrico, previsto para o ano que vem, e do recém-lançado crossover Citroën DS5 Hybrid4, que combina motor turbodiesel com elétrico.

O próximo passo deverá ser a chegada das versões híbridas ao segmento dos cupês esportivos convencionais, antes equipados com enormes motores V8, sem muita preocupação com o consumo de combustível e emissão de gases, como Chevrolet Camaro, Chevrolet Corvette e Ford Mustang, entre outros.

E O BRASIL, COMO FICA?

No Brasil, o carro híbrido é coisa para o futuro. Ainda não há registro de pesquisas ou de projeto de construção desses veículos por aqui. Os três únicos modelos importados disponíveis no mercado registram volumes irrisórios de vendas. Além de muito caros, até o momento não recebem qualquer tipo de incentivo em relação aos modelos convencionais movidos exclusivamente a gasolina ou etanol.

Com preço de R$ 133,9 mil, o Ford Fusion Hybrid é o mais barato e mais vendido no mercado brasileiro (teve apenas 175 unidades comercializadas em 2011), enquanto que o Mercedes-Benz S 400 Hybrid (que custa R$ 367 mil) somou 44 exemplares. Além deles, há o estreante BMW ActiveHybrid 7 L, da Série 7, que ainda não teve números de vendas divulgados. Só para se ter uma comparação, em fevereiro foram vendidos 36.222 híbridos nos Estados Unidos.

*TECNOLOGIA 3 – O texto acima foi veiculado originalmente no Carsale. Este é o terceiro artigo da série especial de oito reportagens sobre tecnologia automotiva que o jornalista Ricardo Couto, gerente de conteúdo do Carsale, preparou para os leitores do site. A série é republicada também aqui no Portal Automotive Business. Será publicado um artigo por dia.

Veja os outros artigos já publicados:

- TECNOLOGIA 1 – Motores serão reinventados até 2020

- TECNOLOGIA 2 – Indústria busca leveza e eficiência em todos os sistemas dos carros



Tags: Tecnologia, tendências, artigo, indústria automotiva, Carsale, Ricardo Couto.

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