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Mercado e Negócios | 13/04/2012 | 00h22

Honda: Sumaré volta aos trilhos

Produção se estabiliza em 525 carros ao dia e espanta má fase de 2011

Mário Curcio< AB

Mário Curcio, AB

No ano em que sua unidade de Sumaré completará 15 anos, a Honda quer mostrar que está de volta aos trilhos depois do baque sofrido em 2011 em razão do terremoto seguido de tsunami em março daquele ano e, mais tarde, pelas enchentes na Tailândia. As consequências desses fenômenos naturais já não impactam mais a produção. “Trouxemos vocês (jornalistas) para verem que a fábrica está produzindo a todo o vapor”, afirma o engenheiro mecânico e supervisor de assuntos institucionais, Alfredo Guedes Júnior.

É verdade que a unidade não opera mais em três turnos, mas tem feito em dois turnos 525 carros, chegando a 595 com duas horas extras ao dia, segundo a Honda. O número pode subir a 630 unidades, divididas entre os sedãs Civic (foto), City e o monovolume Fit. Guedes Júnior cita que o terceiro turno, além de caro por conta dos encargos trabalhistas, traz outras dificuldades, usando como exemplo o transporte do pessoal nesse período.

Os carros são feitos sempre em lotes de 60 unidades de um mesmo modelo e versão. A produção completa de um carro leva 13 horas e meia. Cem por cento das unidades são inspecionas rigorosamente, submetidas a testes de infiltração de água e rodam numa pista de testes.

Alfredo Guedes Júnior continua descartando a produção do Honda Brio no País: “Teria de ser outro projeto, talvez até com a mesma plataforma. No leste asiático, o conceito de carro compacto é outro. Esse modelo que é vendido lá fora custaria R$ 41 mil aqui, não serviria como modelo de entrada. Em curto prazo não teremos um carro assim.”

Uma mudança não descartada seria a transferência total para a Argentina da produção do City: “Se houver um aumento significativo da demanda do Civic, isso poderá ocorrer”, admite Guedes Júnior. Atualmente, o país vizinho monta em CKD um volume pequeno do sedã, apenas para abastecer o próprio mercado.

A produção do Fit, porém, está garantida em Sumaré. O Brasil não importará os carros que começaram a ser feitos numa nova fábrica mexicana da Honda: “Ela fará o Fit para a América do Norte”, explica o executivo da Honda. “A produção brasileira do carro continuará abastecendo as Américas do Sul e Central e também alguns países do Caribe.”

AMPLIAÇÃO CONSTANTE

Durante a visitação, a Honda mostrou os setores mais recentes e que demandaram investimentos elevados, como as áreas de injeção de plásticos (para-choques, painéis e outros) e também os setores de fundição e usinagem de blocos e cabeçotes. Tudo faz parte de um ciclo de investimentos de US$ 1 bilhão que terminará em 2014.

Por conta de atualizações na fábrica, o Civic tem hoje entre 70% e 80% de índice de nacionalização. City e Fit cumprem por volta de 80%. As peças importadas vêm do Japão, Estados Unidos e Tailândia. Os componentes nacionais são fornecidos por 110 fabricantes.

A modernização de Sumaré favoreceu também o centro de treinamento, que existe ali desde o início de 1998. Recebeu uma reforma recente e está 30% maior. Por ali passam profissionais dos segmentos de carro e moto. A área dos automóveis teve melhorias e a das motos recebeu 14 novas bancadas. O chão tem pintura epóxi e cada posto de trabalho tem seu elevador e um quadro de ferramentas.

HISTÓRICO DA UNIDADE

Há quase 15 anos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o então governador Mário Covas inauguraram a unidade de Sumaré. Foi em outubro de 1997. “Naquela época eram feitos 50 automóveis por dia”, recorda Guedes Júnior. Um Civic prata automático inaugurou a linha de montagem. Em 2003 começou a produção do Fit e em 2009, a do City, que desde 2011 também é montado na Argentina.

A fábrica de Sumaré ocupa um terreno de 1,7 milhão de metros quadrados, com área construída de 190.389 m². Emprega 3.166 funcionários efetivos, dos quais 51% são moradores da própria Sumaré; 17% vêm de Hortolândia, 15% de Americana, 7% de Nova Odessa, 6% de Campinas. Os 4% restantes moram em outros municípios da região.



Tags: Honda, Sumaré, Alfredo Guedes Júnior, 15 anos, terremoto, tsunami, Tailândia, fundição, usinagem.

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