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Mercado e Negócios | 24/11/2011 | 18h22

Ardila: vendas a frotistas são 'assustadoras'

Presidente da GM AS antecipa avanço de minicarros e MPVs

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Paulo Ricardo Braga, AB

Em palestra nesta quinta-feira, 24, durante o Congresso Fenabrave, no Expo Center Norte, em São Paulo, Jaime Ardila (foto) classificou como 'assustador' o volume de vendas de veículos novos destinados pelas montadoras a frotistas e locadoras, em detrimento das concessionárias. Ele admitiu que o patamar chegou a 30% este ano, contra 20% a 22% nos anos passados.

O presidente da General Motors para a América do Sul, no entanto, observou que sua empresa é líder nas vendas ao varejo ou, em outras palavras, não faz vendas significativas a frotistas. "Estamos prontos a participar de entendimentos para interromper essa fórmula. Aceitamos entendimentos no âmbito da Anfavea", disse.

E quanto às margens dos concessionários, como vão ficar? "Pequenas, especialmente no caso de veículos de entrada. Estamos em um negócio de grandes volumes", respondeu Ardila, esclarecendo que há excesso de competição no mercado. A solução para elevar a rentabilidade passaria por uma cuidadosa eliminação de desperdícios ao longo da cadeia de suprimentos, produção e distribuição. "Há gorduras também no negócio da distribuição", alertou.

Ardila concorda com Sérgio Reze, presidente do Conselho da Fenabrave (leia aqui), ao afirmar que 2011 foi um ano "brilhante", apesar de algumas dificuldades. Mas adverte que 2012 será um ano de crescimento pequeno. O ritmo não estará, porém, muito distante do atual, de 14 mil unidades entregues por dia ao mercado.

Assista à entrevista exclusiva de Jaime Ardila, presidente da GM América do Sul, para a Automotive Business webTV



Projeções de mercado

Segundo projeções da Anfavea, divulgadas pelo presidente da entidade, Cledorvino Belini, devem ser emplacados 3,7 milhões de comerciais leves, carros, caminhões e ônibus este ano, que será o oitavo consecutivo de crescimento, ao ritmo de 12% ao ano. A Argentina fechará o ano com 850 mil unidades, nas previsão de Ardila, e repetirá a dose em 2012.

O executivo assegura que a General Motors é líder em vendas na América do Sul há dez anos, com 20% de participação sobre as 5 milhões de unidades comercializadas em 2010, das quais pouco mais de 3,5 milhões foram emplacadas no Brasil. Para 2012, a projeção é de 5,7 milhões de unidades. Ele explica que há diferentes graus de abertura nos mercados da região.

O Chile é recordista de marcas e representa um verdadeiro laboratório para estudo de concorrência. Venezuela e Equador são mercados fechados. O Mercosul é semiprotegido, com a maior parte das vendas cabendo a fabricantes locais. Além do Brasil e Argentina (Rosário), a GM possui unidades de produção na Colômbia, Venezuela e Equador.

Ardila esclarece que os segmentos de veículos A, B e C representarão 65% do mercado na América do Sul até 2016. O A inclui miniveículos, praticamente não montados na região. A categoria B é a que inclui Corsa e Celta. A C fica para o Cruse e seus concorrentes, como Civic e Corolla.

O segmento A, no entanto, sairá dos atuais 2,7% de participação para 11,2% até 2016, numa arrancada expressiva, enquanto a categoria B representará 41,9% e a C 11,4%, em patamares quase constantes. Os veículos de múltiplo uso (multi purpose vehicles) devem ganhar espaço na região nos próximos cinco anos.

"O Brasil vai consumidor cada vez mais das categorias A e B. Vamos trabalhar em projetos de engenharia e também influenciar plataformas globais para emergentes. Se está difícil exportar veículos, a GM tem vendido serviços para outras regiões", assegura, concluindo que o Brasil deverá ter as vendas externas limitadas à América Latina: "Não há planos para outras regiões".

"Há muito espaço para crescimento local, com a surpreendente ascensão de classes sociais no Brasil. As classes A e B, que representavam 26,4 milhões de pessoas em 2005, hoje chegam a 41 milhões. A C saltou de 62 milhões para 101 milhões. As D e E avançaram de 43 milhões para 48 milhões. Fica evidente um ganho econômico das famílias", observa.

A área de marketing e vendas da GM deixou de categorizar veículos apenas pelo tamanho. "Agora é preciso pensar em quanto as pessoas podem ou estão dispostas a pagar por eles", diz Ardila, lembrando que outro componente para avaliar a atratividade é a resposta ao estilo de vida das pessoas, que exigem cada vez mais alto grau de conectividade e infotainment a bordo. Em futuro próximo a GM deve oferecer, ainda, serviços aos clientes, possivelmente na linha do OnStar. Nesse cenário, segurança deixa de ser um item opcional, para se tornar obrigatório.

US$ 1 bilhão em 2012

A propulsão elétrica ou híbrida, no entender de Ardila, estará praticamente fora do mercado brasileiro pelos próximos cinco anos. O País deve se interessar pela propulsão alternativa quando chegar uma nova geração de powertrain, mais simples e econômica, com baterias evoluídas. "Até mesmo nos Estados Unidos, países europeus e Japão a demanda é pouco expressiva e depende de elevados incentivos do governo. No Brasil há outras prioridades além de estimular a eletrificação", pondera.

A General Motors possui ainda US$ 1 bilhão para aplicar em 2012, antes de definir o próximo pacote de investimentos no Brasil. O presidente para a América do Sul não especifica com clareza para onde vão esses recursos, mas é certo que alimentarão a fábrica de motores de Joinvile, SC, que estará pronta em 2012, a tempo de abastecer a família Onix, em Gravataí, RS, a expansão de instalações fabris e a criação de novos produtos. Ele enfatiza que uma boa parte da verba tem que ser destinada a publicidade. "A GM é um dos cinco maiores anunciantes da indústria automobilística", define.

O executivo espera um grau ainda maior de competição no País com a chegada das chinesas. Há mais de setenta marcas naquele país, cujo futuro depende de decisões do governo. Depois de um processo demorado, serão eleitas as companhias que devem ter atuação global e estarão no Brasil.



Tags: General Motors, Fenabrave, Anfavea, vendas a frotistas, Cruse, Jaime Ardila.

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