Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias

Mercado e Negócios | 09/04/2012 | 14h43

Novo regime ainda tem de ser digerido

Para executivos de compras das montadoras, não haverá gargalo

Marta Pereira, AB

Da esq. para a dir.: José Romero (Fiat), Vítor Barreto (Volvo), Orlando Cicerone (GM) e João Pimentel (Ford). Foto: Ruy Hizatugu

Marta Pereira, AB

Organizado por Automotive Business, o III Fórum da Indústria Automobilística, que ocorre nesta segunda-feira, 9, no Golden Hall do WTC, em São Paulo (SP), reuniu João Pimentel, diretor de compras da Ford América do Sul; José Francisco Maciel Romero, gerente de otimização do valor do produto e desenvolvimento de fornecedores da Fiat; Orlando Cicerone, diretor de compras da GM América do Sul; Renato Abel Crespo, gerente executivo de suprimentos para a América do Sul da Volkswagen; e Victor Barreto, diretor de compras da Volvo do Brasil. Eles apresentaram o painel Cenários para a Cadeia de Suprimentos.

Questionados sobre os impactos do novo regime automotivo, que entra em vigor a partir de 2013 e, entre outros reflexos, implica o aumento de compras de insumos e componentes nacionais para obtenção do abatimento de 30 pontos porcentuais extras, aplicados ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos veículos, a resposta foi unânime, mas não surpreendeu. Por conta da divulgação recente, às vésperas do feriado de Páscoa, os executivos alegam falta de tempo para analisar o Decreto nº 7.716/2012, que regulamenta o novo regime, embora estejam otimistas. O que surpreende e contraria a lógica de uma leitura básica e de alguns analistas do setor é que eles não acreditam em gargalos no fornecimento.

Abel Crespo, da Volkswagen, salientou, no entanto, que o novo regime cria capacidade produtiva, obriga investimentos em P&D e inovação, com vistas a tornar a indústria automobilística brasileira mais competitiva mundialmente, mas não trata da demanda interna, do incentivo ao consumo. Outro aspecto apontado por Barreto, da Volvo, refere-se às regras para financiamento pelo BNDES, cuja burocracia dificulta os investimentos necessários, sobretudo para os tiers 2, 3 e 4.

Para Romero, da Fiat, os principais obstáculos a enfrentar não são novos: dificuldade de gestão de algumas empresas e a qualificação da mão de obra. Nesse ponto, as montadoras também são unânimes em afirmar que é preciso uma sinergia maior na cadeia, com troca de experiências e intensificação dos programas de capacitação, já promovidos pela maioria, bem como pelos sistemistas, há algum tempo.

Segundo Cicerone, da GM, o regime reforça a competitividade e a inovação, exigências antigas do setor, com a definição de plataformas globais e, consequentemente, maior demanda por desenvolvimento tecnológico. A legislação que prevê itens de segurança, como freios ABS e airbag em todos os veículos, também gerou maior escala e favoreceu investimentos na produção local, sem registros de gargalos. Pimentel, da Ford, também não acredita em problemas no fornecimento. Insumos básicos, como alumínio, aço e plástico, estão sob controle.

Com previsão de produção anual de 5 milhões de veículos leves até 2015, com investimentos de R$ 60 bilhões em toda a cadeia, no período de 2012 a 2015, incluindo a instalação de novos fabricantes, números e cifras divulgados antes mesmo do decreto da semana passada, a expectativa é que a cadeia de suprimentos realmente não enfrente gargalos, que as regras do jogo tenham sido definidas por todos os participantes, com avaliação criteriosa do cenário.

Assista à entrevista exclusiva de João Pimentel, diretor de compras da Ford América do Sul em Automotive Business WebTV.



Tags: Automotive Business, Fórum da Indústria Automobilística, João Pimentel, José Francisco Maciel Romero, Orlando Cicerone, Renato Abel Crespo, Victor Barreto, BNDES.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência