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Meio Ambiente | 08/12/2011 | 17h10

Estudo aponta pneus velhos como problema ambiental

Leis rígidas e asfalto-borracha seriam soluções

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Tese de doutorado de Carlos Lagarinhos, defendida na Poli-USP em outubro, mostra que pneus velhos constituem sério problema ambiental e, ainda, que as resoluções do Conama sobre o tema não surtiram o efeito desejado. No diagnóstico, contido no trabalho Reciclagem de Pneus: Análise do Impacto da Legislação Ambiental Através da Logística Reversa, o engenheiro ressalta a necessidade de leis mais rígidas e incentivo ao uso do asfalto-borracha.

O levantamento do pesquisador compara as políticas de reciclagem na Europa e no Brasil e avalia a logística reversa promovida pela Anip, entidade dos fabricantes de pneus. De 2002 ao primeiro quadrimestre de 2011, as empresas brasileiras deixaram de dar destinação adequada a cerca de 425 de milhões de pneus que não servem mais para rodar em automóveis, ônibus e caminhões, o que corresponde a 2,1 milhões de toneladas desse artefato. Nesse período, os importadores de pneus novos cumpriram 97,03% das metas estabelecidas; fabricantes, 47,3%; e importadores de pneus usados, 12,92%.

Obstáculos

Lagarinhos constatou que o alto custo da coleta e do transporte de pneus descartados é a principal dificuldade para solução definitiva na destinação correta do material. Tampouco existe um trabalho conjunto entre os fabricantes e importadores de pneus para o desenvolvimento de um modelo de logística reversa que reduza os custos, aumente a oferta de pneus servíveis (que podem rodar) para as empresas de reforma, por meio da seleção e triagem nos pontos de coleta.

Segundo o estudo, não existem ações que visem a aumentar a oferta de pneus inservíveis para atender a capacidade das empresas de pré-tratamento, coprocessamento, pirólise e queima em caldeiras.

Os consumidores também não fazem a sua parte para diminuir o problema. Ao fazer a troca de pneus nas lojas e revendas, 36% levam os usados para casa, achando que ainda existe algum valor neles. “Fabricantes, importadores, revendas e distribuidores não divulgam programas de coleta e destinação dos pneus inservíveis para incentivar o descarte após a troca, pela população”, diz o pesquisador, observando que para os 6,6 milhões de veículos licenciados no município de São Paulo há apenas quatro pontos de coleta em convênio com a prefeitura, o que dificulta a coleta sistemática dos pneus inservíveis.

Lagarinho enfatiza que, para piorar, o descarte de pneus não é tarefa fácil. A maior parte acaba amontoada em grandes depósitos a céu aberto, que funcionam como verdadeiros criadouros de mosquitos transmissores de dengue, febre amarela e malária. “A disposição em aterros é inviável, porque são difíceis de comprimir, não sofrem biodegradação e formam um resíduo volumoso, que ocupa muito espaço”, explica.

“Como se não bastasse, os pneus podem reter ar e gases em seu interior, fazendo com que tendam a subir para a superfície do aterro, rompendo a camada de cobertura. Com isso, os resíduos ficam expostos, atraindo insetos, roedores e pássaros e permitindo que os gases escapem para a atmosfera”, afirma o pesquisador.

Recomendações

Diante desse quadro, Lagarinhos acredita que o aproveitamento dos pneus usados como componente para asfalto seria uma forma de reduzir o volume nos depósitos a céu aberto e aterros sanitários. Ele propõe que os governos, em todos os níveis, deem incentivos para a utilização do asfalto-borracha na pavimentação de ruas e estradas, ainda incipiente no País. De 2001 a 2010 foram pavimentados 4.900 km de rodovias no Brasil, com aproveitamento insignificante dos pneus descartados.

Outra medida seria o endurecimento da lei em relação à reciclagem de pneus. A Resolução do Conama 258/99, que, no ano de 2005, obrigava fabricantes e importadores a reciclar cinco pneus inservíveis para cada quatro pneus fabricados, foi substituída pela Resolução 416/09, segundo a qual os fabricantes e importadores só precisam reciclar os pneus vendidos no mercado de reposição. Ou seja, boa parte do passivo de pneus fabricados no País, continua sem destinação adequada.

“Apesar de não atingir as metas estabelecidas pelo Ibama, houve um avanço, uma vez que as metas eram muito difíceis de serem alcançadas”, pondera o pesquisador. “Criou-se, a partir da Resolução Conama 258/99, um sistema de logística reversa que não havia anteriormente”, acrescenta.

Antes da aprovação da Resolução 258/99, somente 10% dos pneus inservíveis eram reciclados. Em 2010, foram montados 469 pontos de coleta pelos fabricantes. Atualmente são 1.884 pontos de coleta montados pelos fabricantes e importadores de pneus, dos quais 73,04% estão instalados em municípios com população acima de 100 mil habitantes. A quantidade de pontos de coleta representa 47,1% das revendas e distribuidores de pneus no Brasil. Em 2010 havia 124 empresas cadastradas no Ibama para as atividades de reciclagem e valorização energética de pneus inservíveis.



Tags: Poli-USP, Anip, pneus, reciclagem, Conama, Ibama.

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