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Mercado e Negócios | 12/04/2012 | 22h00

Volvo quer consolidar vice-liderança no mercado de ônibus pesados

Companhia apresentou chassis Euro 5 com preços de 5% a 10% mais altos

Giovanna Riato, AB

Giovanna Riato, AB

Depois do crescimento expressivo no mercado de ônibus em 2011, a Volvo tem planos ainda mais ambiciosos para este ano. A companhia pretende consolidar a vice-liderança em chassis pesados e deixar, definitivamente, a concorrente e também sueca Scania para trás. O objetivo é deixar o caminho livre para disputar a liderança com a Mercedes-Benz no futuro.

A montadora encerrou o ano passado com 23% de market share em pesados e a terceira posição no ranking de vendas. O avanço foi significativo sobre 2010, quando a companhia detinha fatia de 17% das vendas. Enquanto reforça a presença em pesados, segmento no qual tem tradição, a Volvo faz também uma ofensiva em semipesados, com o B270F, primeiro chassi com motor frontal da companhia, lançado em setembro de 2011.

Em poucos meses o modelo garantiu participação de 1,7% no mercado. No primeiro trimestre deste ano a novidade já respondeu por 5,2% dos emplacamentos do segmento. A intenção é que, até o fim do ano, o veículo conquiste mais de 10% das vendas.

A boa perspectiva da companhia está mantida mesmo no cenário adverso, com as vendas em baixa por conta do início do Euro 5, nova legislação de emissões para o setor que exige tecnologia de pós tratamento de gases do motor e torna os veículos mais caros. Luis Carlos Pimenta, presidente da Volvo Bus para a América Latina, lembra ainda que anos eleitorais são tradicionalmente menos aquecidos. “A demanda por ônibus urbanos deve voltar a crescer na metade de 2013”, estima.

A companhia projeta queda de 20% no mercado total de ônibus. O executivo afirma, no entanto, que a retração não vai barrar a expansão da marca no País. ”Este ainda será o segundo melhor ano da história da Volvo”, prevê. A fábrica da empresa em Curitiba (PR) deve produzir 3 mil unidades. Já as vendas poderão chegar a 3,5 mil veículos.

A quarta fase do PSI (Programa de Sustentação do Investimento), que oferece condições especiais para a aquisição de ônibus, não deve ter impacto significativo nesse cenário. Pimenta lembra que, diferentemente do que acontece com caminhões, boa parte da aquisição de ônibus é motivada por decisões políticas. “As prefeituras não são estimuladas por reduções nas taxas de juros”, avalia.

Apesar da desaceleração, a fabricante não planeja reduzir o quadro de funcionários da fábrica. “Vamos precisar de colaboradores no futuro, para atender o aquecimento da demanda previsto para eventos como a Copa”, explica. Para equilibrar a produção, a companhia preferiu não fazer grandes estoques de Euro 3 e dar férias coletivas de três semanas aos trabalhadores em janeiro. Desde então a fábrica trabalha em apenas um turno e também não há produção aos sábados.

EURO 5 É OPORTUNIDADE

O plano para fortalecer prevê uma ofensiva na área de produtos. A fabricante aproveitou a obrigatoriedade do Euro 5 para renovar todo o portfólio de ônibus, que agora conta com 19 modelos contra 15 até o fim de 2011. Os veículos são equipados com tecnologia SCR de pós-tratamento de gases e prometem redução de até 12% no consumo de combustível. Os preços ficaram entre 5% e 10% mais altos.

Para a empresa, o início do Euro 5 é uma oportunidade importante para ganhar mercado, por isso a decisão de atualizar a linha foi tomada nesse momento. “A nova legislação vai zerar o jogo. Mudanças significativas podem acontecer a partir de agora”, acredita Pimenta. Segundo ele, os produtos que eram referência em consumo, robustez e qualidade com a tecnologia anterior podem não manter o mesmo título a partir deste ano. “Os clientes ainda não têm parâmetros de Euro 5”, aponta. A companhia já comercializou cerca de 200 unidades com a tecnologia no Brasil.

Além da atualização dos modelos que a marca já comercializava, há dois chassis totalmente novos: o híbrido e o B450R. O primeiro combina um motor a diesel e um elétrico e promete redução de até 35% no consumo de combustível em relação a um modelo Euro 5 convencional e de até 50% nas emissões de poluentes. As primeiras 80 unidades saem das linhas de montagem este ano e circularão em São Paulo (SP) e Curitiba (PR). Já o B450R é o ônibus rodoviário mais pesado do mercado, com motor que desenvolve até 450 cv. A companhia aponta que o modelo é adequado para carrocerias double deck e leito.

O veículo, assim como toda a linha de chassis rodoviários, é construído sobre a nova plataforma global da marca, que teve o desenvolvimento liderado pelo centro de engenharia brasileiro em parceria com equipes da Suécia e da França. O objetivo era chegar a plataformas flexíveis, que permitissem várias configurações de eixo e potência, e alcançar redução de peso e, consequentemente, de consumo de combustível.

Os modelos urbanos também receberam novas tecnologias. Enquanto o câmbio automatizado I-Shift é de série para a linha rodoviária, a nova caixa automática Ecolife equipa os chassis urbanos. O tecnologia é de série para toda a linha, com exceção do B270F. Há ainda o controle de aceleração inteligente, que garante que só a potência necessária seja empregada no arranque.



Tags: Volvo, ônibus, chassi, mercado.

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