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Mercado e Negócios | 09/04/2012 | 18h30

Novas montadoras conseguirão atingir conteúdo local

Chery, JAC e DAF alegam metas elevadas de nacionalização para seus produtos

Natalia Gómez, AB

Da esq. para a dir.: Sérgio Habib (JAC Motors), Reinaldo Muratori (Mitsubishi), Luis Curi (Chery) e Marco Antonio Davila (DAF Brasil). Foto: Ruy Hizatugu

Natalia Gómez, AB

As montadoras que lideram os novos empreendimentos no setor automotivo no Brasil (como Chery, JAC, Mitsubishi e DAF) não terão problemas para se adaptar ao novo regime automotivo, divulgado na semana passada pelo governo federal. Durante o III Fórum da Indústria Automobilística, realizado nesta segunda-feira, 9, no Golden Hall do WTC, em São Paulo, as companhias afirmaram que já tinham metas elevadas de nacionalização de seus produtos mesmo antes da nova regra. Portanto, não devem ter dificuldades em atingir pelo menos 65% de conteúdo nacional na sua produção, a fim de evitar a cobrança adicional de 30 pontos porcentuais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A regra foi criada para inibir a importação de veículos.

A chinesa Chery, que lançou a pedra fundamental de sua fábrica em Jacareí (SP), persegue o nível de 65% de conteúdo local em seus veículos desde o começo do projeto, segundo Luis Curi, vice-presidente e CEO da Chery Brasil. “Essa era nossa meta e é totalmente factível, vamos persegui-la”, afirmou. Ele explica que a decisão de construir a unidade não tem relação com o aumento do IPI determinado pelo governo no ano passado sobre importados, mas foi fruto de três motivos estratégicos: reduzir o tempo entre o pedido e a entrega dos carros, diminuir a exposição cambial e melhorar o grau de confiança do consumidor.

No momento, a companhia asiática está em busca de fornecedores locais. “A oportunidade para sistemistas e fabricantes de autopeças é total”, disse. A aproximação ocorre há algum tempo e está se intensificando. Em breve, deve ocorrer um Chery Day na sede do Sindipeças para aproximar a montadora de potenciais fornecedores. Curi destacou que a montadora chinesa Chery assumiu os negócios da marca no Brasil, antes representada por uma importadora brasileira. “Estávamos ansiosos pela regulamentação da medida”, afirmou. Desde então, a construção da fábrica foi acelerada “ao máximo”.

A chinesa JAC também prevê atingir o conteúdo nacional estipulado pelo regime automotivo para obter o maior corte de IPI previsto. Sérgio Habib, presidente da JAC Motors Brasil, afirmou que tal meta não será possível no primeiro ano, mas deve ocorrer a partir do terceiro. Isso não será um problema porque a nova regra dá um prazo de três anos para as empresas que estão iniciando operações no Brasil. No primeiro ano, o executivo prevê atingir 50% de conteúdo nacional. “Vamos nos adaptar ao que o governo pede”, afirmou. Ele destacou, no entanto, que mais importante do que elogiar ou criticar o novo regime é pedir que ele não seja alterado nos próximos anos, pois a indústria precisa de um ambiente regulatório estável para se desenvolver.

O projeto da JAC em Camaçari (BA) já previa uma grande integração com fornecedores locais, segundo ele. Além de buscar fornecedores que já trabalham com a Ford no Estado, a montadora deve trazer parceiros chineses. No dia 14 de maio, a empresa fará uma apresentação para o polo local em Salvador, junto ao governo da Bahia e ao Sindipeças. A fábrica deve começar suas operações em meados de 2014.

Outra companhia que deve atingir o conteúdo nacional necessário para o abate do IPI é a Mitsubishi, que tem um projeto de ampliação de capacidade produtiva em Catalão (GO). O diretor de engenharia e planejamento da Mitsubishi Motors do Brasil, Reinaldo Muratori, afirmou durante o evento que a empresa está fazendo cálculos, mas que a estimativa inicial é de que conseguirá atingir o conteúdo nacional necessário. “Temos vários programas de nacionalização em andamento”, afirma. Ele elogiou o novo regime automotivo, que permite descontos intermediários, e não apenas de zero ou 30%. O executivo também destacou que as regras estipuladas serão de fácil verificação pelo governo.

Até recentemente, a Mitsubishi enfrentava resistência dos fornecedores porque seu volume de compras era relativamente baixo e porque suas peças são muito específicas. No entanto, os planos de ampliação da fábrica mudaram esse cenário e os fornecedores estão mais receptivos, segundo Muratori.

Representante do segmento de caminhões no debate, a DAF Brasil revelou que está procurando fornecedores no País há cerca de um ano e hoje conta com uma lista de 60 fornecedores definidos para cumprir a meta de conteúdo local. Entre eles estão Usiminas, ZF e Meritor, segundo o vice-presidente da DAF Brasil, Marco Antonio Davila. “Não teremos problemas para cumprir a regra”, afirmou. O objetivo da companhia é atingir uma participação de mercado de cerca de 8% em cinco ou seis anos.

PLANOS PARA INOVAR

Uma das exigências para as empresas se habilitarem ao novo regime é o investimento de mais de 0,5% do faturamento bruto em engenharia e tecnologia industrial básica. Questionadas sobre o assunto, as montadoras entrantes do mercado se mostraram dispostas a investir nessa área.

A Chery inaugurou recentemente na China o maior centro de testes da Ásia, considerado um dos cinco mais modernos do mundo. O Brasil deve seguir essa tendência, segundo Curi. “Estamos negociando no Brasil a construção de um centro de pesquisa e desenvolvimento que deve sair neste ano ou no início do próximo”, afirma. O centro não será necessariamente instalado em São Paulo.

A empresa chinesa tem como meta atingir 1% de participação no Brasil neste ano. “Vai ser um desafio grande”, disse. Entre 2015 e 2016, a participação deve se aproximar de 3%.

A Mitsubishi tem uma unidade de engenharia instalada no País, mas está aproveitando o investimento na planta para aumentar sua capacidade de desenvolvimento local, o que incluirá a construção de um laboratório de emissões e um campo de provas.

Dona de 1,5% do mercado, a empresa pretende atingir 2% até 2016. “O crescimento se dará pela entrada em segmentos em que não atuávamos, como o dos sedãs”, explica Muratori (a empresa montará aqui o Lancer). Outra montadora que segue esse caminho é a JAC, que terá um laboratório de emissões e um campo de provas na Bahia.

Assista à entrevista exclusiva de Luis Curi, vice-presidente e CEO da Chery Brasil, na Automotive Business WebTV



Tags: Chery, JAC, Automotive Business, Luis Curi, Sérgio Habib, Reinaldo Muratori, DAF, Marco Antonio Davila.

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