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Negócios | 10/05/2012 | 20h40

Sérgio Habib critica medidas do governo

Nacionalização e crédito preocupam empresário

AGÊNCIA ESTADO

O presidente da JAC Motors no Brasil, Sergio Habib, disse nesta quinta-feira que em cerca de três anos será praticamente impossível exportar carros produzidos no Brasil por causa dos altos custos. "Quando você exporta um carro, se comprou peças no Brasil e pagou mais por elas, o mercado lá fora não vai pagar mais caro pelo seu carro por causa disso”, afirmou o executivo após participar de evento no Rio de Janeiro (RJ).

Para Habib, as medidas adotadas pelo governo para proteger a indústria nacional de automóveis das importações, como o aumento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros fabricados no exterior e as exigências de conteúdo nacional, encarecem o produto brasileiro.

Ele acredita que mecanismos desse tipo acabam criando uma reserva de mercado para os fornecedores locais, que, por conta disso, acabariam investindo pouco em inovação e redução de custos. “Quando você obriga os fabricantes a usarem peças e componentes nacionais, a tendência é esses produtores nacionais investirem menos em inovação e redução de custos, porque estão protegidos", argumentou o presidente da montadora chinesa no Brasil.

FINANCIAMENTO

Habib ainda disse que o mercado de automóveis no Brasil parou de crescer nos quatro primeiros meses deste ano porque os bancos não estariam propensos a financiar. “O que fez com que, neste primeiro quadrimestre, o mercado parasse de crescer e caísse 3% no acumulado é o fato de os bancos não estarem fazendo financiamento sem entrada e praticamente não existe [o parcelamento em] 60 meses”, disse.

Segundo ele, os bancos estão mais cautelosos, pois houve aumento da inadimplência. O executivo defendeu a redução das burocracias no processo de retomada dos veículos em caso de inadimplência, para permitir uma redução dos juros. Habib ressaltou que o que mais influencia a decisão de compra dos consumidores não são os juros, mas o valor das parcelas, que fica mais baixo quanto maior for o prazo do financiamento.

O presidente da JAC no Brasil, que hoje revende os veículos chineses, disse que a empresa revisou o volume de vendas no País para este ano de 45 mil carros para 30 mil, ante 25 mil em 2011. Ele não vê espaço para crescimento das vendas no País até o início da operação da fábrica na Bahia, previsto para o fim de 2014.

De acordo com Habib, a revisão não foi resultado da desaceleração do mercado, mas do peso do IPI sobre produtos importados. "Com o ‘super IPI’ que temos de pagar, perdemos competitividade. Temos menos verba em publicidade e menos mobilidade em preço", disse.



Tags: Sérgio, Habib, JAC Motors, importações, financiamento.

Comentários

  • Anderson

    Concluindo, temos um novo regime que veda a possibilidade de novos fornecedores de veículos. Pq? porque é necessários construir uma fábrica e finaliza-lá para que comece a obter lucros, pois nesse meio tempo, perde-se verba para publicidade e o argumento de negociação do preço, e também o parcelamento que está reduzido. Ou seja, vende-se menos, dada a redução de agressividade no setor... Quem sai lucrando? As nacionais estabelecidas. Quem perde? Grandes investidores, que levariam os veículos nacionais a um nível de competitividade totalmente novo, entregando assim veículos melhores, por menos... Parabéns, Brasil. Mas, todo caso, parabéns JAC Motors. Que bom que não retrocedeu com a iniciativa de se estabelecer no pais com os maiores impostos do mundo.

  • César

    Impressão minha ou esse aumento de IPI só deu vantagem pras nacionais? Pq quebrou toda a nova competitividade que estava crescendo aqui no Brasil. E agora, quem termina pagando essa taxa imensa de 30% são os interessados nos carros. A Jac, por exemplo, rodou legal. Que bom que se estabeleceram bem, apesar do pouco tempo de Brasil, pq essa medida foi uma baita paulada do sistema.

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