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Distribuição | 06/02/2012 | 20h40

EUA: vendas em ciclo virtuoso

Produção no país está abaixo da demanda

Pedro Kutney, Automotive Business

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Pedro Kutney, AB
De Las Vegas, Estados Unidos


A associação dos concessionários dos Estados Unidos, a NADA, avalia que a recessão vivida pelo setor em 2008 e 2009 está superada e o mercado voltou ao crescimento, com 12,8 milhões de automóveis e comerciais leves vendidos em 2011, em alta de 11% sobre 2010, e perspectiva de atingir quase 14 milhões este ano. “Entramos em um ciclo virtuoso, com estoques em baixa e demanda em alta”, analisou Paul Taylor (foto), economista-chefe da NADA, durante a convenção anual da entidade, realizada este ano em Las Vegas.

Taylor afirma que existe um conjunto de fatores que deve manter as vendas de automóveis em alta nos Estados Unidos: “O crédito está barato (com juros de cerca de 5% ao ano para a compra de carros em planos de 24 a 72 meses), o nível de emprego voltou a subir e a idade média da frota nunca foi tão alta. Tudo isso combinado sugere que em breve muitos consumidores deverão tomar a decisão de comprar um carro novo”, explica o economista. De fato, o tempo de uso dos automóveis em circulação nos Estados Unidos é o mais alto desde 1995 (o dado mais antigo da série histórica), quando o índice era de 8,4 anos, contra 10,8 hoje (11,1 anos para veículos de passageiros e 10,4 anos para comerciais leves).

Com vento a favor, Taylor estima que o mercado americano está próximo de sua velocidade de cruzeiro. Para ele, as vendas devem atingir 15 milhões de unidades em 2014 e se estabilizarem nesse patamar. “Os quase 17 milhões de 2007 foram atingidos à custa de crédito muito fácil, o que não deve voltar a se repetir tão cedo”, avalia. Outro fator que estimula as vendas de veículos no país, lembra Taylor, é o clima atipicamente quente para esta época do ano na maior parte dos Estados Unidos. “Com a temperatura mais alta o gasto com aquecimento é menor, os preços da gasolina caem, e as pessoas saem mais de casa para comprar”, diz, referindo-se às nevascas que costumam impedir a circulação, o que não aconteceu este ano. Com o clima anormal, as vendas anualizadas, em 12 meses terminados em janeiro, já somam 14 milhões de veículos.

TROPEÇO SAZONAL

Foi a sazonalidade do mercado americano, em combinação com inesperados desastres naturais, que impediu a formalização de um resultado ainda melhor em 2011. “Nossos meses fortes de vendas aqui são maio, junho e julho (início da Primavera e Verão no Hemisfério Norte). E justamente nesse período ficamos sem carros, por causa do terremoto no Japão”, conta Bill Underriner, presidente da NADA na gestão 2012.

O dirigente explicou que o número de unidades vendidas poderia ter sido de 500 mil a 700 mil unidades maior se não fossem os desastres naturais que atingiram principalmente as fábricas japonesas de chips, fundamentais para a produção de qualquer automóvel atualmente. “Todos os fabricantes foram afetados. Faltaram tanto modelos importados como os fabricados nos Estados Unidos que dependem de componentes estrangeiros.” E na sequência aconteceram as enchentes na Tailândia, também afetando a produção. Por isso Underriner diz que o bom resultado de 2011 foi construído somente nos últimos meses do ano, graças ao clima mais ameno do Inverno atual.

Nesse processo, as marcas japonesas, mais dependentes de fornecimento externo, foram as que mais perderam terreno nos Estados Unidos, permitindo que as americanas recuperassem participação de mercado – a General Motors terminou 2011 de volta ao topo do ranking perdido para a Toyota desde 2007. Para Underriner, no entanto, os desastres naturais ajudaram as montadoras locais, mas não explicam tudo: “É preciso considerar também que as americanas progrediram, diminuindo a diferença de qualidade em comparação com os carros japoneses. A GM, por exemplo, lançou muitos novos produtos com significativos avanços.”

Underriner diz que a produção voltou ao normal no país, mas continua abaixo da demanda. Pela primeira vez em muitos anos, são as concessionárias que “puxam” os carros, em vez de receber produtos “empurrados”. “Esse movimento ocorre porque muitas fábricas foram fechadas durante a crise de 2008 e 2009, quando a capacidade era de 16 milhões de veículos por ano. Agora as linhas voltaram a ficar quase 100% ocupadas, mas a capacidade é menor.”

Para Underriner, essa é a principal lição que montadoras e concessionários tiraram da recessão: “Aprendemos a ganhar mais vendendo menos”, avalia, destacando que, mesmo entregando menos carros, todas as três montadoras de Detroit voltaram a apresentar lucros.



Tags: NADA 2012, Las Vegas, concessionários, distribuição, projeção, economia.

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