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Mercado e Negócios | 27/03/2012 | 18h35

Chery assume operação no Brasil e segura preço

Empresa antecipa planos para se adaptar ao IPI maior

Pedro Kutney, Automotive Business

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Foto: Luis Curi, agora vice-presidente e diretor comercial da Chery Brasil.

Pedro Kutney, AB

O aumento do IPI sobre veículos importados não mudou os planos da chinesa Chery para o Brasil, que segue construindo sua fábrica em Jacareí (SP), mas obrigou a empresa a acelerar seus planos. Em uma rápida jogada de dois lances, a Chery assumiu o controle total das operações brasileiras, incluindo as importações que eram feitas pela representante Venko, e promete manter sem alteração seus preços. A ideia é acomodar nas margens a elevação do imposto e continuar a negociar com o governo alguma flexibilização do IPI até que a linha de produção brasileira fique pronta, algo que pode ser feito mais facilmente pelo fabricante, sem a intermediação do importador brasileiro.

Em princípio, o novo cenário deverá limitar o crescimento das vendas no Brasil. A Chery emplacou 7,6 mil carros em 2010, mais 22 mil em 2011 e esperava vender 60 mil este ano. “Contudo, depois do aumento do IPI, rebaixamos nossa meta para 30 mil unidades em 2012”, disse Zhou Biren, presidente de operações internacionais da montadora, em teleconferência com jornalistas brasileiros nesta terça-feira, 27. “Levando em conta que já estamos construindo uma fábrica aqui, que sempre fez parte da nossa estratégia muito antes do aumento de imposto, negociamos com o governo e talvez possamos vender mais”, afirmou Biren.

Na prática, os preços não serão aumentados, mas a marca se autoimpôs uma cota de até 30 mil veículos para não ceder o mercado já conquistado e, ao mesmo tempo, não perder muito dinheiro, conforme admite Luis Curi, que dentro da nova estrutura no País agora é vice-presidente e diretor comercial da Chery Brasil. “Mas esperamos que o governo flexibilize o imposto de quem já está investindo e aí poderemos retomar nossos objetivos”, diz Curi, acrescentando que na reunião que teve recentemente com o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) “ele se mostrou muito receptivo ao nosso pedido”.

Trabalhando dentro das limitações atuais, a Chery projeta aumentar sua participação no mercado brasileiro para 0,75% das vendas totais neste ano – atualmente o índice está em 0,66%, contra 0,63% em 2011 inteiro. “Nossa meta é chegar aos 3% de um mercado total de 5 milhões em 2015, quando a fábrica já estiver funcionando a plena capacidade, de 150 mil veículos/ano em três turnos de trabalho”, projeta Curi. Até lá a fábrica brasileira deverá fazer três carros diferentes. Para complementar a linha, também está nos planos trazer veículos da fábrica no Uruguai, que monta o Tigo em regime CKD desde 2009, e modelos de menor volume importados da China.

NOVA ESTRUTURA

Ao assumir 100% do controle, a empresa chinesa nomeou uma nova diretoria para o País. Kong Fan Long é agora o presidente da Chery Brasil – o executivo já trabalhou na Volkswagen da China e está na Chery desde a sua fundação, em 1996; já liderou o processo de internacionalização da marca no Leste Europeu e de 2008 a 2011 foi responsável pelo controle de qualidade da companhia. Kong vai comandar a nova estrutura criada no País que, por enquanto, foi dividida em duas vice-presidências: comercial e industrial.

Para tocar diretamente o projeto da fábrica, a Chery nomeou Wu Dejun vice-presidente e diretor industrial no Brasil. O engenheiro chinês será responsável por construir a primeira unidade de produção completa da Chery fora da China e que pertence 100% à montadora estatal – as 13 plantas presentes hoje em 12 países, inclusive no Uruguai, só fazem montagem em CKD e são operadas em associação com grupos locais. Wu foi escolhido pela experiência de ter dirigido a planta principal da Chery, um complexo de 4,5 milhões de metros quadrado na cidade de Wuhu.

Luis Curi, que vinha dirigindo a operação brasileira até agora, além de ter sido nomeado vice-presidente e diretor comercial, continua no posto de CEO como principal interlocutor entre chineses e brasileiros. “Com a nova estrutura podemos manter nossos preços, para não perder o mercado que construímos até agora, e vamos traçar melhor nossa estratégia de marketing, aparecendo mais para os consumidores”, revela Curi. “Pela importância que o negócio ganhou no Brasil, era imprescindível que a Chery tomasse a frente. Isso já estava nos planos, mas com a nova política do governo tivemos de adiantar tudo”, explica.

Todos os 105 pontos de venda no Brasil agora passam a ser concessões da Chery. “Dentro de dois meses a transferência deverá estar totalmente concluída. Deveremos chegar a 130 concessionárias até o fim do ano. Já eram contratos negociados”, conta Curi. Segundo ele, não foi paga nenhuma indenização ao importador que vinha trazendo os carros da marca chinesa ao mercado brasileiro. “Mas foi uma negociação amistosa. Como compensação a Venko terá exclusividade na importação da marca de veículos comerciais leves da Chery, a Rely”, revela.

Assista abaixo a entrevista exclusiva de Luis Curi a ABwebTV



Tags: Chery, fábrica, Jacareí, IPI, regime automotivo, política industrial, mercado, Kong Fan Long, Luis Curi, Zhou Biren.

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